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Manoel Camaquã:
Hino Tradicionalista, de Barbosa Lessa

 

18/07/2009 15:31:15
MANUAL DO CASAMENTO TRADICIONALISTA GAÚCHO
 
Casamento Tradicionalista Gaúcho:
União Afetiva formalizada conforme a Tradição
dos Gaúchos Campeiros do Rio Grande do Sul!
............................................................................


MANUAL DO CASAMENTO TRADICIONALISTA GAÚCHO

 

I. INTRODUÇÃO

1.1 Da Finalidade

1.2 Do Objetivo

1.3 Das Vantagens

 

II. DESENVOLVIMENTO

2.1 Atos Preparatórios

2.2 Indumentária

2.3 Música Gauchesca Tradicional

2.4 Dos Convites

2.5 Da Culinária Gaúcha

2.6 Do Cerimonial

 

III. CONCLUSÃO

 

 

 

I. INTRODUÇÃO 

Os gaúchos brasileiros, especialmente os Tradicionalistas, preocupam-se em valorizar e preservar suas Tradições Regionais oriundas dos habitantes do interior pampeiro do Estado do Rio Grande do Sul.

Por isso, em que pesem as vãs tentativas de uma fusão mercosurista – cultural-comercialista sul-americana - e o merchandising das importações trazidas ao Povo Gaúcho Brasileiro, especialmente nas novelas televisivas, induzindo-o às pretensões comerciais de uma sociedade falsamente globalizada, a esses interesses não se submetem os defensores do rico Patrimônio Sociológico-tradicional Gaúcho Sul-brasileiro, cuja Herança Cultural pertencente ao Estado do Rio Grande do Sul, ao Povo Sul-rio-grandense, ao Brasil e a todo o Povo Brasileiro.

É por esses motivos que muitos Nubentes Tradicionalistas Gaúchos decidem contrair Matrimônio utilizando-se do Casamento Tradicionalista Gaúcho, cultuando, preservando e divulgando as autênticas Tradições Regionais dos Gaúchos Sulistas Brasileiros, evitando, dessa forma, o esquecimento das raízes e das origens da Tradição dos Gaúchos Campeiros do Pampa do Rio Grande do Sul.

1.1 Finalidade do Manual do Casamento Tradicionalista Gaúcho

O fim do presente Manual é o de fornecer subsídios aos Tradicionalistas Gaúchos que venham a optar por um Enlace Matrimonial baseado no estilo dos antigos casamentos realizados pelos Gaúchos Campeiros Sul-rio-grandenses, celebrados com a tradicional simplicidade, a utilização da indumentária regionalista-tradicional - a Pilcha Gaúcha Oficial e de Honra do Rio Grande do Sul -, a Música Regionalista-tradicional Gaúcha Sul-rio-grandense e os demais usos e costumes tradicionais pertencentes aos antigos habitantes interioranos da região do Pampa Sul-brasileiro. 

1.2 Objetivo do Manual do Casamento Tradicionalista Gaúcho

É objetivo do presente Manual do Casamento Tradicionalista Gaúcho é resgatar, zelar, valorizar, cultuar, preservar e adequadamente divulgar as autênticas Tradições Regionais do Povo Gaúcho Sul-rio-grandense, com a aplicação de seus aspectos sociológicos, regionalistas e tradicionais à União Matrimonial dos Nubentes Tradicionalistas Gaúchos Brasileiros, no âmbito específico da Igreja Católica Apostólica Romana do Brasil, com a respectiva simplicidade e a desejável originalidade alusivas à Tradição Regional dos Gaúchos Campeiros do Pampa do Rio Grande do Sul. 

1.3 Vantagens do Casamento Tradicionalista Gaúcho

As vantagens de um Casório Gauchesco, frente às importações alienígenas, são muitas. E a maior delas refere-se à economia de recursos financeiros. Se por um lado o Casamento Tradicionalista Gaúcho reveste-se de grande importância para o culto, a preservação, a divulgação e a valorização do Jeito Gaúcho Sul-brasileiro de Viver, por outro o seu custo é infinitamente menor que o das cerimônias normais.

Como exemplo, podemos citar o caso em que os noivos poderão conseguir, a título gratuito, um galpão de CTG para o cerimonial e a festa; ou o em que os padrinhos, parentes e amigos arcam com esse tipo de despesa; ou aquele em que a carne para o churrasco e os demais itens da culinária gaúcha sul-rio-grandense são decorrentes de doações e o conjunto musical composto por amigos ou remunerado mediante a cotização de padrinhos e amigos.

