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Anu, Chimarrita, Balaio, Dança dos Facões e Chula

 

03/08/2009 23:25:27
A PILCHA GAÚCHA DAS INVERNADAS MIRINS!
 
CTG Porteira da Amazônia, de Nova Mutum-MT
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A PILCHA GAÚCHA TRADICIONAL DAS INVERNADAS PRÉ-MIRIM E MIRIM DE DANÇAS FOLCLÓRICAS GAÚCHAS DO RIO GRANDE DO SUL

 

  

1 - Introdução 

         A indumentária gaúcha tradicional, a ser utilizada pelas Invernadas Artísticas de Danças Folclóricas Gaúchas Sul-rio-grandenses, deve sempre observar a autenticidade e a simplicidade regionalista, requeridas na Carta de Princípios do Tradicionalismo Gaúcho Brasileiro, documento básico da Filosofia Tradicionalista, a ser observado e aplicado a todas as ações desenvolvidas nos atos de culto, zelo, defesa, preservação e correta divulgação das Tradições dos Gaúchos Campeiros do Rio Grande do Sul. 

         Assim, seja no âmbito do Tradicionalismo organizado ou fora dele, como nos casos dos PTGs – Piquetes de Tradições Gaúchas –, DTGs – Departamentos de Tradições Gaúchas – e demais Entidades Culturais Tradicionalistas independentes, organizadas por escolas, empresas, associações, órgãos públicos, entidades religiosas e outras, a Filosofia Tradicionalista da Carta de Princípios do Sistema Movimento Tradicionalista Gaúcho Brasileiro é o documento que deve pautar todas as ações relacionadas à Tradição dos Gaúchos Brasileiros, já que em alguns Órgãos e em determinadas Entidades Tradicionalistas a própria Doutrina do Tradicionalismo é afrontada e desrespeitada, em decorrência de outros indevidos interesses, como o político-partidário-eleitoreiro e o econômico-financeiro-comercial. 

         Observada, respeitada e aplicada, é a Filosofia Tradicionalista da Carta de Princípios do MTB Brasileiro que permitirá se Fazer, efetivamente, Tradição Gaúcha Sul-rio-grandense, isto é, retransmitir-se, realmente, de forma preservada, espontânea e continuada, de pai para filho, para as novas e futuras gerações, os verdadeiros, os autênticos usos e costumes regionalistas tradicionais dos Gaúchos Campeiros do Estado do Rio Grande do Sul. 

          Por isso, na fase de iniciação das crianças, seja nas atividades relacionadas às Danças Folclóricas Gaúchas Sul-rio-grandenses ou quaisquer outras práticas relativas à Tradição Gaúcha Brasileira, há de se ter o máximo de cuidado para que elas não venham ser novas e futuras vítimas das imposições, invenções e importações mercadistas, que desnaturam a essência da Tradição dos Gaúchos do Rio Grande. Educá-las para o desenvolvimento de um senso crítico capaz de permiti-las discernir entre o que é produto do modismo e o que é próprio da bela e antiga Tradição Regional Sul-rio-grandense, entre o que é moda comercial e aquilo que é próprio de ser vivenciado no Tradicionalismo, organizado ou não, é, também, uma tarefa de todos aqueles que irão assessorá-las nos seus atos de Fazer Tradição Gaúcha Sul-brasileira. 

         Dessa forma, com a devida e necessária Educação Tradicionalista é que as crianças integrantes das Invernadas de Danças Folclóricas Gaúchas Sul-rio-grandenses, especialmente as Pré-mirim e Mirim, tornar-se-ão conscientes de que, assim como as antigas Danças do Folclore Gaúcho do Rio Grande do Sul, também as Pilchas Gaúchas Tradicionais que ostentam devem continuar sendo preservadas e, dessa forma, retransmitidas aos seus futuros filhos, netos, bisnetos, por ser este um direito e um dever de cidadania, na concretização da necessária preservação das Tradições e da Identidade Cultural Regionalista do Povo Gaúcho do Sul do Brasil. 

2 – Desenvolvimento 

2.1 A PILCHA GAÚCHA FEMININA TRADICIONAL DAS INVERNADAS PRÉ-MIRIM E MIRIM DE DANÇAS FOLCLÓRICAS GAÚCHAS DO RIO GRANDE DO SUL 

 

Gravataí-RS 

         Entre a Pilcha Gaúcha Feminina Mirim e a indumentária das Prendas das Categorias Juvenil e Adulta há algumas diferenças que devem ser observadas. Uma delas, que merece desde já ser anunciada, é aquela relacionada ao comprimento do Vestido de Prenda. Para as Prendinhas Mirins o comprimento do vestido não é o mesmo daquele das Prendas Juvenis, Adultas e Veteranas, cuja base deve estar na altura do peito do pé. O Vestido de Prenda Mirim tem a sua base acima dos tornozelos, devendo apresentar um comprimento um pouco menor que o Vestido de Prenda normal, mas nunca a ponto de ficar demasiadamente curto. 

