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Gaúcho

 

05/01/2010 00:42:25
VERSOS PARA A POLCA DE RELAÇÃO
 
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1 - Introdução

Atendendo o pedido da visitante Loreni Soliani, postado em 19.10.2009, no espaço “comentários” da matéria O BAILE GAÚCHO DA CAMPEIRA TRADIÇÃO DO RIO GRANDE DO SULdeste espaço cultural tradicionalista gaúcho, estamos publicando alguns versos da Polca de Relação, modalidade de Dança Folclórica Gaúcha Sul-rio-grandense praticada na região do Pampa Sul-brasileiro. 

2 - Desenvolvimento

2.1 O conteúdo dos versos e os valores morais dos gaúchos campeiros do Pampa Sul-rio-grandense

Há muito que se nota uma grande falta de propriedade tradicionalista no conteúdo dos versos da Polca de Relação, indevidamente nominada de Meia Canha pelo MTG Brasileiro. Em muitos dos Encontros de Arte e Tradição, dos festivais e das apresentações públicas dessa Dança Folclórica do Pampa do Rio Grande do Sul, já viu-se bagaceirices que não se coadunam com a devida e necessária moralidade dos gaúchos campeiros sul-rio-grandenses.

2.2 A citada impropriedade tradicionalista ocorre, por duas razões:

2.2.1 primeiro porque o folclore gaúcho sul-rio-grandense a ser revivido no âmbito do Tradicionalismo Gaúcho Brasileiro é o revestido do conteúdo moral das famílias interioranas sul-rio-grandenses, e não dos ambientes promíscuos dos bailes de baixa categoria, aonde um peão mal educado poderia atrever-se, por meio dos versos de uma Polca de Relação, a desonrar, desclassificar ou ofender uma prenda, já que nos bailongos não se encontravam presentes os bons costumes, a boa educação e a reconhecida moralidade das famílias da campanha do Rio Grande do Sul, quando reunidas nos Bailes Familiares, em comemorações aos aniversários, noivados, casamentos e outros eventos do gênero;

2.2.2 segundo porque é a própria Filosofia de Atuação do MTG Brasileiro que está a orientar, na sua Carta de Princípios Tradicionalistas, que são objetivos do Tradicionalismo Gaúcho Brasileiro:

a) Promover, no meio do nosso povo, uma retomada de consciência dos valores morais do gaúcho (art. 3);

b) Fazer de cada CTG um núcleo transmissor da herança social e através da prática e a divulgação dos hábitos locais, noção de valores, príncipios morais... (art. 7);

c) Evitar atitudes pessoais ou coletivas que deslustrem e venham em detrimento dos princípios da formação moral do gaúcho (art. 14);

d) (...) atuar real, poderosa e eficientemente no levantamento dos padrões de moral e de vida do nosso Estado, rumando, fortalecido, para o campo e homem rural, suas raízes primordiais, cumprindo, assim, sua alta distinação histórica em nossa Pátria (art. 29).

Assim, os contéudos asertanejados, modernos e sem o uso do vocabulário regionalista-tradicional gaúcho sul-rio-grandense, com temas erotizados, apelativos sexualmente, desrespeitosos à mulher e carregados de uma violência gratuita, são totalmente incompatíveis com os antigos Bailes de Fazenda, familiares, e os princípios morais dos gaúchos do Pampa Sul-rio-grandenses que embasam o Movimento Tradicionalista Gaúcho Brasileiro organizado.

Portanto, versos da Polca de Relação que proferem, dentro dos Centros de Tradições Gaúchas e nos Festivais do MTG Brasileiro, conteúdos que ofendam os bons costumes e a moralidade tradicional das famílias do interior do Rio Grande do Sul, são tradicionalistamente impróprios para o ambiente do MTG e, também, incoerentes com a Tradição Regional dos Gaúchos Campeiros do Sul do Brasil. 