Enfim, além da valorização da Cultura Regionalista-tradicional do Povo Gaúcho Sul-rio-grandense, um Casamento Tradicionalista permite ao casal de nubentes gaúchos uma economia financeira que poderá reverter na aquisição ou no complemento de utensílios para o lar, ou na concretização de uma Lua de Mel mais próxima dos sonhos dos recém-casados. 

II. DESENVOLVIMENTO 

A evolução da sociedade contemporânea está relacionada, também, ao consumismo exacerbado, resultante de um modelo econômico centrado no capitalismo selvagem e suas estritas ideologias de mercado.

Nesse contexto, a instituição do Casamento, como tantas outras, rendeu-se aos devaneios próprios desse incentivado e supérfluo consumismo e dos interesses globalizados de uma economia voltada para uma quase sempre aética exploração econômico-financeira daqueles que desejam formalizar um Vínculo Matrimonial, impingindo-lhes as sofisticadas e caras importações que envolvem esse lucrativo e festejado ramo de negócios.

Mas, apesar de tudo isso, aquilo que é tradicional de uma região, de um estado ou de um país deverá ser revivido, cultuado, preservado e divulgado com ações práticas e efetivas, como forma de se manter preservada as respectivas e nativas Diversidades Culturais e Identidades Regionais, direitos estes assegurados a todos os povos do mundo.

Assim, ao escolherem os noivos a celebração do Casamento Tradicionalista Gaúcho, para a formalização de seu vínculo afetivo, amoroso, de vida conjugal, estão eles, com esse gesto, honrando os antepassados gaúchos do Pampa do Rio Grande do Sul e enaltecendo as boas coisas deles herdadas, como a hospitalidade, a moralidade, os bons costumes vivenciados pelas famílias interioranas da região Sul do Brasil; a dignidade pessoal, os sentimentos de regionalismo, telurismo e amor à Pátria; a preservação dos antigos e tradicionais usos e costumes gaúchos sul-rio-grandenses; enfim, a História e a autêntica Tradição Regional do Estado e do Povo Gaúcho do Rio Grande do Sul.

2.1 Dos Atos Preparatórios

O Casamento Tradicionalista Gaúcho, por estar lastreado na Tradição Regional dos Gaúchos Campeiros do Sul do Brasil, nos antigos usos e costumes preservados e recebidos dos antepassados do interior pampeiro do Estado do Rio Grande do Sul, deve primar pela autenticidade tradicional e pela originalidade regionalista sul-rio-grandense, evitando todos os atos que possam desvirtuar a peculiar simplicidade dos interioranos da região do Pampa do Estado Garrão-sul Brasileiro.

No entanto, no desenvolvimento de um Casório Tradicionalista Gaúcho é de ser garantida alguma liberdade quanto a determinadas pretensões pessoais dos Nubentes Tradicionalistas. Mas, este direito há de se dar de modo que aquela recomendada autenticidade venha a ser sempre preservada, respeitada, sob pena de a cerimônia ficar contaminada por um não recomendável e incoerente artificialismo, fundado nos modismos urbanos, nas invencionices e nas importações comerciais sem fronteiras.

Assim, tratando-se de um Casamento Gaúcho Tradicionalista há de o mesmo estar de acordo com a Filosofia de Atuação do Movimento Tradicionalista Gaúcho Brasileiro organizado, decorrente da sua Carta de Princípios e das suas Diretrizes Culturais orientadoras do uso regionalista, tradicional e sociologicamente correto da Pilcha Gaúcha Oficial e de Honra do Rio Grande do Sul, da adequada execução da verdadeira Música Regionalista-tradicional Gaúcha do Estado Sulino, com seus conteúdos morais, ritmos e compassos musicais pertinentes; da culinária regionalista-tradicional gaúcha sul-rio-grandense e seus acompanhamentos; e os demais aspectos da Tradição dos Gaúchos Campeiros do Pampa do Rio Grande do Sul, previstos nos documentos do Tradicionalismo e fundados no Patrimônio Sociológico-tradicional Gaúcho Sul-rio-grandense, registrado nas pesquisas folclóricas e contemplado na vasta bibliografia sul-brasileira.  

 

2.2 Da indumentária Gaúcha Tradicional do Rio Grande

A indumentária a ser usada pelos Nubentes Tradicionalistas Gaúchos, padrinhos e convidados é aquela prevista na Lei Estadual do RS Nº 8.813, de 10 de janeiro de 1989, denominada Pilcha Gaúcha, e oficializada como o Traje de Honra e de uso preferencial no Estado do Rio Grande do Sul, para ambos os sexos.

É de se observar, com base na referida lei, que a Pilcha Gaúcha Brasileira somente pode ser assim considerada quando reproduzir com autenticidade e elegância a sobriedade da Indumentária Histórica do Estado do Rio Grande do Sul, em vigor desde o final do século XIX (de 1870 até os dias atuais), conforme as Diretrizes Culturais traçadas pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho Brasileiro organizado.