         São particularidades da indumentária tradicional das Prendinhas Gaúchas Pré-mirins e Mirins:

a)     os vestidos das Prendas Mirins devem ter a base um pouco acima do tornozelo e apresentarem-se com o corte inteiriço, mangas longas, sem boca de sino (morcego), sem decote, podendo ter gola ou não; 

b)    os tecidos do vestido, de microfibra, crepes, oxford, devem ser lisos ou com estampas miúdas e delicadas, de flores, listras, petit-poa e xadrez, discretos, com cores harmoniosas, sóbrias ou neutras, evitando-se as cores fortes, como o marrom, o marinho, o verde escuro, o roxo, o bordô, o pink, o azul forte e outras contrastanes, chocantes, pretas ou brancas, assim como as combinações com as cores das bandeiras do Brasil, do Rio Grande do Sul, ou com a pilcha do peão;  

1ª Prenda Mirim do RS (2008-2009) Andréia Pereira,

com a 1ª Prenda Mirim do RS (2009-2010)

Lydia de Moura Azevedo

c)     a saia de armação deve ser leve e discreta, na cor branca, de forma a evitar-se o excesso de armação, com o seu comprimento inferior ao do vestido; 

d)    a bombachinha deve ser de tecido branco, com enfeites de rendas discretas, e o comprimento até abaixo dos joelhos, sendo, portanto, mais curta que o vestido; 

e)     as meias devem ser da cor branca ou bege, e longas o suficiente para não permitirem a nudez das pernas;  

2ª Prenda Mirim do RS (2008-2009) Natalia Moreira,

com a 2ª Prenda Mirim do RS (2009-2010)

Amália Pletsch

f)      as sapatilhas, com tira passando por sobre o peito do pé, devem ser nas cores preta, marrom ou bege e salto baixo, não podendo ser usadas as sandálias nem os sapatos abertos; 

g)     os cabelos podem estar soltos, presos, semi-presos ou em tranças, sem o uso de coque (do uso somente por prendas adultas e veteranas) nem de flores (do uso  por prendas juvenis e adultas, apenas); 

h)     a maquiagem não é recomendável, mas se for usada ela deve apresentar-se com muita discrição; 

i)       em nome da preservação da autenticidade da indumentária feminina gaúcha tradicional sul-rio-grandense, requerida na Carta de Princípios do MTG Brasileiro, a bombacha feminina não representa a vestimenta tradicional da mulher gaúcha do Rio Grande do Sul, tendo a mesma um uso restrito às atividades campeiras, não devendo ser utilizada fora desse ambiente e, portanto, não fazendo parte da Pilcha Gaúcha Tradicional das Invernadas Artísticas de Danças Gaúchas Folclóricas do Rio Grande do Sul; 

j)       as prendinhas devem estar trajadas com vestidos de cores diferentes, podendo os mesmos, inclusive, serem de modelos diversos, evitando-se, assim, a condenável uniformização, que ofusca a verdade histórica da individualização da pilcha gaúcha sul-rio-grandense; nas palavras do Paixão Côrtes, deve-se evitar essa “mesmice”, que “militariza” o que nunca fora, antes, uniformizado; 

k)     Recomenda-se a consulta, para a categoria Mirim, do “Livro de Indumentárias”, do MTG/RS, e do Manual de Pilchas Gaúchas, do MTG/PR.  

2.2 A PILCHA GAÚCHA MASCULINA TRADICIONAL DAS INVERNADAS PRÉ-MIRIM E MIRIM DE DANÇAS FOLCLÓRICAS GAÚCHAS DO RIO GRANDE DO SUL  

Fonte: Blog Mundo Gaúcho

         A Pilcha Masculina da Tradição Gaúcha Sul-rio-grandense, que deve estar sendo cultuada, zelada, preservada e corretamente divulgada, inclusive durante a maioria dos trabalhos desenvolvidos pelas Invernadas Artísticas de Danças Folclóricas, é a indumentária atual dos Gaúchos Campeiros do Rio Grande do Sul, retransmitida de pai para filho, por Tradição, desde o final do século XIX até os dias atuais. 

