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Leopoldo Rassier:
Pilchas, de Luiz Coronel e Airton Pimentel

 

08/06/2006 21:04:57
O COMEÇO DA BRIGA!
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O Delegado fala ao depoente: - O senhor foi intimado para depor sobre a violenta briga acontecida ontem no seu armazém, lá no interior de São Borja . Cinco mortos, oito feridos, uma barbaridade... - No meu bolicho, seu delegado! Quem sou eu para ter armazém? Armazém é do turco Salim, que foi mascate. Por sinal que... - Não desvie do assunto. Como e porque começou a briga? - Bueno, pos então, historiemo a coisa. Domingo, como o senhor sabe, o meu bolicho fica de gente que nem corvo em carniça de vaca atolada. O doutor entende: peonada no más, loucos por um trago, por uma charla sobre china. A minha canha é da pura, não batizo com água de poço como o turco Salim. Que por sinal... - Continue, continue, deixe o turco em paz. - Pos, então, bamo reto que nem goela de joão-grande. Tavam uns trinta home tomando umas que outras, uns mascando salame pra enganar o bucho, quando chegou o Taio Feio. O senhor sabe, o índio é mais metido que dedo em nariz de piá; deu um planchaço de adaga no balcão e perguntou se havia home no bolicho. Todo mundo coçou as bolas. Home tem bola, o senhor sabe. O Lautério - que não é flor de cheirar com pouca venta - disse que era com ele mesmo; deu de mão numa tranca e rachou a cabeça do Taio Feio. Um contraparente do Taio Feio não gostou do brinquedo e sentou a argola do mango no Lautério. Pegou no olho - lá nele - e o Lautério saiu ganiçando como cusco que levou água fervendo pelo lombo. Um amigo do Lautério se botou no contraparente do Taio - que já tava batendo a perninha - e enfiou palmo e meio de ferro branco no sovaco do cujo, que lhe chamam Pé de Sarna. Um irmão do Sarna, chateado com aquilo, pegou um peso de cinco quilos da balança e achatou a cabeça do homem que faqueou o Sarna. Os óio saltaram, seu doutor! E eu só olhando, achando tudo aquilo um tempo perdido. Um primo do homem do ferro branco rebuscou um machado no galpão e golpeou o irmão do Sarna. Errou a cabeça, só conseguiu atorar o braço do vivente. Aí eu fui ficando nervoso, puxei meu berro pro mole da barriga, pronto pra um quero. Meu bolicho é casa de respeito, seu delegado, e a brincadeira já tava ficando pesada. Mas bueno, foi entonces que o Miguelão se alevantou do banco, palmeou uma carneadeira, chegou por trás do homem do machado, pé que te pé, grudou ele pelas melena e degolou o vivente num talho, a coisa mais linda! O sangue jorrou longe como mijada de cuiúdo. Aí eu e mais uns outros - tudo home de respeito - se arevoltemo com aquilo. Brinquedo tem hora, o senhor não acha? - Acho, sim. Mas e ai? - Pois, como lhe disse, nós se arevoltemo e saquemo os talher. E foi aí que começou a briga, seu delegado...

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  Autor: Aparício Silva Rillo
Causo enviado Por: Antonio Heraldo Silva da Silva - São Gabriel da Cachoeira / AM
  Observações: O sítio Bombacha Larga agradece ao amigo Heraldo, pela contribuição enviada.

 
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29/01/2009 17:09:56 C L Menchaca - Teutonia / RS - Brasil
Ótimo! Partindo do Aparício Silva Rillo só poderia ser uma bela história, assim como todos os seus poemas. Um abração!
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14/01/2009 21:23:57 RODRIGO MILANI FETT - PORTO ALEGRE / RS - Brasil
LINDO O CAUSO! MAIS UM DO RILLO. LINDO E LITERÁRIO, COMO O "BICHO TUTÚ"! ESTE CAUSO MOSTRA QUE A MORTE SEMPRE ANDOU JUNTO DO GAÚCHO, DESDE TEMPOS PASSADOS; QUE A MORTE É UM DETALHE, NO MAIS DAS VEZES, E QUE A HONRA NÃO! ESTA NÃO É DETALHE, MAS O CERNE DA VIDA! O GAÚCHO, HOJE, APRENDEU O GRANDE VALOR DA PAZ. CONTUDO, PARA A DEFESA DESTA, MUITAS VEZES É NECESSÁRIO LUTAR; E ISTO ESTÁ LATENTE EM NÓS!!!
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29/10/2008 16:20:33 Adalberto Kruel - Santo Ângelo, Missões / RS - Brasil
Esta peleia é do tempo que a honra de um índio touro se sustentava na prateada! Porque o perigo destrava o corpo! Este causo é um, dentre tantos outros do Rillo, que nos alegram e nos contam um passado não tão distante, mas quase esquecido. Forte abraço, indiada!
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02/11/2007 07:45:23 carlos ritter - garibaldi / RS - Brasil
Aparício Silva Rillo é um animal trancudo de boa cepa, com um indio poeta (BRIGUINHA PEQUENA COUSA POUCA), que nem ele da mais gosto de se aquieta mateando no entardercer na varanda do rancho e não se bandea desta terra macanuda. pra esta indiada do bombacha larga que se apartou do nosso riogrande querido, que nem diz uns indios por aqui um abrço do tamanho do Riogrande. Me permitam, particularmente para mim é um Orgulho ter Gauchos como estes macanudos do Bombacha Larga divulgando as tradições do RIO GRANDE DO SUL.
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19/04/2007 21:39:32 Vitor Zapelini - Salto Veloso / SC - Brasil
Muitoo bomm
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25/12/2006 22:42:30 José Itajaú Oleques Teixeira
Prezado Xiru Adalberto. O sítio Bombacha Larga agradece a colaboração prestada. Saudações Tradicionalistas e um quebra-costelas cinchado!
Sítio: http://www.bombachalarga.com.br
25/12/2006 14:22:28 Adalberto Kruel
O autor deste causo é Aparício Silva Rillo, e foi extraído do livro "Rapa de Tacho". Feito então Baita abraço à todos!
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