Portanto, se a própria lei autoriza que a atual Pilcha Gaúcha Sul-rio-grandense pode substituir o traje convencional em todos os atos oficiais públicos ou privados realizados no Rio Grande do Sul, naturalmente que no Casamento Tradicionalista Gaúcho é ela, a Pilcha dos Gaúchos Campeiros do Rio Grande, a que deve ser usada pelos noivos e demais participantes da Cerimônia Matrimonial Tradicionalista Gaúcha.

Assim, o noivo deve estar trajado com a Pilcha Gaúcha Sul-rio-grandense Masculina, nos termos das Diretrizes para o seu uso, regulamentadas pelo MTG do Rio Grande do Sul.

Por consequência, estará ele vestido com a bombacha, na largura compatível com a histórica peça tradicional dos gaúchos sul-rio-grandenses, prevista na respectiva norma tradicionalista; com a camisa de cor clara e mangas longas, o colete da mesma cor da bombacha e no estilo tradicional das antigas fatiotas, o casaco, a guaiaca - e não a rastra platina ou a cinta urbana, que não são da Tradição dos Gaúchos do Rio Grande do Sul; com o lenço de pescoço no comprimento e nas cores tradicionais sul-rio-grandenses, atado com um dos nós tradicionais do Estado e exposto por sobre a camisa; com botas de cano alto, nas cores preta ou marrom, desde a pinhão até a baia, e jamais na cor branca.

A noiva, por seu lado, deve estar trajada com a indumentária típica e tradicional da mulher gaúcha do interior do Rio Grande do Sul, em vigor desde a formação do território do Estado e de suas Tradições Campesinas: o Vestido de Prenda.

A Picha Gaúcha Sul-rio-grandense Feminina pode ostentar a cor branca ou as cores amenas, como a rosa, a azul, a verde e a amarela, em tons fracos. E diante da simplicidade tradicional das campeiras sulistas do Brasil, não se recomenda o uso das grinaldas longas, compridas, arrastando pelo solo. Afinal, o Casamento Tradicionalista Gaúcho deve seguir os usos e os costumes regionais dos interioranos do Pampa Sul-rio-grandense, observando-se o Jeito Comedido de Ser dos campeiros do Sul do Brasil.

É de se concluir, então, que diante das referidas Diretrizes do MTG/RS para o Uso da Pilcha Gaúcha Oficial e de Honra do Estado Sulino (http://www.bombachalarga.org/ver_educacao.php?id=7), por não fazer parte da Tradição do Rio Grande do Sul não devem ser usados no Casamento Tradicionalista Gaúcho os estilos e as modas dos crioulista-mercosuristas (comerciantes de cavalos), dos comercial-nativistas e tchesista-urbanos (do mercado musical), e dos country-texa-sertanejos (do mercado de rodeos texanos), e suas respectivas indumentárias, como as calças justas, as botas curtas, as cintas e rastras, os coletes texanos, lenços de pescoço estampados, pretos, virados, escondidos, e os chapéus claros, chaparral, copa alta, abra frontal caída e as laterias levantadas; as boinas coloridas importadas e as cores fortes, contrastantes, berrantes pretas nas camisas da Pilcha Gaúcha Sul-rio-grandense Masculina, dentre outros modismos comerciais dos citados mercados.  

2.3 Da Música Regionalista Gaúcha Tradicional do Rio Grande

Em se tratando de um Casamento Gaúcho Tradicionalista, naturalmente que a música a ser executada deve ser a Regionalista-tradicional Gaúcha do Rio Grande do Sul, com conteúdo moral, ritmo e compasso representativo da Tradição oriunda dos antigos Gaúchos do Interior do Pampa Sul-rio-grandense.

Portanto, deve-se evitar, seja na cerimônia seja nas comemorações festivas, realizadas na Domingueira ou no Fandango Tradicionalista Gaúcho, a execução da Tchê Music, do  Maxixe, da Música Sertaneja, Country e outras com ritmos, compassos musicais e conteúdos de duplo sentido que afrontam a moral e os bons costumes da Tradição Gaúcha dos Campeiros do Rio Grande do Sul.

Da mesma forma, os grupos musicais e os artistas devem estar adequadamente pilchados com verdadeiros gaúchos sul-brasileiros, de acordo com a Indumentária Tradicional e Oficial dos Gaúchos Sul-rio-grandenses, ou seja, sem cores pretas, sem boinas coloridas e sem chapéus brancos, chaparral, texanos; sem cintas urbanas e rastras platinas; sem lenços estampados e pretos dos gauchos da Argentina e do Uruguai; sem bombachas estreitas e camisas pretas, vermelhas, azulão, verdão, amarelão e outras cores fortes; sem chiripá, bombacha feminina e armas brancas, como facas e adagas; sem interpretação musical melosa e incompatível com o Jeito Tradicional de Cantar dos Gaúchos Campeiros do Rio Grande do Sul. 

