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Vilson Schmitt:
Tradicionalismo Moderno

 

26/08/2009 21:31:16
O RINCÃO DOS ESQUECIDOS: X – UM BAITA BOCHINCHO NO DIA VINTE
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O RINCÃO DOS ESQUECIDOS

de André Moab Garcia

 

X – UM BAITA BOCHINCHO NO DIA VINTE DE SETEMBRO!

 

 

  

 

Ao contrário do capataz, que parecia nunca dormir, eu não era dado às madrugadas grandes; me recolhia ao por do sol e só me levantava com o dia quase claro. O João Vieira dormia muito pouco, me dando a impressão de que era uma espécie de sentinela de quartel. E, por conta disso, apelidei o homem de quero-quero. Gostar ele não gostou; nem um pouco, por sinal! A ousadia me custou quinze dias de serviços pesados, mas que ainda assim nem de longe lembravam os dias da Santa Helena. E se o caso era de castigar, não se dando por satisfeito com o castigo braçal, ainda atacou de padre Edson e lascou de lá um sermão, que começou na noite de sexta e só foi terminar na manhã de domingo. Naquele dia eu mateava de mano com o Sabiá, enquanto o capataz, sentado à entrada do galpão, aproveitava os primeiros raios de sol; e, de cara feia, remendava umas bombachas. Era um final de semana especial, e todos nós estávamos ocupados em botar ordem nas coisas.

O meu primeiro pai, o padre Edson, me ensinou e preparou-me para ser um homem respeitado, no viver da cidade. E eu poderia ter sido doutor advogado ou até mesmo Juiz de Direito, caso tivessem me conservado por lá. Não poderia imaginar o padre velho que toda aquela leitura e saber, conquistados a muito caroço de milho sob os joelhos, seriam de pouca serventia, durante o resto da minha vida; sem falar em duas ou três palmatórias gastas nesse período. Por outro lado, se hoje eu posso lhes contar, de próprio punho, esses causos passados, ainda que me embaralhe com a escrita, vez que outra, devo isso tudo ao padre santo.

Meu segundo pai seguiu a mesma receita. Embora os assuntos fossem outros, mas de igual serventia, no final o que interessava mesmo era que o homem aprendesse as lições que lhe trouxessem finalidade prática. Isto, é claro, no meu dizer, pois que o João Vieira se referia ao tema falando em “aprender coisa que preste”. De um tudo aprendi com ele: o que prestava e o que não tinha serventia, mas que era bom saber. Nem preciso dizer que dei trabalho no aprendizado campeiro. E fiz cada cagada que só vendo! Mas isso são coisas que se conta conforme a ocasião se apresenta.

No começo, fomos levando a estância entre nós quatro, que se serviço sobrava tempo também não faltava. Mas a coisa foi crescendo. E, no final – quando a Tapera ganhou a fama que traz até hoje -, éramos dez. Incluindo nessa conta o “Tá-dormindo” e o Guarany, que eram meio que temporários, mas que fizeram parte da história. Nós, os quatro primeiros, formávamos uma espécie de Conselho de Guerra; e era desse jeito que se decidia as coisas. Eu e o Sabiá só podíamos dar palpite, e, mesmo assim, nem sempre. Isso, no fundo, significava que nem ele nem eu mandava em bosta nenhuma! As decisões ficavam mesmo entre o João Vieira e o seu Alírio, sendo que em caso de indecisão quem resolvia a questão era mesmo o capataz. Os outros seis foram se achegando aos poucos, conforme o passar do tempo e a necessidade do serviço. Como a indiada era muito baguala, só o fato de obedecerem às ordens do capataz já era o suficiente para nos deixar contente.

Três anos tinham se passado, desde o entrevero na Santa Helena. E esse era um assunto muito espinhento, de modo que quase nunca se falava sobre o que aconteceu por lá. Agora eu era um homem feito, no dizer dos mais velhos. E como tivesse me recusado a ir embora, depois da confusão, o capataz acabou por me adotar, tornando-se, assim, o meu segundo pai. È preciso que eu diga que sempre me recusei a ir embora porque achava que um dia o padre velho daria com os costados por lá, e com ele o Dr. Manuel, o que me daria a chance de deixar tudo claro, ao mesmo tempo em que deixaria a marca das minhas botas gravadas nos fundilhos do Mão-pelada.        

