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03/08/2008 21:59:44
O RÁDIO À BATERIA DO MEU TIO
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Eu vou contar pra vocês como eu perdi a primeira recepção do rádio à bateria do meu tio. Pois bem, isto foi lá por 1965. Eu tinha onze anos, mais ou menos. Meu tio preparava a novidade maior daquele tempo. Naquele dia, domingo à tarde, a família toda se acampa na casa de meu avô, na Boca da Picada, município de Jaguari-RS, para ouvir o rádio do meu tio. Meu tio, com a licença de meu avô, comprou um rádio, uma caixa enorme movida à bateria, com um fio de antena que subia por uma taquara que ganhava o céu. Nos fins de semana a casa do meu avô era uma festa! Família grande, os filhos casados chegavam com os seus; e os solteiros esperando as namoradas. E com isto se juntava toda a piazada, que sempre aprontavam alguma! Meu tio, de olho numa prenda adulava o velho pai dela. A sala preparada, com as cadeiras na volta e um banco forrado com dois pelegos, esperava os convidados. Estes foram se chegando, todos na maior curiosidade. E nós, cinco primos, mais ou menos da mesma idade, fomos, também, nos aprochegando. Eu, o Pedro, o Artur, o Jorge e o Zeca. Este último tinha o apelido de Batata, o que já dá uma idéia do guri. E justo naquele dia minha tia assou um monte de batata-doce!  E o meu tio ajustando a sintonia do rádio, que era um ronco só. Quando aparecia um sinal de música era uma festa! Nisso o ar ficou pesado, com um cheiro que não era nada estranho. E nós, que já conhecíamos o Zeca, trocamos olhares e já miramos na figura. O pessoal fez que não notou nada. Mas daí a pouco a coisa ficou ruim, fedeu mesmo! Não deu pra ficar alheio à coisa. Meu tio passou pra peça do lado e voltou com um rebenque na mão, dizendo: - Eu vou ensinar estes moleques a respeitar os mais velhos! Num vento não sobrou nem um na sala; foi cada um pra um lado e ganhamos o mato, só aparecendo bem mais tarde, já no começo da noite. E foi assim que, por culpa do meu primo Zeca, o Batata, eu perdi aquela festa que foi a primeira recepção de rádio à bateria do meu tio!

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  Autor: José Gorete Coelho
Causo enviado Por: José Gorete Coelho - Esteio / RS
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27/07/2011 14:06:13 zacarias Antunes Brandão - Pôrto alegre / RS - Brasil
Este tipo de sacanagem é o que a antiga gurizada daquele tempo fazia a vida ser bonita, caro Jose G. Coelho. Não esquenta com o que perdeu ao deixar de ouvir a primeira transmissão de rádio, pois imagino o que a piazada fez no mato; no minimo algum passarinho deixou sua vida. Sempre digo: guri e cachorro, tudo é igual. Feliz foi você, que teve a chance de viver esse dia naquele longínquo tempo. Um abraço.
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