2.4 Da Culinária Tradicional Gaúcha Sul-rio-grandense

Para que um Enlace Matrimonial possa configurar-se como um genuíno Casamento Tradicionalista Gaúcho é necessário que a autenticidade regionalista-tradicional dos Gaúchos Campeiros do Pampa do Rio Grande do Sul estenda-se para além da típica e verdadeira Pilcha Gaúcha Sul-rio-grandense, da Música Regionalista-tradicional Gaúcha e do vocabulário próprio da região pampeira do Estado Garrão-sul do Brasil.

A culinária a ser utilizada em um Casamento Tradicionalista Gaúcho Brasileiro há de ser a mais condizente possível com aquela dos Pampeiros do Rio Grande do Sul.

Dessa forma, não devem fazer parte de um Casório Gauchesco iguarias importadas, pratos sofisticados e estranhos à vivência campeira dos habitantes do interior do Pampa Sul-rio-grandense, assim como bebidas incompatíveis com o antigo e tradicional ambiente campesino dos antepassados gaúchos sul-brasileiros.

Por isso, um churrasco para muitas pessoas – seja de carne bovina ou de ovelha -, em virtude da praticidade do ato, deve ser assado em uma vala aberta no chão ou nos braseiros de um fogo de chão, da forma como se davam os casamentos dos Gaúchos Campeiros do Pampa do Rio Grande do Sul. Com o braseiro formado por um fogo de lenha e os espetos de pau – guajuvira ou outra madeira apropriada -, cravados no chão, ao longo da valeta ou ao lado do Fogão Gaúcho Sul-rio-grandense, o típico churrasco gaúcho do Rio Grande do Sul é assado em menor tempo e servido conforme a Tradição Gaúcha Brasileira; para os que recusam a mesa no próprio espeto cravado no chão, onde cada um corta o seu próprio naco de carne, para os que estão à mesa, de prato em prato, cortado de acordo com a preferência de cada um dos convidados.

Se o churrasco for para um número pequeno de participantes, o mesmo pode ser assado em um fogo de chão, com os espetos igualmente cravados na terra, lembrando-se que nesse sistema tradicional o tempo necessário para o seu preparo será relativamente maior, levando-se em consideração o vento e a qualidade da madeira de seu consequente braseiro.

Quanto aos acompanhamentos, estes devem ficar restritos aos pratos regionalista-tradicionais gaúchos sul-rio-grandenses, podendo abranger o arroz-de-carreteiro, o arroz branco, o feijão temperado com banha ou toucinho de porco, a farinha de mandioca, o pão, preferencialmente o caseiro; as saladas de batata com maionese, evitando-se as caseiras e suas possíveis consequências nocivas decorrentes de eventuais salmonelas; as saladas verdes e de cebola com tomate, o vinagrete; a mandioca, a batata-doce, a abóbora; os sucos naturais de uva, laranja e outras frutas regionais; os vinhos sul-rio-grandenses, evitando-se as bebidas consideradas urbanas e não condizentes com os usos e costumes tradicionais do interior do Estado; os doces de figo, pêssego, laranja, abóbora, arroz-com-leite, sagu de vinho, ambrosia e outros doces regionais, como sobremesa.

2.5 Dos Convites

No ato de convidar parentes e amigos para o Casamento Tradicionalista Gaúcho é interessante que os noivos o façam de forma a deixar claro a todos o tipo de cerimônia que será desenvolvida, esclarecendo aos convidados qual a indumentária preferencial para o ato. Isso poderá ser feito por meio de convites especialmente confeccionados para o Casório Tradicionalista, inclusive com ilustrações e expressões gauchescas apropriadas, fazendo neles constar as informações relativas ao estilo gaúcho tradicional a ser desenvolvido na cerimônia.  

 

2.6 Do Cerimonial do Casamento Tradicionalista Gaúcho

A cerimônia do Casamento Tradicionalista Gaúcho realizar-se-á conforme a decisão dos noivos e, principalmente, a anuência do pároco local, podendo o mesmo se dar na forma de missa ou de uma solenidade específica para o ato, nos termos do modelo apresentado neste manual.

Se o padre concordar ele poderá estar adequadamente pilchado, da mesma forma que os noivos e os convidados. Ou, no caso de o vigário não se dispor a usar a típica Pilcha Gaúcha Sul-rio-grandense, então ele poderá portar um pala por cima da batina. No Casamento Tradicionalista Gaúcho é importante que o sacerdote também esteja tipicamente caracterizado, para o desenvolvimento dessa cerimônia gauchesca.