 

Voltando àquela manhã de domingo, o João Vieira terminava por ali o seu sermão, assim como o remendar de bombachas; e deu o assunto por encerrado, quando anunciou que era hora de se pensar na festa. É bom lembrar que aquele era um dia muito especial, e que ficaria marcado por muitas razões. A primeira era que se comemorava o Vinte de Setembro, e o capataz nos tinha envidado a participar de tudo o que tínhamos direito: rodeio crioulo, carreiras de cancha reta e um baile que era famoso na região. Eu e o Sabiá já tínhamos ido a uns dois ou três bailes, pelas estâncias da redondeza, mas baile como aquele era coisa rara de se poder ir; de modo que tanto eu quanto ele sentimos as patas falsearem, quando o capataz nos deu a notícia. A segunda razão foi porque naquele dia campeei para o nosso lado, numa confusão das grandes - que não podia ser diferente -, o Pedro Laureano, ou Pedro Torto, conforme o gosto, sendo ele o primeiro dos seis restantes, que tornaram à estância da Tapera, famosa na região. A terceira razão foi que o Sabiá, por vez primeira, ia “entrar em cria”, como dizia o João Vieira; e a promessa era terminar a noite numa farra, na casa das “gurias”. Eu já tinha me feito homem, mas não vou mentir: desde aquela que tinha sido a razão dos meus dias, até aquela data, eu nunca mais tinha passado uma noite em cama alheia. E o caso é que eu também já andava pela hora da morte; e com as mãos de já há muito calejadas.

O capataz era um homem orgulhoso de sua estirpe, e para o Vinte de Setembro reservava o que tinha de melhor para vestir e também para encilhar a sua montaria. Afinal, segundo ele contava, o avô tinha sido capitão nas forças do general Neto, em 35. E ele próprio acompanhou o coronel Torquato Severo, na revolução de 93, sendo, na ocasião, ainda muito novo: “um gurizote assim como tu, quando chegou por aqui”, me dizia ele. Aliás, que este era um dos assuntos que deixava o capataz, sempre, de cara amarrada, ficando claro que a conversa tomava um rumo desagradável. Uma vez ele me disse: “quando começaram as coloradas, perdi o gosto pela guerra; aquilo não era coisa de homem, não era como no tempo do meu avô, quando os homens se respeitavam”. Mas isso foi o máximo que pude tirar dele; histórias, mesmo, que era o que me interessava, uma que outra, e lá de vez em quando.

Terminado o mate, tomamos um café reforçado e preparamos um fiambre para a viajem, que era certo que não se chegaria ao povo antes do meio dia; e seria preciso alguma coisa para distrair os dentes, antes do almoço. Até porque seguia conosco, na carroça, um preparado de canha com butiá, que era de fazer perder o rumo; e o João Vieira não queria ninguém gambá, antes da hora: “barriga cheia ajuda a segurar a bebida”, recomendava ele. Encilhamos os cavalos com o que tínhamos de melhor, em termos de arreios, sendo que o capataz usava um freio de prata no seu bagual sebruno, animal lindo uma coisa por demais! Freio esse que, segundo ele, teria pertencido ao seu avô, e teria sido um presente do próprio Bento Gonçalves.        

 

 

Cavalhada de cola atada e pelagem lustrosa, de tanto escovar, e de lenço vermelho no pescoço, ganhamos o mundo deixando a estância por conta, tomando de vez em quando um golezito daquela com butiá, que era para sofrenar as ânsias. Seguindo num trotezito chasqueiro fomos ao encontro do seu Alírio, que tinha viajado, ainda na sexta-feira, atendendo a um pedido da esposa, que queria visitar uma comadre no povoado. Confirmando o que o capataz tinha previsto, chegamos no ponto de encontro com o sol a pino, e encontramos o seu Alírio já com meio borrego no espeto, encostado próximo ao fogo de chão. Antes do almoço era de lei que se terminasse com o que sobrava daquela canha, que tinha nos acompanhado durante a viagem, que era pra modo de tirar a poeira. Depois, churrasqueamos, com arroz e feijão preto mexido, o que foi suficiente para que ninguém recusasse o convite para uma sesteada, fosse embaixo da carroça - como fizemos eu e o Sabiá -, ou mesmo sob a sombra dos angicos, que formavam um pequeno bosque à nossa volta - como fizeram os mais velhos.          

 

 

 

 

Perdemos o desfile de cavalarianos, pois tinham informado errado ao capataz, dizendo que seria à tarde, o que aconteceu pela manhã; pelo menos foi o que ele usou como desculpa. Por outro lado, compensamos o que foi perdido nas carreiras de cancha reta, aonde, por sinal, o João Vieira forrou o poncho, mas não sem que antes tivesse que resolver uma pendenga. Aconteceu que o capataz apostou que o cavalo bragado tirava luz de um zaino, num páreo de três, que era completado por um colorado. E foi o que se passou, mas o bragado não venceu a carreira, mas sim o colorado. E, por isso, o outro apostador, um exibido de nome Afonso, filho de um estancieiro forte, e que por acaso era muito amigo do capataz, não queria pagar, alegando que o outro cavalo tinha ganhado a parada. O João Vieira firmou a sua posição, dizendo que a aposta era a luz do bragado sobre o zaino, e que isso tinha acontecido, e que a posição de chegada era o de menos. A parada era alta, coisa de gente grande e veterana, aonde no grito se empenha a palavra e as discordâncias eram resolvidas a manotaço ou ferro branco, quando não à bala. Os mais velhos, que estavam presentes, concordaram com o que dizia o capataz. Mas o moço não queria conversa; puxando da adaga gritou para os presentes que não entregaria uma dinheirama daquelas para um “bandido colorado”; que já tinham apanhado uma vez e que, se fosse o caso, apanhariam de novo! Logo a situação se complicou. E, como se fosse ensaiado, os homens foram se apartando em dois grupos: brancos e colorados; que a peonada gostava da refega! E dava para se perceber que as mãos rondavam, inquietas, em volta das adagas e revólveres.           