São particularidades da indumentária tradicional dos Piazinhos e Piazitos Gaúchos Pré-mirins e Mirins: 

a) as bombachas devem estar condizentes com a própria etimologia do vocábulo, isto é, devem representar as autênticas, típicas e tradicionais calças largas dos campeiros do Estado do Rio Grande do Sul; 

b) o tecido das bombachas pode ser o brim (mas não o jeans), o sarja, o linho, o algodão, o oxford ou o microfibra, no padrão liso, listrado ou xadrez - miúdos, discretos; 

c) as bombachas devem ter cores claras ou escuras, sóbrias ou neutras, em tons como marrom, bege, cinza, azul-marinho, verde-escuro, mas nunca com os tons agressivos, de coloridos contrastantes, cítricos, fosforescentes, como vermelho, azul, amarelo, laranja, verde-limão, cor-de-rosa; e, em respeito à Tradição Gaúcha Sul-rio-grandense, a cor preta não deve ser usada nem na Pilcha das Invernadas de Danças nem em qualquer indumentária gaúcha do Rio Grande do Sul, uma vez que o seu uso é, por Tradição do Povo Gaúcho Sul-rio-grandense, somente para os casos de luto; 

d) o modelo das bombachas é aquele em que o cós é largo e sem alças, com dois bolsos na lateral e punho abotoado no tornozelo, preferencialmente com favos nas laterais e largura compatível com a verdadeira calça larga dos gaúchos campeiros do Rio Grande do Sul, não sendo permitida a bombacha plissada, por representar esta um modismo, uma criação comercial-urbana sem correspondência alguma com a simplicidade da indumentária dos gaúchos interioranos do Rio Grande do Sul; as bombachas devem ser usadas, sempre, por dentro do cano das botas; 

e) a camisa deve ser de tecido liso ou de riscado discreto, de cores sóbrias, claras ou neutras, de preferência a branca, de forma a evitar-se as cores fortes, vibrantes, berrantes, contrastantes, como o vermelho, o azulão, o verdão, o amarelão, o pastelão, as xadrez, quadriculadas, e outras não correspondentes ao tradicional jeito comedido de vestir dos gaúchos interioranos do Rio Grande do Sul; 

f) o tipo de tecido da camisa que compõe a Pilcha Gaúcha do Rio Grande do Sul pode ser algodão, tricoline, viscose, linho ou vigela, microfibra não transparente, oxford; 

g) a camisa deve estar abotoada em toda a sua extensão, apresentar uma gola social atual, as mangas longas e os punhos ajustados por botões, especialmente quando usada em ocasiões formais, como fandangos gaúchos, concursos, cerimônias, festividades, Desfiles Farroupilhas, Cavalgadas urbanas e outros eventos de caráter oficial, que levam para o mundo os aspectos regionalistas tradicionais do Povo Gaúcho do Rio Grande; as camisas de mangas curtas devem ser usadas somente nas situações informais, como nas atividades de serviço e lazer; 

h) a camiseta de malha ou a camisa de gola polo, com ou sem o distintivo da Entidade, da Região Tradicionalista ou do respectivo MTG, usadas nas situações informais e não representativas, devem seguir as mesmas orientações destinadas à camisa da Pilcha Gaúcha Tradicional Sul-rio-grandense, isto é, devem respeitar a sobriedade da indumentária gaúcha do Rio Grande do Sul, evitando, igualmente, as cores fortes, vermelhas, azulão, verdão, amarelão, pastelão, pretas, e preservarem, assim, as cores amenas e mais claras, evitando, ainda, o uso do cetim, das estampas, das bandeiras e de abrigos e outras peças do vestuário com os coloridos fortes; 

i) as botas, normalmente com o cano alto, até os joelhos, devem ser as de couro liso, nas cores preta ou marrom, nos variados tons desta, sendo vedado o uso de botas brancas e botas garrão-de-potro, estas últimas utilizadas exclusivamente com o respectivo traje de época, nas apresentações artísticas ou mostras culturais; 

j) o colete, se usado, deve ser do mesmo tecido e da mesma cor das bombachas, podendo ter tom-sobre-tom, sendo o mesmo sem mangas e sem gola, abotoado na frente e com a parte posterior (costas) de tecido leve de uma só cor, sem muito brilho, ajustado com fivela, com o seu comprimento até a altura da cintura; com o uso do paletó, o colete pode ser dispensado; e não se deve esquecer que colete é peça que integra o traje correspondente à fatiota, ou seja, que não deve ser usado nas lidas campeiras, podendo ser utilizado na pilcha de passeio, em eventos oficiais, bailes, desfiles, solenidades, apresentações artísticas, etc. 