E tanto o padre como os padrinhos e convidados, também os noivos, separadamente, poderão chegar ao recinto da cerimônia montados a cavalo ou conduzidos por charretes, carroças, carretas, com o cuidado de estas estarem decoradas com parcimônia, evitando-se os exageros que prejudicam a recomendável originalidade e a devida simplicidade gauchesca tradicional dos Campeiros do Sul do Brasil. O ideal, no entanto, é que o noivo chegue a cavalo, podendo ser acompanhado de parentes, e a noiva em uma charrete, acompanhada de alguns  familiares próximos. Deve ser evitar, no entanto, os veículos com pneus, pois estes não representam a antiga Tradição dos Gaíuchos Campeiros do Sul do Brasil.

Os págens - o casal de crianças que entra à frente da noiva, no ato da cerimônia - deverão estar adequadamente pilchados conforme as regras do Tradicionalismo Gaúcho Brasileiro.

Quanto ao modo de celebração do Casório Tradicionalista Gaúcho, caso este venha a ser executado por um padre tradicionalista, poderá desenvolve-se conforme a experiência do próprio vigário.

Contudo, para os casos em que uma cerimônia gauchesca venha a ser ministrada por um religioso sem os conhecimentos necessários da Tradição Gaúcha Brasileira, do vocabulário gauchesco tradicional e das peculiaridades regionalistas do Povo Gaúcho Sul-rio-grandense, então, para estes casos segue abaixo um modelo de Cerimonial para o Casamento Tradicionalista Gaúcho, de autoria do Padre Eduardo, de Canoas-RS, gentilmente encaminhado pelo prezado colaborador do sítio Bombacha Larga Flávio Rasia Filho, com algumas pequenas modificações promovidas por este Espaço Cultural Tradicionalista Gaúcho, a ser adotado, total ou parcialmente, segundo os critérios pessoais dos nubentes e do sacerdote celebrante da cerimônia. 

MODELO DE CERIMONIAL PARA O CASAMENTO TRADICIONALISTA GAÚCHO BRASILEIRO 

PRIMEIRA PARTE

 A LITURGIA DA PALAVRA

 

 

 

1-   CANTO PARA A ENTRADA DOS NUBENTES GAÚCHOS - executado, preferencialmente, no ritmo tradicional do Bugio, de forma lenta e marcada:

Entre as grandezas do Pago,
a jóia de mais valor,
o maior dos sentimentos
que nos deu nosso Senhor,
a grande obra divina
foi ter inventado o Amor.

Estribilho:
O laço do amor prenderá
coração a coração,
no Casamento Gaúcho
desta prenda e deste peão.


Um coração que não ama,
resseca que nem torresmo;
um coração sem amor
faz andar um peão a esmo;
mas no amor de uma prenda
o amor do Patrão é o mesmo!

Lá na Invernada Celeste
não há força mais potente;
o amor não tem fronteiras,
para todos está presente;
é força que palanqueia
o coração de um Vivente!

Só o amor tudo resolve,
na vida de um sofredor;
só ele nos faz irmãos
em Cristo, nosso Pastor;
para salvar nosso Pago
o Patrão nos deu o amor!
  

 

 

2.  ACOLHIDA

PADRE:         

Meus Patrícios, que o Patrão Celestial, o Divino Tropeiro Jesus e o Espírito Santo Vaqueano estejam conosco!

POVO:          

E no coração dos noivos gaúchos!

PADRE:         

O processo canônico declarou que os noivos estão habilitados a casarem pela Igreja. Os Senhores aqui presentes, estão de acordo com este Casamento Tradicionalista Gaúcho?

POVO:         

Estamos perfeitamente de acordo e prometemos todo o apoio ao novo casal gaúcho, para que peão e prenda sejam felizes para sempre!

3. ORAÇÃO

PADRE:         

Querido Patrão Celestial, criastes o peão e a prenda para que fossem uma só carne. Fazei, Patrão, com que FULANO DE TAL e CICRANA DE TAL, acolherados neste Matrimônio Gaúcho, jamais arrebentem os  tentos do amor que os une!

POVO:          

Que a Sagrada Família de Nazaré os guarde na paz, no respeito e na fé!