João Vieira sentiu o cheiro de sangue no ar. E se a indiada iria se atracar ou não só dependia da resposta dele. Há muito que não se peleava por lenços, mas as feridas não fechavam nunca. E mesmo gente que nem era nascida naquela época ainda peleava pelos ideais representados pelas cores dos panos no pescoço. Eu mesmo já me preparava para courear o bobalhão, pela resposta desaforada. O seu Alírio plantou-se no costado do capataz, disposto a defender as costas do amigo, que nesses casos nunca faltava um covarde, e não era bom facilitar. Enquanto isso o Sabiá, junto de mim, fazia uma prece campeira para que nada de muito sério acontecesse com nenhum de nós. Afinal, aquela seria a sua primeira noite nas pernas de uma china; e ele não queria perder isso, por causa de um bobalhão. Se tivesse que brigar, então que fosse a tapa e não de tiro, pois que não seria por causa de um ou outro talho que ele perderia o compromisso.

- Se fosse pra defender uma honra destas, que é usaro  meu lenç,o eu puxava da minha adaga e logo se resolvia isso. Mas o caso não é esse! E eu não peleio por dinheiro... - disse o capataz, olhando nos olhos do inimigo. Depois, respondeu para os que estavam à sua volta:

- Não façam causo, companheiros, outro dia se vê isso! Em seguida deu as costas para o sujeito de adaga em punho e deixou o centro da roda, tranquilamente.         

Mas a coisa não era, assim, tão simples. E quem conhecia o capataz sabia que aquilo não iria ficar por isso mesmo; cedo ou tarde a volta viria. E veio mesmo! Mas isso eu só vou lhes contar no final desta história. Antes que eu me esqueça, o estancieiro pai do tal Afonso, quando soube do caso, foi pessoalmente levar o dinheiro para o João Vieira. E disse que apesar do filho já ter apanhado - numa confusão que eu já conto -, quando ficasse bom, apanharia de novo! Por falar nisso, as terras dele também faziam divisa com as da Tapera e as da Santa Helena, num rincão esquecido, que logo ganharia movimento com a chegada do Pedro Rengo. Mas calma, que eu chego lá!         

Pouco depois passei algumas noites com uma das filhas desse mesmo estancieiro - cujo nome não revelo por ser de família mui conhecida -, e que além de já ser casada, na época, tem um filho, que até já foi prefeito. Aliás, que segundo eu soube continua sem vergonha - nesse caso os dois, tanto ela como o filho prefeito. Foi essa mesma senhora que me contou a história do pai. O caso foi que durante um entrevero, na revolução de 93, lutando pelos “pica-paus”, caiu prisioneiro, e só não lhe passaram a colorada porque o João Vieira conseguiu com que lhe poupassem o pescoço. Ele foi um dos poucos prisioneiros que viveram, para testemunhar as degolas no episódio do mangueirão de pedra, fato este que acabou entrando para a história, ilustrando as barbaridades de 93. Uma vez perguntei ao capataz se era verdadeiro esse causo e ele encerrou o assunto, com uma resposta curta bem do seu feitio: “salvei muitos!”.        

Pois, Bueno! Se o episódio na cancha reta teve pouca importância para o capataz, o mesmo não se deu com muitos dos presentes. O caso foi que a pendenga acabou contagiando muitos dos que lá estavam. Vez que outra um acabava discutindo por coisa pouca, e o resultado era quase sempre uma briga. No final da tarde sobravam talhos e feridos à bala. Menos mal que não morreu ninguém. Afinal, o dia era de festa e não precisava chegar a tanto.        

Seu Alírio também ganhou uns cobres, apostando firme naquele que era o seu passatempo preferido: a tava. Jogar o osso era a sua especialidade. E ele só refugava aposta quando era exagerada, como aconteceu com o João Vieira. Manhoso, que era, pelava os adversários brincando e contando causos cabeludos. E quando o cristão se dava conta, não tinha mais o que fazer. Quando o bicho era duro de queixo, seu Alírio plantava “culo” um atrás do outro, se fazendo de isca. E quando o outro abria a guaiaca, o velho recuperava tudo com muito lucro, em quatro ou cinco “sortes” bem cravadas.        

