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Leopoldo Rassier:
Pilchas, de Luiz Coronel e Airton Pimentel

 

28/05/2008 00:00:20
A ENCILHA TRADICIONAL DOS GAÚCHOS BRASILEIROS
 
Na cavalgada, na campereada, no esporte,
é o cavalo o parceiro dos Gaúchos Campeiros do Sul do Brasil!
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A ENCILHA TRADICIONAL DOS GAÚCHOS SUL-BRASILEIROS

 

 

O cavalo foi um parceiro do gaúcho nas lutas pela conquista e afirmação do território sul-rio-grandense.

 

 

 

 

 

 

 

 

E ainda hoje é o seu companheiro nas atividades pastoris; nas lidas de campo com o gado, ovelhas, cavalhada.

 

Então, se o cavalo tem sido um antigo auxiliar e um importante companheiro do sulista brasileiro; se nunca praticou nenhum ato de selvageria contra outros animais, por que, então, deixaria de ser reconhecido pelo Homem que o usa para o serviço e o lazer? Por que deixaria de ser, como animal de montaria, bem tratado, cuidado e respeitado por aquele que dele se utiliza para a locomoção, o esporte, a tração e até o comércio? Obviamente que não há motivos para que a raça humana cometa qualquer ato de violência contra o cavalo, incluído aí o maltrato decorrente das imprudências ou negligências daquele que é o responsável pelo seu bem estar.

 


A consciência, esta pode ser desenvolvida por intermédio do adequado conhecimento. E ao tratarmos da encilha do cavalo podemos compará-la ao ato de dirigir um automóvel, ou seja, antes da sua prática necessários se fazem alguns conhecimentos teóricos. Caso contrário, acidentes poderão acontecer diante da ausência do conhecimento mínimo exigido à execução da atividade fim. Assim, também, é com o ato de encilhar um cavalo. Antes de o mesmo ser praticado, é preciso que o encilhador conheça os pormenores, os detalhes dessa função e os problemas que poderão ser evitados com um diligente encilhamento e uma adequada desencilha.

 

Portanto, qualquer vivente – peão, prenda, jovem ou criança – há que estar, no ato de aprender a encilhar um cavalo, devidamente instruído no sentido de respeitar o animal de montaria, de nunca relaxar no arreamento e na desencilha, de ter a consciência de que a saúde física do cavalo está dependendo do seu cuidado como encilhador, no preparo do animal para a montaria.

 

 

Por isso, com o fim de se evitar a produção de mataduras, também conhecidas por basteiras – feridas no lombo do cavalo, proveniente do mau uso dos arreios – é que o ato de encilhar deve ser solene e artístico. Do contrário quem pagará com os eventuais desleixos do encilhador será o cavalo, o seu companheiro de passeio, salto, campereada, prova campeira, cavalgada; quem será inutilizado, s vezes por muito tempo, para as funções de cavalgadura do gaúcho, será o pingo amigo, em função falta de tato, de sensibilidade ou de conhecimento de quem o encilhou de forma indevida, incorreta, imperita.

ENCILHAR É UMA ARTE!

 

O recomendável é que cada animal tenha lombilho e freio próprios, adequados, diante da natural diversidade morfológica existente entre os diversos tipos de equinos, das diferenças físico-estruturais verificadas em cada cavalo; devido ao tamanho, raça, etc. Mas não sendo isso possível, um mesmo lombilho e um mesmo freio poderão ser usados em mais de um cavalo. Porém, neste caso há que se tomar certos cuidados ao colocar o arreio no lombo do beiçudo. Quanto ao freio, este também poderá estar causando dor ao animal, ou por eventual atrito na mucosa ou por algum contato com alguns dentes, o que causará, certamente, uma reação, uma impaciência por parte do cavalo.

 

 

Encilhar é uma arte! O arreamento de cada cavalo deve ser realizado de forma personalizada, especial, conforme a sua estrutura física. A encilha não deve estar restrita ao ato do encilhador de simplesmente ir jogando os arreios em cima do lombo do cavalo; ele exige muito mais do que isso.

 

 

Por consequência, aquele que encilha tem que ter a “mão boa” para o ato de arrear um cavalo. Há que atentar para todo o dorso do animal – parte superior – , percebendo-o, verificando, antes de começar o encilhamento propriamente dito, se não há mataduras, feridas decorrentes de um mau encilhamento anterior, ou outros ferimentos no lombo e nas cruzes.

 

O encilhador, ainda, tem que se preocupar com a correta colocação do xergão, certificando-se de que ele receberá todo o lombilho e não se deslocará da sua posição ideal de proteção do lombo do animal. Da mesma forma não poderá quem encilha apertar em demasia a cincha, pois isso afetará o conforto necessário daquele que sustentará o ginete no lombo.

 

E mesmo quem, por comodidade ou necessidade, manda encilhar um cavalo, tem a responsabilidade de conferir, fiscalizar e exigir a boa e adequada encilha de sua montaria.