4. PRIMEIRA LEITURA DA BÍBLIA

PADRE:       

Vamos proceder a leitura do Chasque Sagrado, redigido pelo taura Moisés, no primeiro Caderno do nosso Livro de Cabeceira, a Bíblia Sagrada:

LEITOR:      

O Patrão Velho Celestial assim falou: não é bom que o peão esteja solito; necessita de uma companheira, semelhante a ele próprio. Foi, então, que o Patrão Santo fez a Prenda. Ao recebê-la, Adão ficou tão faceiro que recitou o seu primeiro poema de amor:

Prenda, tu és osso dos meus ossos; tu és carne da minha carne; tu te chamarás EVA, porque és feita do mesmo barro.

O Patrão Celestial abençoou ADÃO e EVA, dizendo: crescei e multiplicai-vos!  ( Gênesis, 1.27 e 2. 18-25)

Palavra do Patrão Celestial!

POVO  (em tom de declamação):

Graças ao Patrão Celestial,
por ouvirmos esta palavra divina
redigida pelo taura Moisés,
e que tanta verdade ensina!

5.  SEGUNDA LEITURA : O  EVANGELHO

PADRE:         

Aqui, entre nós, está o Patrão Onipotente...

POVO:          

... e que conosco permaneça, eternamente!

PADRE:         

Pelo Sinal da Cruz, leio o Chasque de Deus...

POVO:          

Glorificamos o Divino Tropeiro Jesus Cristo e o Patrão da Invernada Celeste!

PADRE:         

Evangelho do Divino Tropeiro Jesus Cristo, narrado pelo Peão da Campereada Sagrada, São Mateus:

POVO :         

Leia, Peão Consagrado, que escutaremos este Chasque de Deus:

PADRE:         

Mateus 19, 3-6:

Naquele tempo de antanho, uns fariseus mal encarados foram lascar ao Divino Tropeiro Jesus Cristo, nestes termos: - chê, Mestre, é certo um peão mandar a lá cria do seu rancho a Prenda com a qual casou? Ou se apartar dela, para sempre?

O Divino Tropeiro, estribado na verdade, e já respondendo na bucha, disse: - “Bueno, chê! O casal é uma só carne! Te digo, ainda, chê, que já não são mais dois, e, sim, um só, pois foram unidos pelo Patrão Celestial e nenhum quera tem o direito de apartar o que o Patrão Velho da Alturas uniu!".

Irmãos em Cristo, o Divino Tropeiro Jesus, esta é para nós a Charla da Salvação!

POVO:          

Louvamos-te, por tudo isto, ó Tropeiro e Eterno Jesus Cristo!  

6. SERMÃO:  a critério do sacerdote celebrante, com a utilização do vocabulário regionalista gaúcho do Pampa Sul-rio-grandense.

SEGUNDA PARTE

 LITURGIA  SACRAMENTAL

1. Interrogatório - O Padre pergunta aos Nubentes, em tom de declamação:

PADRE:         
Casamento, pra ser válido,
tem que haver a liberdade!
Vocês dois querem casar,
por espontânea vontade?


NOIVOS:       
Sim, Padre! Sinceramente,
nós casamos livremente!


PADRE:         
O Casamento Católico
é indissolúvel! Repare:
vocês dois querem casar,
até que a morte os separe?


NOIVOS:       
Sim! Diante das testemunhas
e da nossa consciência,
juramos fidelidade
por toda a nossa existência!


PADRE:        
Gaúcho, eu te pergunto:
aceitas esta menina (ou: aceitas esta china)

por tua única esposa,
de acordo com a Lei Divina?


NOIVO:         
Sim! Esta Prenda eu aceito,
com todo o amor do meu peito!


PADRE:         
Prendinha (ou: Prenda), eu te pergunto:
realmente tu desejas
por marido este Gaúcho,
de acordo com as leis da Igreja?


NOIVA: 
    
    
Realmente, eu o quero, sim!
Serei dele até o fim!


2. Ratificação - os Noivos de mãos dadas:

NOIVO:         
Diante do Patrão Celestial,
te recebo por minha esposa querida,
na alegria e na tristeza
ser-te-ei fiel por toda a vida!


NOIVA:        
Eu te recebo, também,
por meu único marido;
na doença e na saúde
serás meu amor, querido!


PADRE:         
Confirmo, em nome da Igreja,
este amor que vocês têm;
em nome do Pai, do Filho
e do Espírito Santo. Amém!

Eu vos declaro casados,
pelo Santo Sacramento;
Deus vos ajude a guardar,
pra sempre este juramento!


POVO:          
Parabéns! Nós desejamos
profunda felicidade!
Que o novo casal se integre
em nossa comunidade!


1. 3. Alianças        

PADRE:         
Abençoo estas alianças,
em nome do Deus de Amor;
mostrem por fora o carinho
que o casal tem no interior.


PADRE - enquanto o noivo coloca a aliança na noiva:
Recebas do teu marido
esta aliança abençoada,
com respeito e dignidade
seja sempre carregada!


