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Os Oliveiras:
Obrigado, Patrão Velho - de Raimundo José e Leonir

 

02/04/2009 15:46:09
BAILE DA SERRA ULHA
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Certa feita dois queras, que moravam no Corredor dos Ritta, inventaram de ir num baile na Serra da Hulha. De tardezita, depois de um dia escaldante na lavoura, voltaram pras casa, tomaram um banho de açude, ajeitado; passaram um Amor Gaúcho e se tocaram estrada a fora, em direção do fandando. Nesse tempo, para não sujar a indumentária, os índios tinham o costume de guardar as suas pilchas enroladas entre os pelegos, e iam furando mundo só de cueca, em cima do lombo do cavalo. Já com as pernas tapada de espuma, do suor do cavalo, chegaram no rancho velho, se vestiram e entraram no baile. Foi botá o pé no salão, o gaiteiro velho soltou um vaneira baguala, que os dois não se aguentaram de comichão nos pés, campearam uma prenda e se atracaram a chacoalhar o mondongo. Oiga-le-tê porquera, seu! O salão ficou lotado e logo subiu tanta polvadeira que os branco chegaram a ficar marrom, de tanto pó. E o pessoal estava tão animado que teve quera que chegou a perder o taco da bota, de tanto bailar. Lá pelo meio do baile, depois de enjoarem de tanto dançar, e já fazendo o efeito da canha, resolveram aprontar um bochincho. Primeiro um deu um jeito de apagar o lampeão, enquanto o outro tratava de colocar uma folha de umbu no barril de água e uma bosta de vaca, bem fresca, no meio do salão. Depois, quando acenderam de novo o candieiro, foi uma bagunça só: era vivente com os pés cagados, queras pulando janelas e voando porta a fora, campeando um mato pra largar um barro mole. E pra fechar com chave de ouro essa arte, afrouxaram as rodas das carretas das moças e desapresilharam as rédeas dos pingos da gauchada. Quando chegou o final do baile, foi aquele rebuliço: carretas desgovernadas, moças voando; e cavalos saindo em disparada, corcoveando tipo bicho! Oiga-le-tê bochincho feio, seu!

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  Autor: Cássio Gomes Lopes
Causo enviado Por: Cássio Gomes Lopes - Candiota / RS
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