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Os Bertussi:
Que linda é minha Terra

 

24/04/2012 00:10:19
O FINADO MALAQUIAS
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Mas, bah! Quantos interrogativos sem resposta se ouviu
entre as paredes carrasquentas das pulperias, bolichos e
bodegas, sob o cheiro da “querosena” dos lampiões e
de velas esparmacetes, e escapou entre as frestas
desmanchando-se em ecos perdidos pelos corredores
campo afora, sobre a existência do finado Malaquias.
Dele, do finado Malaquias, é claro, miles e miles de
conversas e prosas ecoaram também no além-fronteiras,
bem pra lá onde a fala troca de vocabulário e se enrola
num espanholismo abarbarado.

Por fim, como nunca se provou nada se ele existiu
mesmo, este perguntório deixou de ser cogitado nas
prosas de gente grande. Porém, a sua fama, os seus
feitos e desfeitos, os quatro ventos se encarregaram de
fazer correr pelos campos, varzedos e capões de mato,
que, por certo, devem guardar algum resto de conversa
sobre o tal, presa sob alguma aba de pedra ou ecoando
entre os aparados que se refrescam com a brisa do mar.

Mas contar dos feitos do finado Malaquias era uma
distração que tinha os seus méritos, pois dava ao
narrador uma sensação de ligação parentesca com
aquela legenda. Até a voz ficava impostada e adquiria
timbre de narrador de rodeio quando se falava no
finado. Dom Malaquias, que seria o tratamento
adequado e merecido para se referir ao tal, fazia parte
do exemplário de virtudes do homem de bem, valente
e honesto, por muitas vezes citado quando se desejava
definir a estampa de um taura de fato! O homem era
venerado com o temor de santidade, credenciais de
general miliciano e respeito de chefe caudilho. Era
São Jorge revoando a sua capa vermelha no céu e o
Malaquias revoando o seu pala franjado aqui na terra.

Porém, quando a conversa sobre o Malaquias
palmilhava caminhos eivados de caraguatás, espetando
a verdade, cutucando a paciência e arranhando a razão,
era certo que os ferros brancos já saíam faiscando das
bainhas. Daí, paredes e soalhos se coloreavam, por
causa dos assuntamentos com respostas mal havidas e
afirmativas descalçadas da verdade.

Tempo velho bueno em que a mentira era motivo
bastante para o vivente sentir o ardume do fio da
resbalosa. Aliás, como a indiada daqueles tempos
gostava de manter a lâmina engraxada com o sebo de
barrigueira de gente. Qualquer motivo era motivo,
muito mais uma mentira deslavada! Mas, mesmo
farejando a “mala suerte”, havia os afoitos que
se aventuravam a “queimar campo em dia de chuva”,
se vangloriando de feitos e fatos abissalmente
impossíveis da previdência permitir a certas criaturas
mundanas.

Mas... de que estamos falando mesmo? Ah... do finado
Malaquias. Pois saibam que pronunciar o nome do tal,
no interior de uma pulperia enfumaçada de fumo
macaio, de fazer olho de vidro se lavar em lágrimas, era
como o toque de silêncio vindo de um clarim dos
velhos regimentos, fazendo cessar aquela algaravia de
dar inveja à Torre de Babel. O silêncio alceava a perna
no sobre-lombo daquela cuerada, ninguém se mexia, a
não ser o queixo levantando espichado pra direção de
onde partia o nome do Malaquias, como se o ouvido
estivesse na ponta da carretilha, além de surgir
“pescoços de comício” pra tentar enxergar o
pronunciante.

_ Mas, o que é mesmo que tu tava assuntando do
finado Malaquias, vivente?

Eis uma pergunta mui simples e direta ao arguido. Na
resposta estava determinadoo seu futuro. Se a charla se
referia aos feitos do tal, era bem vinda. Aliás, mais um
relato que se marcava na tarca de histórias do finado.
Mas, como se disse no introito, havia aqueles que
gostavam de contar vantagens, uma imperfeição da
natureza humana, que age no oco do caco da cabeça
dos infelizes fazendo os fatos crescerem no fermento da
imaginação. Quer dizer... gente que não conseguia
salivar meia-dúzia de palavras sem contar uma
pabulagem. E há aqueles que mentem mais que cusco
surdo – e estes, não há corrigenda que os tire do brete
da perdição.

