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Jayme Caetano Braun:
Negrinho do Pastoreio

 

28/05/2008 00:17:04
OS APETRECHOS DA ENCILHA DOS GAÚCHOS DO RIO GRANDE!
 
Encilhar o pingo é uma arte praticada pelos Gaúchos Campeiros do Sul do Brasil!
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OS APETRECHOS DA ENCILHA DO RIO GRANDE!

 

 

 

Arreios – conjunto de peças com que se arreia, encilha, um cavalo para montar. São peças dos arreios:

 

 

Lombilho – é a peça principal dos arreios. É uma espécie de sela, muito parecida com o serigote;

Serigote – é uma espécie de lombilho, mas diferente na cabeça e nos bastos;

Basto ou Bastos – é um lombilho de cabeça muito pequena;

 

 

 

Bastos ou Basteiras – são as partes acolchoadas e paralelas do serigote ou lombilho, que assentam no lombo do cavalo;

Baixeiro, enxergão, xergão, xerga ou suadouro – tecido de lã, grosso, de forma retangular, que é colocado sobre o lombo do animal, por baixo dos arreios;

 

 

Carona – peça constituída de sola de couro, de forma retangular, geralmente composta de duas partes iguais, a qual é colocada por cima do baixeiro, ou xergão, e por baixo do lombilho, e cujas abas são mais compridas que as deste;

Cincha – peça que serve para firmar o lombilho ou o serigote sobre o lombo do animal. É composta de travessão – peça retangular de couro, com uma argola em cada extremidade, a qual é colocada sobre o lombilho, no local em que se senta o cavaleiro -, de barrigueira – uma espécie de trama de barbante ou tira de couro, com uma argola em cada extremidade, que presa ao travessão pelos látegos cinge o cavalo pelo lado da barriga -, de látego – parte da cincha, constituído de uma tira de couro cru devidamente sovada, com três ou quatro centímetros de largura e mais de um metro de comprimento, a qual, presa a uma das argolas do travessão o une à argola da barrigueira, para apertar os arreios no lado de montar, à esquerda do animal –, e de sobrelátego – tira de couro semelhante, que fica do lado de laçar, lado direito do cavalo;

 

 

Barrigueira

 

Pelego – é a pele de carneiro ou ovelha, com lã natural ou tingida de vermelho ou amarelo, de forma retangular, colocado - um ou mais - sobre os arreios, para tornar macio o assento do cavaleiro.

 

 

Coxonilho – tecido de lã, tinto geralmente de preto, que é colocado sobre os arreios, para cômodo do cavaleiro;

Badana – pelo macia e lavrada, que pode ou não se colocada na encilha, por cima dos pelegos ou do coxonilho, se houver; 

Sobrecincha – peça constituída de tira de couro ou sola, utilizada para apertar os pelegos ao lombilho;

Peitoral – peça colocada no peito do animal, presa à cabeça dianteira do lombilho;

Peiteira - é a tira de couro colocada no parelheiro (cavalo de corrida, preparado para as disputas de carreiras), fazendo as vezes do peitoral, na qual o corredor pode segurar-se durante a corrida; a peiteira é também chamada, comumente, de peitoral e vice-versa;

Rabicho – peça colocada por baixo da cola do animal, presa ao lombilho;

Freio – embocadura metálica presa às rédeas e inserida na boca do animal, servindo para dar-lhe a direção, diminuir ou parar-lhe o movimento;

 

 

 

Rédeas – longas tiras de couro, ligadas à embocadura, as quais permitem ao cavaleiro dirigir a montaria. Chama-se Cana de Rédea a tira de guasca (couro) de cada uma das rédeas, as quais podem ser trabalhadas, trançadas ou torcidas;

Cabeçada – peça do couro, que prendendo-se à cabeça do cavalo, passando por detrás das orelhas, serve para segurar-lhe o freio na boca;

Buçal – espécie de cabresto com focinheira, de couro, que é colocado na cabeça e no pescoço do cavalo;

Buçalete – é um pequeno bucal; um cabresto aperfeiçoado;

Cabresto – peça de couro que é apresilhada ao bucal ou buçalete, utilizada para pegar o cavalo, no pasto, ou para cabresteá-lo, puxá-lo;

Maneia – peça constituída de dois pedaços de couro ligados por uma argola, que serve para prender as patas do animal, ligando uma à outra, a fim de que o animal não possa fugir; cada um dos pedaços de couro formadores da maneia têm um furo em uma das extremidades e um botão na outra, envolvendo, como se fosse uma pulseira, a canela do animal maneado;

 

 

Mala de poncho – peça de couro, lona ou brim, em que se envolve o poncho enrolado, quando não está em uso, a fim de carregá-lo nos tentos, por trás da cabeça posterior do lombilho, descansando na garupa do animal;

Estribos – peças de metal com a forma de uma argola alongada, que servem para o cavaleiro firmar o pé, no momento de alçar a perna para montar (estribo esquerdo), e, depois, para firmar pés e pernas, quando montado, proporcionando o equilíbrio necessário, servindo, também, para sustentar-lhe o corpo no momento de bolear a perna, ao desmontar.