 

 

Encilhar, portanto, não é jogar de qualquer jeito o arreamento no lombo do cavalo, mas, antes de tudo, conhecer a arte, a técnica e a forma mais segura de proteger a integridade física do animal.

 

 

Assim, é de se evitar a colocação da cincha no sovaco do cavalo e manter os estribos muito curtos, atitudes em nada condizentes com a Tradição Gaúcha Sul-brasileira. Estribos curtos, por exemplo, contribuirão não só para a má postura do gaúcho, quando montado, como também para lhe causar sérios problemas nos rins, provocando, ainda, feridas na região das cruzes do animal, parte compreendida entre o dorso e o pescoço.

A DESENCILHA

 

 

No ato de desencilhar o cavalo há que se ter o cuidado para nunca tirar o lombilho do dorso do animal de forma repentina. Após soltar a cincha, o vivente deve levantar um pouco o arreio – lombilho, carona e xergão -, com o fim de arejar a região do pelo do cavalo, retirando os apetrechos depois de refrescado o lombo do pingo.

 

 

A importância dessa conduta está em evitar derrames, nevralgias – dores no trajeto de um nervo e das suas ramificações, sem alteração aparente das partes doloridas , as mataduras – feridas no lombo – e enfermidades outras, que pelo efeito do choque térmico poderão vir a molestar o cavalo. Pode-se, ainda, rasquetear a região lombar com a rédea, no sentido contrário do pelo, para que este possa secar mais rapidamente, ou, no caso de estar muito suado o lombo do animal, jogar água e lavá-lo, uma vez que a salinidade encontrada no suor poderá trazer complicações ao couro do cavalo.

 

 

Uma falta de cuidado dessa natureza poderá fazer com que o cavalo se apresente nervoso, sem que, visualmente, nada se perceba. Contudo, muitas vezes essa será uma reação provocada por dores causadas pelas ações negligentes ou imprudentes de quem o encilhou ou o desencilhou.

 

 

Encilhar e desencilhar, portanto, são atos tão importantes que deveriam ser sempre realizados por aquele que deverá montar, a não ser que tais atos estejam ao encargo de uma pessoa de extrema confiança do ginete.

 

 

Assim, tudo deve ser feito no sentido de se evitar ferimentos no lombo do cavalo. E caso ele venha a ferir-se, necessário é que a sua saúde física se restabeleça completamente antes de ele retornar à função de montaria, o que dependendo do caso não impede de o animal realizar exercícios, como o trabalho de guia, por exemplo, mantendo-se exercitado.

 

 

O mais importante nos casos de ferimentos é que as causas dos mesmos sejam apontadas e os devidos ajustes na encilha providenciados, o que evitará a ocorrência de futuras mazelas.

 

 

E como parte da recuperação do cavalo com mataduras no lombo recomenda-se uma massagem com óleo de amêndoa, três vezes ao dia, ao redor da parte lesada. Isso irá provocar um fluxo de sangue no tecido em torno da ferida, provocando uma cicatrização de baixo para cima, evitando-se a criação de uma falsa casca, a qual novamente romper-se-ia no instante em que sofresse o primeiro atrito.

 


Como salienta Cavalier, pode haver o arreamento mais caro do mundo, mas nem o dinheiro poderá  substituir os benefícios de um correto aprendizado.

 

 

Observações Tradicionalistas Gaúchas Brasileiras:

1. Os Gaúchos Brasileiros devem primar pela encilha da Tradição Regional dos Campeiros do Pampa do Rio Grande do Sul, o Núcleo da Formação Gaúcha Sul-rio-grandense;

2. No Movimento Tradicionalista Gaúcho do Brasil, em atenção à Filosofia de Atuação Tradicionalista contida na sua Carta de Princípios, há de serem preservadas as coisas tradicionais do Estado do Rio Grande do Sul, dentre elas a peculiar maneira de o gaúcho sul-rio-grandense encilhar um cavalo;

3. Os atos de culto, zelo, defesa, preservação e correta divulgação das autênticas Tradições Regionais dos antigos Gaúchos Campeiros do Pampa Sul-brasileiro devem sempre respeitar sempre, os usos regionalista-tradicionais gaúchos sul-rio-grandenses relacionados à encilha da Tradição do Rio Grande, como a utlização de pelegos grandes, apetrechos de couro cru, evitando-se os componentes sintéticos e de cores fortes, a cincha no sovaco do animal, as importações dos mercados sem fronteiras, como selas, cordas, pratarias, peleguitos, enfeites, modismos, etc.

 

Fonte para consulta:

http://www.desempenho.esp.br/geral/get_geral.cfm?id=1121&sessao=2

 

Organização: José Itajaú Oleques Teixeira

BOMBACHA LARGA: na luta pela preservação das autênticas Tradições do Povo Gaúcho Sul-brasileiro!

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