Mas, se o torunguenga vinha com engrólio, dizendo
que tinha cruzado com o Malaquias... pronto...
era mais uma talaveira que ia para debaixo da terra
levando preso na goela, os entrementes e o epílogo
de suas façanhas. Morria mesmo. Ninguém conheceu
e não poderia ainda estar vivo alguém que tenha
cruzado com o Malaquias, até por que esse fulano
tinha que ser taura dos bons para poder cheirar do
mesmo ar daquela legenda. E tinha muito aruá que
se enredava nas quartas querendo se fazer de
importante usando o nome do Malaquias e
terminava por emulitar-se pra dentro da terra.

Mas, continuemos, como dizia Honório Lemos. Certa
vez, um índio velho retacho quis engambelar a
chiruzada com cabelo nas ventas, contando proezas
havidas junto com o Malaquias e hoje, é desconhecida
 a sua última morada, pois nem cruz lhe deram.

O sujeito era daqueles cupinudo, meio amplo como
lombo de touro de exposição e quando
caminhava, fazia rangir as tábuas do piso, seguro que
não havia ninguém que lhe segurasse nos encontros.
Naquele dia, relatam os tabeliões orais, testemunhas
oculares e ouvintes gerais, que o vivente inspirava
respeito e seria mais fácil achar caveira de burro no
campo ao ver alguém se botar contra aquele gigante.
Índio velho montado na coragem, pra que esporas?

Tudo ia indo muito bem numa prosita talareada, até
que o timbre foi engrossando e o nome do finado
Malaquias foi despejado como se joga água da gamela
pela janela, nos ouvidos daquela homarada. Aquilo foi
um limpa-limpa de garganta, um coça-coça de pescoço
e a historinha se enveredando pra ladeira do coisa-feia,
querendo dar um “ôh de casa” pro síndico do inferno.
E nas linhas cavocadas do rosto daquela chiruzada
chucra que miravam o pernóstico narrador, se via o
suor querer descer em cascatas, o coração relojeando
acelerado no peito e o ouvido afinado para ouvir o que
não devia ser pronunciado. Quando um touro invade
uma lavoura de milho, o estrago vai além da cerca
derrubada e a “cosa” ficou encardida como peleia de
caudilho: foi dito o que não era pra ser falado! O tal
passou a rasgar o xergão, batendo o badalo do sino do
pé-de-peia, dizendo que tinha “tado” com o Malaquias,
lonqueado um costilhar no mesmo espeto, mateado no
mesmo porongo e ainda, pra arrematar o assunto, tinha
dividido o seu fumo “Georgina” com o finado. Aquilo
foi uma saraivada de copos aterrisando no balcão, nas
mesas e outros se espatifando nas tábuas do soalho.
Muito badalo e pouco sino, muita palha e pouco grão...
o destino tava marcado para o destemido. Pra encurtar
o relato... nem grito, nem bufo, nem gemido... só o
estouro do vivente se borqueando no soalho e a camisa
branca tingida de encarnado na altura da
sobre-chincha. Porissamente, só se permite relatos na
terceira pessoa sobre o finado Malaquias. Mas, cá pra
nós, ainda hoje ninguém achou o batistério do finado,
pra saber onde ele nasceu, de onde veio e...

_ Mas por que “finado”, Tio Salustiano?

-Ora guri... porque o “homi” já bateu com a alcatra nas
carquejas e foi sestear na invernada do invisível, senão
ele “taria” aqui pra desmentir todas estas histórias que
contam dele ou quem sabe, pra agrandar um pouquito
mais!

Mas, é sabido que nem cova, nem túmulo, e nem cruz
se achou com o nome do tal. Porém, o homem existiu.
O que se questiona é se realmente suas ventas
cheiraram o ar puro e perfumado das maçanilhas dos
campos celestiais ou se foi parido em alguma
várzea de campo neste velho Rio Grande.