PADRE - enquanto a noiva coloca a aliança no noivo:

Recebas da tua esposa
este símbolo abençoado,
honrando por toda a parte
o teu dever de casado!


4. CANTO DAS ALIANÇAS - executado, preferencialmente, no ritmo tradicional do Xote Gaúcho Sul-rio-grandense, de forma lenta e marcada:


Recebes a aliança, prendinha;
recebes a aliança, peão:
sinal externo do amor
que tendes no coração!


Estribilho:
Aliança na mão esquerda,
argola de ouro ou prata,
é o nó sagrado do amor
que nem o tempo desata!


Respeites a aliança no dedo,
guardando no coração
o Sagrado Juramento
do Matrimônio Cristão!

Entre Marido e Mulher,
que esse símbolo sempre seja;
a mesma Aliança do Amor
que Cristo fez com sua Igreja!


TERCEIRA PARTE

 LITURGIA COMPLEMENTAR

1. Orações dos Fiéis - os noivos ajoelham-se e todos recitam em tom de declamação gauchesca:

PADRE:         
Vamos rezar, companheiros,
para os casais do mundo inteiro!


LEITOR:      
 
Aos recém-casados,
aos que há tempo casaram;
aos que vivem bem felizes
e aos que já se desquitaram...


TODOS:        
Aos casais que têm saúde
e vivem bem, na riqueza;
aos casais que enfrentam doenças
e sofrem pela pobreza....


LEITOR:        
Aos casais de muitos filhos
e aos que os deixam pra depois...
Aos viúvos que estão sozinhos,
com a cruz que era de dois...

PADRE:         
Patrão Divino, que todos
tenham a Tua graça e Tua fé;
seguindo o rastro deixado
por Teu Filho em Nazaré.


REZEMOS A ORAÇÃO QUE O DIVINO TROPEIRO JESUS NOS ENSINOU, NO LINGUAJAR DO GAÚCHO - recitada em tom de declamação gauchesca:


PATRÃO VELHO, NOSSO SENHOR
DA GRANDE ESTÂNCIA DO CÉU,
SAGRADA PARA SEMPRE SEJA A TUA GRAÇA!
QUE O TEU PATRONATO VENHA ATÉ
A NOSSA QUERÊNCIA TERRENA
E QUE A TUA DIVINA VONTADE
SE FAÇA PRESENTE ENTRE NÓS,
AQUI E EM TODAS AS INVERNADAS CELESTES!

O NOSSO CHURRASCO, MATERIAL E ESPIRITUAL,
DÊ-NOS TODOS OS DIAS!
PERDOA OS NOSSOS ESTRANHAMENTOS,
ASSIM COMO TENTAMOS PERDOAR
AOS QUE PERDERAM AS ESTRIBEIRAS
PARA CONOSCO!
NÃO NOS DEIXES, PATRÃO,
RESVALAR NAS TENTEADAS DO PECADO,
MAS NOS LIVRE DOS ATROPELOS
DE TODA A MALDADE DO MUNDO,
HOJE E SEMPRE!
ASSIM ACREDITO,
MEU PATRÃO GRANDE DO CÉU!

(PATRÃO GRANDE DO CÉU, da autoria de José Itajaú Oleques Teixeira)


2. Oração do Casal - recitada em tom de declamação gauchesca:

PADRE:  
Convido todos os casados a rezarem juntos a Oração do Casal.
Senhor! Guardai o nosso amor na fidelidade, no respeito e na fé. Fazei-nos verdadeiramente colaboradores Vosso, na geração da Humanidade. Ajudai-nos a carregar com dignidade a nossa aliança e a relembrar com alegria e saudade o momento em que nos unimos no altar, diante de Vós. Afastai de nosso lar a desgraça, a doença, o desquite, as intrigas, a infidelidade, as amarguras, o ódio, o ciúme, o desânimo e a maldade. Robustecei a nossa fé; fortificai o nosso amor; renovai a nossa energia, para carregarmos com brio a cruz diária da Sagrada Família. Fazei, Senhor, nossos filhos crescerem de corpo e de espírito, na cultura e nas virtudes; e que o nosso exemplo possa marcar a personalidade dos seres que geramos. Abençoai a mesa do nosso lar, para que seja farta e feliz; e dai-nos a graça de podermos comungar juntos Vosso Corpo e Vosso Sangue. Que o nosso lar, Senhor, à semelhança da Família de Nazaré, seja envolvido no carinho, na paz e na ternura que brota do Vosso Coração. Dai-nos a graça de vermos os filhos dos nossos filhos; e preparai, desde já, o nosso espírito para o derradeiro sacrifício da morte. Senhor! Queremos que o Vosso Evangelho seja a lei do nosso lar, e que a união da Santíssima Trindade seja o espelho da nossa união. Amém!