Veio a noite e chegou a hora do baile. Como a esposa do seu Alírio tivesse passado a tarde toda na volta da carreta, quando chegamos de volta o capataz tomou o seu lugar, na função de sentinela, permitindo que ela fosse ao baile com o marido. O mesmo acontecia com as esposas da maioria dos presentes, que aproveitavam essas oportunidades para por as conversas em dia, já que o isolamento da vida nas estâncias quase não permitia esses encontros.                            

Aqueles, sim, é que eram bailes de fundamento! E eu logo me agradei da função, pois sempre gostei do enrosco. E tendo par não perdia uma marca, fosse um valseado, uma polca ou um chamamé. Naquele tempo se jantava no baile, e a bóia era à la farta, sendo que fome não era motivo para um índio parar com o arrastar de pernas. Brigar nem em pensamento, que o quera ficava mal visto, e depois não encontrava uma moça que os pais deixassem dançar com ele. E os gaiteiros? Esses, sim, é que sabiam do instrumento! Tocavam e se enredavam em floreios tão lindos que, às vezes, a gente parava, “escuitando”, e se esquecia que tinha ido lá para dançar. Os mais apaixonados - e normalmente não correspondidos -, se encharcavam de vinho ou de canha. E não era raro verter água dos olhos dos xirus, quando ouviam uma guitarra bem dedilhada, num milonguear pampeano.        

Aconteceu que a certa altura levei um carão de uma guria - bem feinha por sinal -, que eu tinha ido tirar para dançar só porque não tinha outra. Por conta disso me recostei no balcão da copa, para tomar uns tragos de vinho e observar os casais rodeando pelo salão. O baile seguia animado uma coisa por demais! E eu me distraí olhando o valseado do Sabiá, que tinha se atracado numa bugra, que era uma formosura. Acabei me quedando meio entristecido, sentindo um aperto de solidão me incomodando.        

Senti, num repente, que um par de olhos inquietos me cuidava. E quando me deparei com eles levei um pialo de cucharra, do qual custei a me levantar. Eu já tinha visto muita guria bonita naquela noite, mas aquela polaca me olhava de um jeito que me fazia tremer o garrão. E quando ela me abriu um sorriso, senti que o coração tinha se atravessado na goela. Helena! - foi só o que consegui pensar. De repente trocaram o valseado por um xote largado, de fazer levantar poeira. E eu perdi a amarela de vista!

Não era possível! Bom, além da conta, pra ser verdade! Saí feito louco pelo salão, procurando por ela, sentindo uma alegria diferente como há muito não sentia. Rodei pelo salão por quase uma hora. E eu era capaz de dizer que sentia até o cheiro do perfume que Helena usava! Mas não houve jeito de me topar com ela, outra vez.         

Acontece que a bebida me atacou as vistas. E enquanto eu procurava por um anjo, acabei encontrando o tinhoso dos infernos; pelo menos foi o que eu pensei. O caso se passou muito rápido. Eu andava distraído, procurando por Helena. E depois de um tropeção, fui jogado de encontro a um abobado, que pelo jeito vinha como eu, procurando por alguém. Aquilo, sim, era coisa de não se acreditar. Parado, bem na minha frent, com cara de bobalhão, eu via o Mão-pelada; porém, mais novo uns vinte anos. Senti que os pelos do espinhaço tinham se eriçado, desde a sambiqueira até o tronco do pescoço. E foi pra já que me parei pronto para dar as “buenas”, em forma de uma botada caprichada, bem no meio do focinho. Vai daí que o índio nem fez causo de mim; e, distraído como vinha, seguiu seu rumo, desaparecendo na povoadeira.        

A verdade é que eu já estava ficando meio borracho, e aquilo serviu para me tirar daquele estado. Afastei-me dali, tentando me convencer de que eu não tinha visto Helena, como eu pensava; decerto era alguma guria parecida. Aproveitei a ocasião para encontrar um par que me quisesse. E me misturei, outra vez, pelo salão, distraindo-me nos braços de uma guria dançadeira - que nem era das mais lindas -, até que o seu Alírio me fez sinal de que era hora de eu e o Sabiá irmos parar rodeio em outra invernada. Conforme o combinado, o capataz deixaria alguém de confiança cuidando das coisas, até que o seu Alírio voltasse do baile com a mulher, que, por sinal, nem imaginava qual seria o nosso destino; e, se soubesse, era capaz de dar em nós três.

Encontramos o João Vieira de prosa com um companheiro dos tempos de antes, que conforme ele me explicou depois era o responsável pela nossa aventura, naquela noite. Apesar de não aparentar a idade, era mais velho do que o capataz uns vinte anos. E, de acordo com ele, era fazendeiro de muito campo, pros lados de Dom Pedrito. Tinham se conhecido em 93, numa lambança lá pras bandas do Ponche Verde, quando o fazendeiro tinha sido derrubado numa carga de lança, que tinha lhe aberto um ferimento sem muita gravidade numa das pernas. Teria sido mais um a usar a colorada, não fosse, mais uma vez, a intervenção do João Vieira. Uma vez eu disse pro capataz que eles só perderam a guerra porque ele nunca deixava que o inimigo fosse morto. Até hoje eu não sei o que ele foi fazer naquela guerra! Pode parecer exagero, mas se botar na ponta do lápis é bem capaz de o João Vieira ter sido o responsável por mais de cem cabeças terem se conservado sobre o pescoço.        