Mas, vamos aos fatos, que não estão escriturados em
nenhum livro antigo emprateleirado nestas casas de
sebos, ou registrado em algum tabelionato interiorano
ou muito menos, apesar das crenças dos cristãos, nos
cartórios da Santa Sé. Mas por que deveria estar na
Santa Sé? Porque todo mundo está pra lá de
convencido que o fato das suas origens é bíblico e
deveria estar escrito em letra desenhada com pena de
ganso em pele de carneiro, e guardado lá na Santa Sé.
Um homem que tem fatos e feitos contados em
histórias que perpassam por eras que somam algumas
meias-centenas de anos, só pode ter origem do alto e
não mundana.

Diz-se que Deus na faina de criar o mundo, só ele e ele
– pra não dizer ele e Deus -ia muito bem, obrigado, até
que recolutou um lote de anjos para ajudar na limpeza
da oficina celestial. Nestas alturas, Adão já tinha sido
falquejado à sua semelhança e já conhecia o Paraíso,
curioso como só o bicho-homem pode ser, indo e vindo
sempre assobiando alguma coplita que ouviu de alguma
orquestra angelical. Numa destas, o instinto do
macaco-prego tomou conta do Adão e ele resolveu subir
num enorme ipê roxo para enxergar mais longe. Mas pra
que querer ver mais longe? E, ao agarrar-se num galho
fino, terminou por despencar ao solo, vindo a quebrar
uma costela. Foram uns dias difíceis para o Adão, que
caminhava meio lunanco, disfarçando a dor, sem dar
mostras da sua arte ao Criador. Como Deus viu que ele
andava meio quieto e com cara de enjoado, como cusco
que bebeu todo o soro da queijaria, e já não se via o
Adão assobiando mais como antes – claro, doía a
costela quebrada, resolveu o Criador a fazer uma
companheira para o vivente.

Mas, com a algazarra dos anjos ao seu derredor, que só
podiam ser anjos adolescentes, numa “discutição” de
quem é que tinha as asas mais traquejadas: ou a
mais bonita, ou a mais branca, ou a mais comprida,
Deus acabou se distraindo e tirou aquela costela
estragada de Adão, para criar a Eva. E foi aí que a
criação não prestou e o resto da história todo mundo
têm ciência: o casalzinho foi banido do Paraíso, por
causa de “cosas” que não convém relatar e nem culpar
ninguém (tentado, tentador e tentação... ninguém se
salva). E como castigo pela expulsão do Paraíso, Deus
criou o tempo, que vem ligeiro pra uns e devagar para
os outros.

Mas, aquela situação constrangedora de abrir o
cancelão do Paraíso e fazer o “casalzinho” sair tapado
de quero-quero pelo mundo não foi muito bem digerido
pelo Criador. Deus não estava nem um pouco contente
com o assucedido e fez nova tentativa.

Ao invés de pegar um barro mais livre de impurezas,
optou por pegar uma mãozada de barro mais bruto e
criou outro ser à sua semelhança, o qual batizou de
Malaquias.

Pois bem, daquele barro grosseiro saiu um índio velho
mui gaúcho e muito respeitador, tanto que, pra dar uma
volteada nas sesmarias celestiais, Malaquias não
amassava as macegas sem pedir licença pro
Patrão velho. Mais quieto que o primeiro, Deus
percebia que o coração do Malaquias parecia
ressequido como couro de sapo no lajeado, percebendo
que o tal sentia uma dorzinha daquelas que ainda não
havia remédio caseiro que tirasse. Então, Deus resolveu
criar uma companheira para o Malaquias e desta vez,
escolheu bem a costela. O nome da prenda, mui gaúcha
por sinal, ele deixou que o Malaquias escolhesse:
e ficou... Bibiana. Quem sabe não seja a Santa Bibiana,
cujo túmulo cresceu um jardim cujas folhas curavam
muitas doenças e dores dos homens. Mas isto, já é outra
história.