3. Bênção Nupcial - recitada em tom de declamação gauchesca:

PADRE:         
Abençoa, Patrão Santo,
para sempre este casal,
bem longe de todo o mal,
do ciúme, infidelidade,
aborto, esterilidade,
fome e divórcio brutal...


POVO:          
Derrama sobre este par
a fé, a paz, a alegria,
a saúde, a harmonia,
o amor, a compreensão,
coragem e decisão
na luta de cada dia...


PADRE:         
Patrão da Querência Eterna,
guarda este jovem marido,
honrado e sempre querido
pela sua companheira;
que o seu esforço e suadeira
sustente o lar bem florido!


POVO:          
Nossa Senhora querida,
Primeira Prenda do Além,
que fostes mamãe também,
guardas esta jovem esposa
fiel e mãe amorosa,
servindo e fazendo o bem....


PADRE:         
Com a mesa sempre farta
e a mente na eternidade,
mulher cristã de verdade,
mantendo sua casa alerta
e sempre de porta aberta
ao Cristo e à felicidade.


POVO:          
Suplico esta mesma benção
ao Patrão da Divina Luz,
pelo sangue de Jesus,
para todos os casais
e aos viúvos que são leais,
para que levem sua cruz.


PADRE:         
A benção do Patrão Santo
desça agora do além
e vos conserve no bem,
com a fé sempre no trilho,
em nome do Pai, do Filho,
do Espírito Santo. Amém!


4. Beijo Nupcial - os noivos levantam-se do genuflexório:

PADRE:         
Conforme a palavra de Jesus, no Livro Sagrado, quem casa deve deixar Pai e Mãe, para unir-se à sua Esposa e ao seu Esposo...
Muitos problemas surgem pela intromissão de mães e pais, na vida dos filhos casados.
Convido o jovem casal para despedir-se de seus Pais, parentes e amigos...

PADRE - quando os noivos voltam do abraço dos pais:

Vocês dois se pertencem um ao outro. Deus abençoou esta união.
É isto que significa o Beijo Nupcial!  


5. Assinaturas e Canto Final:

PADRE:   
     

Convido todas as testemunhas e o Novo Casal a assinarem os documentos, enquanto cantamos o Canto Final.

6.  Canto Final - no ritmo da vanera:

Família é poste da esquina,
na cerca da sociedade;
família é taipa Divina,
guardando a moralidade.

Estribilho:
Sede felizes com a benção
do nosso Eterno Patrão;
nada vos roube este amor
do baú do coração.  


Família é fogo de chão,
aquecendo a Humanidade;
família é uma vocação
que nos vem da Divindade!

Família é esteio do rancho
de toda a comunidade;
família é escola de vida
plasmando a fraternidade!

Família é o sal do rodeio,
aonde toda a Humanidade
encontra o apoio do Pai
e o Amor da Maternidade!
 

 

 

III. CONCLUSÃO

 

As sugestões contidas neste Manual do Casamento Tradicionalista Gaúcho, voltadas especificamente para o Matrimônio Católico, servem como subsídios para todos aqueles que pretendam formalizar o seu Vínculo Afetivo mediante uma Cerimônia Religiosa realizada na Igreja, com o Casamento Gauchesco desenvolvendo-se com uma missa, ou, a critério dos noivos e a aquiescência do sacerdote celebrante, com uma liturgia religiosa específica para o ato do Enlace Matrimonial Tradicionalista.

Ao utilizarem-se do Casamento Tradicionalista Gaúcho para formalizar a sua união afetiva os noivos certamente que estarão honrando a Herança Cultural Regionalista-tradicional dos Gaúchos Campeiros do Pampa do Rio Grande do Sul, esse Patrimônio Cultural Gauchesco pertencente ao Brasil e a todo o Povo Brasileiro, valorizando o culto, a preservação e a adequada divulgação das autênticas Tradições Gaúchas Sul-brasileiras. Assim agindo, os recém-casados guardarão no livro de suas recordações inesquecíveis momentos de telurismo, vivenciados na Cerimônia e na Festa de seu Casamento Tradicionalista Gaúcho, e os memoráveis sentimentos de apego à Tradição Gaúcha Sul-brasileira, refletidos, por certo, ao longo das suas vidas conjugais embasadas em um perfeito e fecundo amor, na harmonia e na felicidade do lar, na eterna amizade e na graça do nosso Patrão Celestial da Estância Grande do Universo! 

Organização: José Itajaú Oleques Teixeira

BOMBACHA LARGA: na luta pela preservação das autênticas Tradições do Povo Gaúcho Sul-brasileiro! 

 

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