Ninguém que tivesse algum juízo entraria num sobrado daqueles, se não tivesse suas garantias. E a nossa era o amigo do capataz, que de antemão tinha deixado as coisas meio que encaminhadas para a nossa visita. Era o pagamento de uma dívida que nunca poderia ser paga! - palavras do homem. No sobrado velho, construído a mais de cem anos, se amontoava um rebanho de potras, que eram comentadas até na capital. Dona Clotilde era a cafetina: uma alemoa velha de muita experiência no oficio, que conservava a sua tropilha com mão-de-ferro, sem deixar que pobre esquentasse banco por lá, e nem que alguma das suas gurias caísse de amores por algum espertalhão disposto a ter favores de graça.         

Aquela foi a primeira e também a última vez que estive lá. E lhes digo que não fiz nenhuma questão de voltar, já que o lugar era muito cheio de frescuras, coisa para doutor ou estancieiro. É claro que ninguém reparava nos modos de ninguém. O que interessava era que se pudesse pagar. Mesmo porque em datas como aquela o movimento aumentava muito; e não era raro um ou outro mais duro de queixo dar com os costados por lá. O amigo do capataz tinha insistido que a noite seria por conta dele, e que nós estávamos lá como convidados. Mas o João Vieira fez questão de passar uns boizinhos nos cobres, porque não ficava direito deixar um amigo bancar as despesas de achegos com china. Além disso, o capataz ainda tinha ganhado um bom dinheiro com as apostas, durante a tarde, o que dava e sobrava para o que se tinha em mente.         

Mal entramos no salão e o pobre do Sabiá, bem vestido como estava, foi logo caindo no laço de uma chirua delgada - por sinal, que nem era das melhores -, que deve ter achado o meu companheiro com cara de filho de gente. E já, no minuto seguinte, dançavam enamorados pelo salão! Nos quedamos os três, eu o capataz e seu amigo, sentados numa mesa de canto; e de lá ficamos apreciando o movimento e tomando vinho.

‘- Coronel! – disse uma dona, quando topou com o nosso amigo. - Há quanto tempo não me faz as honras! Acaso não lhe agrado mais?  - indagou, já sabendo qual seria a resposta.

Linda, como fruta de se deixar de amostra - a meu ver só o nariz não lhe caia muito bem -, sabia que fazer uma pergunta daquelas para um homem era quase uma provocação, pois se o índio não se agradasse de uma como aquela, ficava muito mal visto. E como não fosse homem de fazer feio, grudou-se nela o nosso amigo. Em seguida, chegou-se ao costado dela uma outra, de orelha murcha, feito uma potra, quando se prepara para corcovear. E encarou, sem rodeios, a figura do João Vieira, que logo lhe cravou as garras, já que afinal ele não andava por ali à toa. “Caborteiro, o bicho velho!” – pensei, de pronto! E no trocar de uma marca para outra, já andava tudo entreverado no meio do salão.        

No frigir dos ovos, me vi botado fora, sozinho, naquela mesa; e com tanta china redomona pela volta. Mas deixa que o lugar era fino, e se um homem andava por lá era porque queria companhia. E não demorou muito para que uma moça, mui formosa, me trouxesse outra jarra de vinho, me perguntando se podia me fazer parelha. Era uma castelhana, de sotaque carregado e sorriso farto, como cabia a profissão; e que no conjunto não lhe faltava nada, confirmando o que me disse certa feita o capataz: “Quando o assunto é boniteza, as portenhas dão aula!”.         

A noite seguia o seu rumo, em conformidade com um dia de festa. E com a gauchada endinheirada, disposta a não economizar na farra, o ambiente logo se encheu de vida, com um murmurinho animado, só quebrado pelo gargalhar escandaloso de alguma china mais alterada. Embalado pelo ambiente, depois do quarto copo eu já achava tudo lindo!         

O Sabiá foi o primeiro a sumir. Ansioso que estava, pelo momento, depois de umas quatro danças arrastou a sua acompanhante direito a uma escada, que dava para os quartos, lá de cima. E se entregou ao serviço, com disposição. Dele só se soube mais tarde, em meio à anarquia que se seguiu. Eu tinha embalado uma conversa animada com a castelhana, por quem eu acabei me agradando de verdade. E já meio encharcado de vinho, fiz um monte de promessas que nunca poderia cumprir. Mas ela sabia disso, por experiência, e não fazia causo. E eu era capaz de jurar que ela também tinha se agradado de mim. Enquanto eu fazia planos para o resto da noite, ou talvez até o resto da minha vida, o João Vieira e o seu amigo gastavam o taco das botas, redemoinhando pelo salão.        