Vila Nova-RS 

k) a guaiaca, o cinturão de couro, com bolsas para o relógio, para o dinheiro em cédulas de papel e para as moedas, com coldre para o revólver, deve ter no mínimo 7 (sete) centímetros de largura, com uma ou duas fivelas frontais; 

l) o chapéu deve ser o de feltro, com abas a partir de 6 cm, nas cores preferencialmente escuras, copa baixa e tapeado na frente, evitando-se aqueles do estilo country-sertanejo, chaparral branco, com copas altas, abas laterais viradas para cima e parte frontal caída nos olhos; o uso de boinas - especialmente as coloridas importadas da Espanha, Itália e outros países - e os bonés são vedados, devendo o uso destes ser evitados em todos os ambientes tradicionalistas; 

m) o paletó, peça que integra a Pilcha Gaúcha Oficial do Rio Grande do Sul, e usado especialmente para as ocasiões formais, pode ser do mesmo tecido e da mesma cor das bombachas, ou tom-sobre-tom; o uso de túnicas militares  é vedado, pois o uso delas em nada se refere à pilcha tradicional dos gaúchos campeiros do Rio Grande do Sul; 

n) o lenço, nas cores vermelha, branca, azul, verde, amarela ou carijó, ou, ainda, os carijós nas cores citadas ou na marrom ou na cinza, deve estar atado com um dos nós gaúchos sul-rio-grandenses tradicionais, passando por sobre o pescoço, pelo lado de dentro do colarinho da camisa, e apresentar as suas pontas, dispostas por sobre o peito, com um comprimento mínimo de 25 cm a partir do nó; conforme a Tradição Gaúcha Sul-rio-grandense, o uso do lenço preto, assim como as demais peças dessa cor, só se justifica nos casos de luto; os lenços estampados, floriados, não devem ser usados no âmbito do Tradicionalismo Gaúcho Brasileiro, por serem do uso de gauchos platinos, mas não dos gaúchos sul-rio-grandenses, e uma criação das grifes comerciais dos mercados sem-fronteiras, não fazendo parte dos usos e costumes regionalistas gaúchos sul-rio-grandenses, repassados, por Tradição, de pai para filho, de forma espontânea e contínua, até os dias de hoje; 

o) o uso da faixa, oriunda da Fronteira, é opcional, devendo estar compatível com a região, sendo a mesma lisa, nas cores vermelha, preta de lã, ou bege cru (algodão), e com a largura compreendida entre 10 e 12 cm;  

Grupo de Danças Gaúchas da Escola Baltazar de Bem

IV Festival de Talentos da Smed, Cachoeira do Sul-RS

Foto: Jornal do Povo

p) as esporas são peças utilizadas nas lides campeiras, sendo o seu uso admitido, por razões meramente cenográficas, nas apresentações de Danças Folclóricas Gaúchas Sul-rio-grandenses, porém, o uso delas é vedado nos fandangos gaúchos; 

q) o uso do pala é opcional, mas se usado deve apresentar uma abertura na gola e estar no tamanho padrão, que é bem abaixo dos joelhos, e não até a cintura, como se tem visto ultimamente; pode ser usado no ombro ou à meia-espalda, atado da direita para a esquerda, podendo, ainda, ser usado com todos os trajes; o pala não deve ser usado no ato de dançar; 

r) o uso da faca é opcional nas apresentações artísticas e vedado nas demais atividades sociais; os peões das Invernadas Mirins não devem portá-las; 

s) Recomenda-se a consulta, para a categoria Mirim, do “Livro de Indumentárias”, do MTG/RS, e do Manual de Pilchas Gaúchas, do MTG/PR. 

Observação: embora algumas peças, contidas nas citadas diretrizes para o uso da Pilcha Gaúcha Tradicional do Rio Grande do Sul, não sejam normalmente utilizadas na indumentária das Invernadas Artísticas de Danças Folclóricas Gaúchas Sul-rio-grandenses, elas foram mantidas no presente trabalho com o fim de melhor informar aos prezados leitores a respeito da forma correta dos seus respectivos usos, que como os demais encontram-se baseados no Patrimônio Sociológico-tradicional dos Gaúchos Campeiros do Pampa do Rio Grande do Sul. 

Elaboração: José Itajaú Oleques Teixeira

BOMBACHA LARGA: na luta pela preservação das autênticas Tradições dos Gaúchos Sul-brasileiros!

Fonte básica: Diretrizes do MTG-RS

 

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