 

 

Observações:

 

1. Muitas vezes os arreios servem de cama para o gaúcho. Nos pousos, durante as viagens, os pelegos são usados como colchão, o lombilho como travesseiro, a capa, o poncho ou o pala como cobertor, e o chapéu como cobertura para o rosto. Ainda hoje, nas pescarias a cavalo, nas viagens a serviço ou em cavalgadas muito longas, assim procede o gaúcho ao acantonar para o repouso noturno.

 

 

2. Todo o gaúcho, especialmente o tradicionalista, deve atentar para a autenticidade do arreamento tradicional dos campeiros sul-rio-grandenses. O couro deverá prevalecer nas peças do arreio, evitando-se as de nylon, borracha, esponja, metal, cores fortes e quaisquer outros materiais que venham a ferir o Tradicional Jeito Gaúcho de Encilhar um Cavalo. Sabe-se que as selarias de hoje já estão mais "countries" e platinas do que gaúchas sul-rio-grandenses e representativas dos artigos de uso campeiro do gaúcho sul-brasileiro. Assim, as selas importadas e os apetrechos de outros materiais que não o couro devem ser evitados, em respeito à Tradição dos Gaúchos Campeiros do Pampa do Rio Grande do Sul.

OS CUIDADOS COM O CAVALO

 

Boca – a saúde do cavalo depende, também, do bom estado de seus dentes. Muitos animais, ao serem mantidos confinados, não mais praticam a mastigação no pasto. Desenvolvem, por isso, dentes maiores, mais altos, podendo formar pontas afiadas, que causarão lacerações nas bochechas e língua. Caso isso ocorra, essas pontas de dentes afiadas devem ser grosadas, limadas, evitando-se, assim, que ocorram cortes nas bochechas e língua, e a formação de feridas e úlceras extremamente dolorosas para o cavalo. Da mesma forma, os dentes molares podem, quando desalinhados, formar ganchos parecidos com anzóis, os quais, caso não corrigidos, poderão ficar muito alongados e penetrar no palato, no céu da boca do animal.

 

 

Com o fim de se evitar esses e outros problemas, o ideal é que sejam realizados no cavalo exames odontológicos periódicos, com profissionais especializados.

 

Já o freio, embocadura que possui o formato de uma letra ômega, é constituído de duas pernas, que funcionam como alavancas no seu funcionamento, oo qual se dá dessa forma: quando são puxadas as rédeas, para que o cavalo pare ou diminua a marcha, a embocadura – o freio - gira e encosta no céu da boca do cavalo, com maior ou menor pressão, de acordo com a força empreendida no ato do puxamento das rédeas. E essa ação do freio será tanto maior quanto forem os comprimentos das suas pernas - ou bocal -, tornando-o cada vez mais severo, sendo essa condição também conhecida por “freio pesado”. Portanto, deve-se evitar ao máximo os sofrenaços – puxões fortes nas rédeas para fazer o cavalo parar ou diminuir a marcha.

 

 

Cascos – As bases da sustentação do cavalo são seus cascos, por isso eles devem estar em condições plenas de permitir ao animal o bom desempenho da sua função, como transportador do Homem. Dessa forma, a aparação dos cascos, da ranilha e o ferrageamento correto são importantíssimos na manutenção da saúde do cavalo, devendo ser executados, de preferência, por profissionais capacitados da área.

 

 

Conselhos:

 

1 - Respeites a condição anatômica ideal do teu cavalo;

2 - Conheças o ângulo da paleta e procures aparar o casco monitorando o serviço com um gabarito angulador de casco;

3 - Desconfies do profissional que diz ter olho clínico e que não apresenta maiores conhecimentos de sustentação e locomoção;

4 - O erro de apenas 1 grau representa muitos quilos a mais nos tendões flexores do teu cavalo;

5 - O cuidado consciente da aparação e do ferrageamento aumenta a performance do animal e diminui o risco de afecções;

6 - Devolvas, sempre, o verniz raspado pelas ferramentas de aparação. Use o Cascotônico que devolve o verniz, tem ação lubrificante, bactericida, incentivadora do crescimento e de renovação da matéria córnea do casco e ranilha;

7 - Escolhas as ferraduras e cravos que atendam às necessidades do cavalo, obtidas por uma aparação adequada dos cascos.

 

Fonte para consulta:

http://www.toledohorse.com.br/portugues/jornal/36.html

 

Organização: José Itajaú Oleques Teixeira

BOMBACHA LARGA: na luta pela preservação das autênticas Tradições do Povo Gaúcho Sul-brasileiro!

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