É possível que numa outra vida eu tenha sido um soldado romano, e tenha passado o laço nalgum cristão descuidado. E pode ser, também, que eu tenha sido um leão no circo de Roma e tenha churrasqueado um que outro. Quem sabe? De modo que só podia ser algum castigo! E assim se passou, outra vez! Pois não vê que, enquanto eu me enredava no namoro, se achegou na mesa um amostrado, que agarrando minha companhia pelos cabelos, envidou de seco:

- Vamos embora, mulher! Deixa de conversar à toa, que tu tens o que fazer!

Reconheci, de pronto, o bobalhão; pois não era outro senão o tal Afonso, com que o capataz tinha se estranhado à tarde. E não precisa ser adivinho pra saber que a coisa ia feder.

- Me solta! - ela disse. - No vê que estoy acompanhada? Procura una outra! – completou, com seu portunhol fronteiro. Mas o índio não se agradou do refugo. Fazendo de conta que eu nem estava ali, seguiu incomodando:

- Não me interessa com quem estejas! Puta é de quem mete a mão! E vamos logo, que eu estou precisado!

- De quê? - quis saber ela. - Se já mi fué com usted de perder las contas e nunca haces nada... No mi pareces hombre!

Achei a resposta desaforada, mas bem dada! Em todo o caso, dizer que um homem era frouxo exigia coragem, pois que a volta viria: isso era certo! Embalado como estava, e já prevendo o que estava por vir, resolvi entrar naquela dança:

- O moço não se incomode com o aparte, mas, se por acaso não notou, a moça está comigo.

Ele se fez que não tinha mesmo notado, e, sem dar atenção ao que eu tinha dito, sentou o braço, num tapa de fazer muito barulho, que pegou de jeito no rosto da china. O caso foi que ela não esperava pelo bote, e, como estivesse desprevenida e de corpo mole, pelo efeito do coice foi parar esparramada, de cara no chão, cinco metros adiante. Dali em diante não havia mais o que fazer, pois que o enrosco já estava feito, só me restando cumprir com o meu papel, pra modo de pelo menos tirar algum proveito do resto da noite.

“La-pucha!” - pensei contrariado: “Quem estava precisado dela era eu!”.     

Mas, se o homem queria tanto aquela china, então, que fosse ao encontro dela. Por causa do desaforo, dei-lhe um pataço no meio do cheirador, que foi coisa até de se achar bonita! Mas deixa que o maula também não esperava pela minha reação, e, impulsionado pelo taco da bota contra o focinho, foi se deitar bem pertinho da dita, ficando os dois como um casalzinho de lagartixas na areia. Só quem já se viu num entrevero, em um ambiente como aquele, é que sabe do efeito que faz uma botada bem dada! Primeiro é o mulherio que se desata num berreiro, capaz de fazer inveja a um leitão agarrado pelas bolas; depois, é a macharada que se assusta com o estouro do bochincho, e, como não sabe direito quem é o inimigo, se previne. dando de tapa no primeiro que se aproxime. A partir daí se instala a anarquia. Lhes digo senhores, que lá não foi diferente!  Transformou-se o puteiro num inferno, numa confusão medonha, fazendo com que a indiada desse e apanhasse à moda miguelão - sem saber de quem nem porquê -, de modo que só posso relatar o que se passou comigo.         

Eu já lhes disse que foi naquela noite que nossos caminhos se cruzaram com o do Pedro Laureano, ou Pedro Rengo, que era como a gente tratava ele. O causo se deu mais ou menos desse jeito: o tal Afonso, tão logo tomou tenência do que tinha acontecido com ele, levantou-se brabo como uma coatiara; e sacando da adaga, se veio, feito louco babando e cuspindo fogo, pra cima de mim. Por causa da confusão, eu tinha me parado num lugar muito ruim, espremido num canto, e não esperava que ele viesse de adaga. O problema foi que o João Vieira insistiu pra que ninguém fosse armado para lá, e nós deixamos tudo na carroça; de maneira que justo no dia em que serviram sopa eu tinha ido de garfo! O índio era vaqueano acostumado à dureza da lida, e além de cru na educação era duro de queixo, feito um redomão. Rapidamente, ele se chegou até mim, e quando me dei conta a adaga já estava encostada no meu pescoço, fazendo minha barriga roncar diferente, prenunciando que a intenção dele não era das melhores. Sem nenhuma cerimônia, ele disse:

- Tá de azar, orelhano! Não te conheço, e não vai ser nesta vida que vamos nos conhecer!        

Acontece que quando a gente tá mesmo de azar, chuta uma pedra justo com a unha que está encravada. E ele, que já tinha se estranhado com o capataz, achou pouco, e resolveu fazer outro inimigo da mesma raça! 

