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Jayme Caetano Braun:
Negrinho do Pastoreio

 

19/05/2008 22:03:49
A ORAÇÃO DO CAVALO!
 
O gaúcho tem apreço e zela por seu cavalo: parceiro de todas as lidas campeiras!
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Meu dono!

 

Dá-me, freqüentemente, água e comida, e ao término dos trabalhos uma cama macia, em lugar amplo, onde eu possa descansar comodamente e deitar, se assim eu desejar. 

   

Examina todos os dias os meus cascos e limpa o meu pêlo. Quando eu recusar a forragem, examina os meus dentes e a minha boca, porque pode ser que eu tenha algum problema que me impeça de comer.

 

Fala comigo, pois a tua voz é sempre mais eficaz e mais conveniente para mim do que o chicote, as rédeas e as esporas.

 

Acaricia-me, sempre, para que eu possa compreender-te, querer-te e servir-te da melhor maneira e de acordo com os teus desejos.

 

Não corte o meu rabo muito curto, privando-me do melhor meio que tenho para espantar as moscas e os insertos.

 

Não me batas violentamente e nem dês golpes violentos nas rédeas, pois se não obedeço, como queres, é porque eu devo estar com dificuldade de te compreender ou, talvez, porque estou mal encilhado, com o freio mal colocado, com alguma coisa nos meus pés ou no meu ombro a me causar dor.

 

E caso eu venha a me assustar, não deves bater-me sem saberes a causa disso, pois bem pode ser o defeito de minha vista, um simples papel voando ou um importante aviso para ti.

 

Não me obrigues a andar muito depressa em subidas, descidas, estradas empedradas ou escorregadias, pois isso poderá causar sérios danos nas minhas articulações.

 

Não permaneças montado em mim sem necessidade, pois prefiro marchar que ficar parado com uma sobrecarga sobre o meu dorso.

 

Quando eu cair, tenhas paciência para comigo e ajuda-me a levantar, pois faço o quanto posso para não cair e não te causar qualquer desgosto.

 

Se eu tropeçar, não deves por a culpa para mim, aumentando a minha dor e a impressão de perigo trazida por tuas chicotadas; isso só servirá para aumentar ainda mais o meu medo ou a minha má vontade.

 

Procura defender-me da tortura do freio, no trabalho; e quando eu esteja em descanso, especialmente no frio, cobre-me com uma manta ou com uma capa apropriada, para que eu possa aquecer-me.

 

Enfim, meu dono, quando a velhice me tornar inútil aos teus propósitos, não esqueças os serviços que a ti prestei; não deixe-me para morrer de dor e privações sob o jugo de um dono cruel ou nos varais de uma carroça; se não puderes manter-me ou mandar-me para o campo, mata-me com as tuas próprias mãos, sem fazer-me sofrer.


Eis tudo o que te peço, em nome Daquele que quis nascer em uma baia, minha morada, e não em um palácio, tua casa. Obrigado, dono meu!

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