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Vilson Schmitt:
Tradicionalismo Moderno

 

31/12/2011 22:34:43
O RINCÃO DOS ESQUECIDOS: XXVI – PARA ENCERRAR O CAUSO!
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 O RINCÃO DOS ESQUECIDOS
de André Moab Garcia

O RINCÃO DOS ESQUECIDOS: XXVI – PARA ENCERRAR O CAUSO! 

Joanita foi sepultada ao lado dos pais, em um lugar que eu não disse para ninguém. Um dia havia me dito que o povo dela não ficava em cemitérios, como os nossos. E que ela mesma gostaria de ser enterrada no campo, onde crescessem as ervas e as flores, e onde ela pudesse sentir o tropel de patas de uma tropilha de potros correndo livre. No fundo, eu acho que é isso que eu quero também. 

Bueno! Conforme eu disse no começo, ontem eu cismei que tinha visto uns gaúchos de risadas, no potreiro lá da frente. Vinham os três tomando canha numa guampa, lenços no pescoço, arreios de prata e a cavalhada de cola atada, como pra uma festa. Eu podia jurar que conhecia aquelas três estampas de pampeanos, que seguiram na direção do posto lá dos fundos. Alguma boa eles andam aprontando. Quando aquele Passarinho assovia daquele jeito, é sinal de que a farra vai ser grande. Lá de longe, ele me acenou. Eu respondi, como que dizendo: vou em seguida!          

Hoje, pela manhã, eu cevava o mate da madrugada, quando ouvi, vindo dos fundos, uma voz de mulher. O tropel de patas passou perto da entrada, mas ninguém entrou no galpão. Curioso, fui até a porta e olhei na direção de onde ficavam os campos do posto dos fundos. Cheguei, mesmo, a ouvir o barulho da sanga, como há muito não escutava. Ao longe, montadas em seus cavalos, me chamavam umas gurias. _ “Amanhã é domingo!” - disse uma delas. _ “Dia de ir para casa!”. 

Por isso, esperei até agora. Eu sabia, de certeza, que não me deixariam aqui para sempre. Amanhã, bem cedo, me despeço fazendo madrugada grande. Depois vou encilhar o meu matungo com o que tenho de melhor, vestir uma pilcha que guardei pra a ocasião, tomar um gole de canha com butiá e me sentir moço como nunca. Aqueles gaúchos que me esperem! Não demora estamos juntos outra vez!

_ Graças a Deus! Se vieram me chamar, é porque já posso ir embora!

Fim! 

NOTA 

Hoje eu me orgulho deles. Sinto muito não ter podido me despedir, em especial, desse velho que, por anos e anos, viveu aqui na companhia dos seus fantasmas; sempre prometendo ir embora, assim que sua casa estivesse pronta. Ele que sempre me tratou com tanto carinho, desde as minhas primeiras lembranças; que gostava tanto de mim que me fez herdeira.

Quando cheguei aqui, naquela manhã de domingo, ele já havia partido!        

Ele me chamava de Sabiázinha. Fiquei feliz, depois que soube que esse senhor, a quem chamavam Graxaim, foi como um irmão do Miguel Jardim, o Sabiá: meu avô. 

Autor: André Moab Garcia
E-mail:
andremoabgarcia@hotmail.com

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  Autor: André Moab Garcia
Causo enviado Por: André Moab Garcia - Barra de Santo Antônio / AL
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18/09/2012 10:40:08 joao alberto nunes da silva - Uruguaiana / RS - Brasil
Bom dia! Como leitor inveterado que sou não poderia deixar de agradecer pelas horas maravilhosas que vivi (sim, só li, mas parece que vivi cada momento) nestes contos. Foi por acaso que descobri este site e estes contos maravilhosos. Sou gaúcho (de cidade), mas apaixonado por cavalos (tenho 02). E amo nossa cultura. Parabéns! E, por favor, me indique onde encontro mais obras de sua autoria. Um forte abraço!
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