Como se não fosse o bastante, entrou no causo o Pedro Rengo. Pois não vê que o coitado tinha uma pata mais curta; e se já não era fácil para alguém normal sair dali, imaginem um manco, e pior: borracho! Pois creiam que o pacífico tentava fugir da lambança manquitolando aos trancos, procurando chegar até a saída, quando tropeçou num caído e acabou perdendo o rumo - que era o da porta -, e, pela mão de um anjo, acabou dando um encontrão no homem que se preparava para cortar a minha voz.         

Caiu, outra vez, o Afonso. E enredado nele foi junto o Pedro Laureano, ficando os dois embolados no chão, tentando um se livrar do outro, enquanto eu aproveitei a chance e procurei um lugar onde tivesse mais espaço, que não seria uma faquinha que me faria correr. Quando conseguiram se aprumar outra vez, ficaram, por acaso, um de frente para o outro, ocasião em que o Afonso se aproveitou para agarrar o Rengo pela gola da casaca, preparando-se para passar-lhe a faca - que pra isso ele andava disposto -, e na certa achando que o pobre Pedro tivesse feito aquilo de propósito, por ser meu amigo.

Mas eu tive uma educação de boa qualidade, e se alguém me fazia um favor eu me sentia na obrigação de retribuir do mesmo modo. E por conta desse detalhe, despachei uma botada com espora e tudo, pelo meio da orelha, que fez o de nome Afonso sair tropicando pelo salão, sem conseguir retomar o equilíbrio. Acontece que o índio não andava mesmo num bom dia para brigar, porque mal ia conseguindo se endireitar e já levou um bofetão de um outro: um velhote - bem fraquinho, por sinal -, que não tendo em quem pudesse bater, se aproveitou daquele que já não conseguia ficar em pé!

Depois de me ver livre do bobalhão é que fui prestar atenção no homem que tinha me salvado; e notei que, além de rengo e meio borracho, o desavisado era completamente vesgo, o que dobrava a sua dificuldade de conseguir sair pra rua. Eu queria mesmo tirar o coitado dali, mas ele facilitou e a alemoa dona do movimento pegou-lhe também pela gola da casaca e despachou-lhe, de mão aberta, uns dez tabefes bem dados, descontando em quem pode a raiva, por causa daquela confusão. Confesso que não foi fácil, mas depois de forcejar um bocado consegui sacar o homem das mãos da gringa, mas não sem antes levar eu mesmo uns tapas, ficando, também, de orelha quente. Dali pra frente ainda consegui distribuir mais umas quatro ou cinco botadas; e levei outras tantas, até que finalmente saímos para a rua. O último com que me deparei foi o próprio Afonso, que de tanto apanhar acabou deitado entre nós e a porta. Eu sei que não foi muito bonito o que eu fiz, mas alguém já achou boniteza num estouro de puteiro? Aproveitei, e pisei na cara dele!

Assim que ganhei a rua procurei me afastar dali, até que estivesse num lugar mais tranquilo e pudesse observar a confusão. O Pedro Rengo se apartou de mim, tão logo se viu livre do enrosco, e saiu em uma outra direção; decerto que procurando por algum conhecido.

Dali a pouco salta lá de dentro o capataz, trazendo consigo uma botija de vinho e sacudindo a poeira das bombachas. Mui irritado se veio pro meu lado, assim que me viu.

- Mas que merda, tchê! – disse com a voz meio diferente, por causa da bebida. - Agora só nos resta encher a cara, já que algum filho-da-puta estragou a noite.

Fiquei calado como uma porta. E quando ele me passou o vinho tomei uns goles grandes, pra tentar botar as coisas no lugar, dentro da minha cabeça.

- Cadê o guri do Alírio?

- Sei lá... - eu disse, sentindo o vinho descer pela garganta. - E o amigo do senhor?

- Também não sei; se agarrou com uma polaca, e não duvido que ainda ande namorando!

Nisso salta um corpo, por uma janela lá de cima, fazendo um estardalhaço daqueles, mas que passou despercebido, dado à anarquia que reinava por ali. Era o Sabiá, que sem muito esforço levantou-se e veio ao nosso encontro, sendo recebido pelo capataz que lhe oferecia a bebida, enquanto comentava:

- Tchê, esquecestes das calças!

- Uma barbaridade, seu João! Não vê que eu estava embalado na dona, sentindo um monte de coisas boas, quando de repente ouvi o estouro. Mas eu não fiz causo e continuei não função, sem pensar em mais nada, até que entrou uns vinte quarto adentro, tudo se xingando ao mesmo tempo, e quando eu dei por mim já iam me atirando pela janela. Ainda bem que, pelo menos, eu tava de botas!

Depois de beber uns goles, o Passarinho deu-se conta do seu estado:

- E agora, patrão, como é que eu volto pras casas?

Mas o João Vieira não era homem de se apertar por pouca coisa; e bastou que saísse um com cara de tonto, de dentro do sobrado, para que o capataz lhe desse uma munhecada e botasse o desavisado pra dormir. “E eu que achava que aqui fora a coisa tava mais calma...” ainda disse o infeliz, antes de apagar de vez.

