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Os Monarcas:
Cisma de Ginete, de Angelino Rogério
e Odercio Acelar Hubner

 

21/01/2008 21:35:35
CAUSOS DO HONEIDE BERTUSSI
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O meu querido amigo Honeide é um biriva campeiro e contador de causo, além de ser o artista e tradicionalista que todos estimam e respeitam. Mente mais do que cachorro surdo! Vejam só estes dois causos daquele cristão. Pois diz que o Honeide foi convidado pra tocar num baile de São João, na Criúva, perto da fazenda do pai dele, por-sinal-que... Frio de rachar, com uma indiada dançando e tomando canha – senão encarangava -, o Honeide começou a tocar logo depois da bóia e lá pela meia noite – qual não é a surpresa dele! – o som da gaita começou a mermar e foi desaparecendo. Ele ainda insistiu e tocou mais um pouco, afundando as teclas da gaita, mas completamente sem som. À uma hora da madrugada o baile parou, porque não se ouvia mais o instrumento. No outro dia, lá pelas onze da manhã, quando o sol esforteou, se derramou por aquelas coxilhas um barulhão de gaita que não acabava mais: era bugio, era vanera, era chótes, era polca, tudo! Sabem o que tinha acontecido? Com o frio, até a música tinha se congelado. Só derretou com o sol do outro dia, a aí, sim, se ouviu tudo...

O Honeide tinha um cachorro que só faltava falar! Era um cusco baio-oveiro, campeiraço, que andava sempre com ele nas lides de campo e nos refestêlos pro chinaredo do pago. Quando o Honeide namorava, o diabo do guaipeca saía pelos campos arrancando flor com a boca, pra trazer pra moça... De uma feita, o Honeide e um conhecido, que também tinha um cachorro ensinado, só que ovelheiro, começaram a discutir qual era o melhor. Discutiram, gritaram, quase brigaram e terminaram jogando na frente de um povaréu que se juntou pra ver. E aí começou: tudo o que um cachorro fazia o outro fazia, igual ou melhor. Lá pelas tantas, desesperado, o adversário do Honeide atirou longe uma brasa de angico do tamanho de um punho e disse pro Honeide: - Agora manda o teu cachorro buscar!... O Honeide só estalou os dedos e o cusco saiu que era uma flecha. Chegou na brasa, cheirou bem, deu três voltas em redor, ergueu a patinha e verteu em cima, apagando-a. Ainda fumaceando, abocanhou-a e trouxe o carvão até os dois discutidores. Diz-que o Honeide ganhou um boi gordo nessa discussão...

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  Autor: Antonio Augusto Fagundes
Causo enviado Por: José Itajaú Oleques Teixeira - Guará / DF
  Observações: FAGUNDES, Antonio Augusto. Causos de Galpão (Literatura folclórica em prosa). Porto Alegre: Martins Livreiro Ed., 5a ed., 1989. p. 61-62

 
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14/06/2010 20:45:40 VILSON DORNELES - BARRACÃO / PR - Brasil
Desde muito piá ouvíamos as músicas dos Bertussi. Honeide foi muito cedo para o outro lado. Deve estar por lá animando muitas festas de S. Pedro, S. João e assim por diante, contando muitos causos, como este acima, que acabo de Ler, e achar muito impressionante. Êta Rio Grande: terra de gente hospitaleira, causistas e músicos, que levam a bandeira farrapa por todos os cantos deste Brasil, como o fez HONEIDE BERTUSSI, QUANDO POR AQUI PASSOU, CANTOU E ENCANTOU COM SUA ACORDEONA E SUA VOZ INCONFUNDÍVEL, FAZENDO CALAR O SILÊNCIO DOS VALES E DOS RIACHOS DE ÁGUA LÍMPIDA. UM GRANDE GAÚCHO, DOS QUATRO COSTADOS. ONDE VOCÊ ESTIVER, QUE O PATRÃO DO CÉU LHE CONCEDA UMA GAITA ILUMINADA, COM LUZES DO PODER. E OS ANJOS CANTEM EM CORO, AO OUVIREM SUA VOZ E SUA MÚSICA. OBRIGADO, RIO GRANDE DO SUL, POR TER GERADO ESSE ARTISTA E NOS DADO A HONRA DE NASCER E CRESCER AO EMBALO DE SUAS CANÇÕES.
Sítio: bairro nossa senhora de fatima. centro
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