Voltemos aos fatos. Mas, logo que o índio velho viu a
prenda, percebeu que havia uma baita diferença entre
um e outro e se escondeu atrás de um pé de vassoura
moura, pra não ficar mostrando o badalo. E Deus dizia
pra ele... “venha prosear com a tua prenda, Malaquias!”
E nada. O vivente não saia de trás da moita e foi então
que Deus entendeu que tinha que dar uma vestimenta
pro homem, para esconder as ferramentas do lazer e
deu pra ele uma bombacha de favos, coisa mui
traquejada, deixando o Malaquias pra lá de contente.
E a primeira prosa dele com a Bibiana foi daquelas...
“mas que tempo loco, guria, tu assim em pêlo,
destapada, pode te dar uma pontada com esta aragem
medonha!” Deus que tudo observava entendeu o recado
e, então, fez um vestido de chita pra Bibiana. E tudo
ficou “nos conformes” e dentro do respeito.

E a coisa ia indo bem no paraíso, o Malaquias contente
como macaco avulso em roça de milho e a prenda
Bibiana com um sorriso pregado nos beiços. Era a
felicidade no tálamo celeste. Sem precisar fazer mais
cara de adoentado, Deus premiou o Malaquias
com um pingo daqueles de se lavar com um bochecho
d’água, e até um gadinho ele fez se aproximar deles, o
que permitiu tomar um leite gordo e até uns queijos se
pode fazer. E não foi muito tempo, Malaquias precisava
de uma diversão campeira e resolveu dar uma pealada
numa novilha. Não foi que a coitadinha quebrou o
pescoço e o jeito foi aproveitar a carne. Num já, a graxa
da costela já estava caindo na brasa. Ah, Malaquias...
Teria sido ele o inventor do churrasco? Mas,
denovamente, voltemos aos fatos.

Naquela de escutar as melodias dos anjos arpeando e
soprando trombetas, o Malaquias pediu uma audiência
com Deus e pediu se não podia criar um outro
instrumento que desse um bailado diferente naquelas
cantarolas. Não que não gostasse das músicas, mas que
davam uma vontade de ficar sesteando... isso dava.
Então Deus ficou a pensar em sons diferentes para
contentar o Malaquias e reuniu a passarada, mas
viu que não era o som que faltava. Nisso, um touro
berrou por ali e já uma novilha respondeu e Deus
gostou daquele bufo e montou uma dupla caixa de
ressonância pra fazer um som “pulmonar”, isto é, um
som forte como o mugido do gado, e a bexiga
daquela novilha que o Malaquias carneou, ele colocou
entre as duas caixas para movimentá-las e fazer o ar
cruzar no seu interior e... tava criada a gaita de fole,
indo parar logo nas munhecas do Malaquias para
aprovar ou não o instrumento. E adivinhem qual
foi o primeiro som que ele fez sair das entranhas
daquela babilônia? Num abre e fecha de fole, a baixaria
roncou e então, nasceu as primeiras notas do “bugio”.
Oigaletê!

De vez em quando o Malaquias meio que se
incomodava com Bibiana, que tinha mania de limpeza e
fazia ele levantar do cepo e bater o pelegão. E, com uma
vontade de ralhar, ele pediu pra Deus se ele podia criar
alguma coisa de serventia e que ele pudesse de vez em
quando, com todo o respeito, dar uma ralhada. Deus,
então, lhe deu um cusco, que lhe ajudava a vigiar o
rancho, buscar o seu pingo no pasto. Como pagamento,
o cusco ganhava as sobras de churrasco, um caracu para
chupar o tutano e depois roer, um tapinha na testa e, de
vez em quando, uma ralhadinha. Ora, cusco que se
preza tem que levar uma ralhada de seu dono, de vez
em quando, mesmo que seja no Paraíso.