- Veste isso... – disse ele para o Sabiá.

- Mas Seu João, o homem tá todo mijado!

- Não faz caso, tchê! Apura-te que não demora chegam os brigadianos, e eu não sou homem de dar satisfação pra milico!   

Sem ter outra coisa que pudesse fazer, acabou o Sabiá vestindo as bombachas do mijado mesmo. O amigo do capataz não deu as caras, mas o João Vieira disse que não era o caso de se preocupar. - “Já escapou de coisa pior! Não vai ser uma briguinha à toa que vai pialar o velho!”.         

Chegamos, de volta, no lugar do pouso; e por lá estava tudo calmo. Os pais do Sabiá dormiam um sono relaxado dentro do velho carroção, usado por eles como casa temporária. E decerto que estavam cansados do baile, por isso não deram pela nossa chegada. Logo o capataz puxou da carreta um quartinho de ovelha e se veio para o nosso lado, junto ao braseiro. E por ali ficamos, nos distraindo entre uma mordida e um gole de vinho, sem falar no mau humor que tinha tomado conta do meu parceiro. - “Ah! Se eu pego os frescos que começaram com aquilo!” - repetia ele, sem parar.  Um pouco mais ao longe um vulto caminhava em nossa direção, num jeitão diferente; e antes mesmo que ele tivesse chegado mais perto, eu já sabia quem era: o Rengo da confusão no sobrado das chinas.

- Boa noite! - disse ao chegar. - Posso ter um eito de prosa?

- Se achegue - convidou o João Vieira, fazendo um cigarro.

- Só vim incomodar pra modo de agradecer ao moço – disse, me olhando. - Não fosse pelo senhor...

- Não há de quê! O senhor também me ajudou! - de certeza que ele nem sabia o que tinha feito por mim, mas, assim mesmo, eu sentia gratidão por ele.

- De onde vem o companheiro? Como lhe chamam? - quis saber o capataz.

- Pedro Laureano, seu criado – respondeu, se apresentando. - venho de Dom Pedrito, da Estância da Aguada Grande, do finado coronel Ildefonso Álvares. O senhor conheceu?

- De nome - respondeu o João Vieira. - Mas não venderam aqueles campos?

- É verdade! Mas só uma parte, o de resto repartiram entre os herdeiros, que eram muitos. Acabou não sobrando muita coisa pra nenhum. Eu, antes, era posteiro, mas fiquei sem serviço depois das divisões - explicou ele, meio triste.

- E te fostes ao sobrado tomar uns tragos e aliviar as penas... - concluiu o capataz.

- O senhor acredita que eu fui naquele lugar à procura do Dr. Serafim, que é o dono da Estância do Espinheiro? O caso foi que cheguei meio cedo, e logo uma das damas me avisou que ele só chegaria mais tarde; de modo que não tendo outro jeito resolvi me distrair tomando canha, coisa que eu quase nunca faço. Eu tinha me topado com ele logo cedo. E ele disse que talvez tivesse um lugarzinho pra mim, e que eu devia procurar por ele lá no sobrado. Quando achei que já era tempo, resolvi dar umas voltas, pra ver se achava o homem. E, por conta dos tragos, tropecei sem querer numa parte do assoalho; dali por diante foi aquilo que se passou. Eu não entendo porque essa gente briga por qualquer coisa e sem motivo nenhum...        

A partir daquele momento o destino da Estância da Tapera tomava outro rumo. Vi quando os olhos do capataz relampearam, não sei se pelo vinho ou pela confusão nas gurias. Mas percebi que o homem estava diferente. Na verdade, ele já vinha pensando naquilo há muito tempo; e só esperava pela oportunidade de começar.

- Já é hora de se arrumar aquela estância velha. Chega de sossego, gurizada! - sentenciou ele. E virando-se para o visitante, completou: - Se a gente se acertar no preço, lhe ponho em outro posto!   

O Pedro velho percebeu que o negócio era pra valer.

- Tá feia a coisa, patrão?

- Por demais... Anarquia grande que se criou gorda, desaforada e redomona, se o amigo entende o que eu quero dizer!

Ele entendia.

- Me agrada o desafio! Qual é a estância?

- A Tapera - respondeu o João Vieira.

O homem fez cara de espanto.

- Bueno! - disse ele. - Agora já falei que me agradava e não volto mais atrás. Ou botamos ordem naquil, ou o senhor não precisa me pagar.  

- Então, ficamos acertados. Toma um vinho, pra modo de comemorar, porque se era trabalho que o senhor procurava, encontrou em quantidade.

- Eu não tenho mesmo o costume, mas se for como falam vou tomar uns goles, pra esquecer que aceitei o convite... – disse ele, rindo e conquistando a simpatia de todos. (continua...)

 

Autor: André Moab Garcia

E-mail: andremoabgarcia@hotmail.com

 

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Causo enviado Por: André Moab Garcia - Barra de Santo Antônio / AL
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