Mas, vivendo na fartura, parecia que o vivente não
estava mui contente com todos estes tesouros e andava
testaviando de um lado para outro, meio abichornado.
Então, Deus lhe perguntou direto como goela de João
grande: “Que te falta criatura?” Pois o Malaquias ficou
bombeando longe e respondeu: “Papai do Céu, tudo
está mui doce e iluminado como mogango na panela de
ferro, mas de vez em quando me vem uma dor que não
dói, mas incomoda. Pode ser que a Bibiana se encante
com algum índio vago que passe por fora da cerca do
paraíso, pois tem uma gauderiada tafuleira que cruza ali
fora assobiando pra cá, pedindo água fresca e vai que
um dia desses ela inventa de levar água numa cambona
pra alguém lá na cerca e cai nas lábias de algum
pervertido e se vai embora. Meu cusco pode também
querer varar a cerca atraído por alguma sobra de
carneação ou alguma cadela corrida e ir-se embora,
também. Meu pingo, daqui a pouco já não poderei
montar e logo ele vai ficar aricungo. Vai ter uns dias
que não vou nem querer ouvir os anjos nas suas
sinfonias e nem vou querer pegar a gaita velha. Eu
preciso de um parceiro que me escute, sem eu falar e
que não me responda nada, mas fique comigo nestas
horas, como agora me sinto. Quem pode ser , Papai do
Céu?” Num já, Malaquias recebeu um porongo, uma
cuia e uma chaleira. “Vá ali naquela touceira e
arranque umas folhas, sapeque e moa no pilão. Depois
coloque no porongo e adicione água quente. Vá
sorvendo devagarito... acho que é o remédio certo pra
te curar estas dores que não doem, mas machucam!”.
E Malaquias ganhou o mate do Pai véio.

Mas, mesmo assim, Malaquias não tava contente. Então,
Deus lhe perguntou denovamente: “Que te falta,
criatura?” Malaquias então respondeu: “Papai do Céu,
preciso de movimento, preciso de física...” Então Deus
lhe disse: “Pois tenho um servicinho pra ti, depois da
cerca. Tá dando peleia ali no Rio Grande entre os
chimangos e maragatos. Vá lá e acabe com aquela
lambança!” Foi então que o Malaquias veio parar por
aqui, comandando um piquete de maragatos. Pelo que
se sabe, depois ele trouxe a Bibiana pra dar uma
volteada e foi ficando, foi ficando e acabou por se
aquerenciar por aqui mesmo. Logo, teve um lote de
filhos, muitos netos e bisnetos.

_ Inclusivelmente, guri, esta fazenda aqui, cujo nome
foi trocado para “Touro Manso”, é dos tempos do
finado Malaquias. Havia um touro muito feroz por estas
terras e a fazenda foi batizada pelo nome de
“Touro Bravo”. Foi só o finado Malaquias aparecer e
o touro parou de escavar os campos na sua brabeza e
se amansou nas unhas do homem. Daí, o jeito foi trocar
o nome para “Touro Manso”.

_ Como é que o senhor sabe disso, Tio Salustiano?

_ Ora guri, eu sou trineto do finado Malaquias, por
isso é que eu sei e tu não espalha esta conversa por aí,
senão não te conto mais histórias do finado Malaquias.
Tramela nos beiços, guri, porque ele também é teu
parente! Se tu mencionar que fui eu que te contei do
nosso parentesco, o sebo das nossas barrigas vai
engraxar a lâmina de algum guampa-torta que não
entende desse negócio de árvore genealógica. Ninguém
vai acreditar que somos parentes do finado Malaquias.
Então, bico calado, senão ninguém vai encontrar as
nossas tumbas pra colocar flores!

Finado Malaquias, que Deus o tenha no Céu e na
memória dos viventes, mas só exclusivamente... no
pensamento, senão a sorte malvada, como cabeça de
serigote, vai engraxar a faca de algum quebra-freio que
conhece a história desta legenda baguala.

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  Autor: Juarez Nunes da Silva
Causo enviado Por: Juarez Nunes da Silva - Caxias do Sul / RS
  Observações:

Conto premiado em 1º lugar no 44º Concurso Anual Literário de Caxias do Sul – 2010, na modalidade “Contos”.


 
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