Naturalmente que havendo eventual correspondência de sentimentos entre peão e prenda pode haver os versos com conteúdo jocoso, divertido e até ingênuo. Contudo, todos devem atender aos fins culturais do MTG Brasileiro, representando o verdadeiro ambiente familiar daqueles tempos em que se realizavam, no interior da Campanha do do Estado Garrão-sul do Brasil, a Dança Folclórica Gaúcha Sul-rio-grandense Polca de Relação.


CTG Barboa Lessa - SP
Fonte: sombrasil.ig.com.br

2.3 VERSOS JÁ CONHECIDOS E PUBLICADOS NA INTERNET, com observações a respeito de certas impropriedades tradicionalistas, diante da moralidade e dos bons costumes da Tradição dos Gaúchos Campeiros da Região do Pampa do Estado do Rio Grande do Sul:

Peão:
Atirei um limão verde,
por cima da vacaria,
deu no cravo e deu na rosa,
deu na prenda que eu queria!
 

Prenda:
Alecrim da beira d’água,
manjerona do outro lado;
quero teu pai para sogro,
teu irmão para cunhado!

Peão:
Subi cerro e desci serra,
na minha sorte tirana:
me escapei do camoatim
e me pechei na lichiguana!
 

Prenda:
Desci serra e subi cerro,
na minha tirana sorte;
para não pechar contigo
prefiro encarar a morte!

(autoria de José Itajaú Oleques Teixeira) 

Peão:
Não namoro teus cabelos
nem o brinco das oreias,
eu namoro teus lindos óios,
debaixo das sombranceias!

Prenda:
Fui no livro do destino
minha sorte procurar.
recorri folha por folha:
eu nasci para te amar!
 

Peão
Ando campeando uma prenda,
que se encante por meu jeito,
que faça sempre o que eu mande
e me ache o marido perfeito!

Prenda
Mas vai te catar, bombachudo,
teu lugar é no galpão,
amadrinhado pelos cachorros,
abraçado a um tição! 

Peão:
Com permisso, prenda linda,
escuta este cantador,
que hoje te levo pro meu ninho,
pra me servir de cobertor!

(imprópria para o ambiente tradicionalista, o qual exige compatibilidade com os bons costumes,
a moralidade tradicional da família gaúcha interiorana do Rio Grande do Sul)

Prenda:
Quando eu te vi chegando
vi nos teus olhos malícia,
então escuta meu recado:
vai te conhecê, imundícia!
(a quadra é inadequada para o ambiente tradicionalista de um baile familiar, a exigir de todos
os presentes um mínimo de boa educação)

Peão:
Daqui eu te zóio com carinho,
daí tu me zóia com amor;
e de tanto nóis ficá se zoiando,
tive que levá o zóio no dotor!

Prenda:
Está visto que têm problema
esses olhos de apaixonado;
também, que olhos bem feios:
um apontando pra cada lado! 

Peão
Chinoca, não te fresqueia,
não enjeita meus carinhos,
que hoje, de qualquer jeito,
te arrasto para o meu ninho!
(imprópria para o ambiente tradicionalista) 

Sugestão:
Chinoca, não te fesqueia,
Não enjeita meus carinhos,
que hoje tu és minha flor
e eu te quero sem espinhos!

(autoria de José Itajaú Oleques Teixeira) 

Prenda
Tipinho da tua iguala
neste rincão tem bastante;
e tu é igualzito aos outros:
grosso e ignorante!
(a quadra é inadequada para o ambiente tradicionalista de um baile familiar, a exigir de todos os presentes um mínimo de boa educação)

Peão:
Sou um gauchão completo,
da presilha até a ilhapa;
respeito teu pai, prendinha,
mas hoje tu não me escapa!

(a quadra é inadequada para o ambiente tradicionalista de um baile familiar, por conter um notório duplo sentido)

Prenda:
Da presilha até a ilhapa,
com cara se sorro manso;
com esse bafo de canha,
contigo é que eu não danço!
(a quadra é inadequada para o ambiente tradicionalista de um baile familiar, por caracterizar um ato mais corriqueiro dos bailes de baixa categoria social, surungos de fundo de campo e de
ambiente promíscuo, quase sempre com peleias resultantes desse tipo de carão)
 

Peão:
Não te encosta na parede,
que a parede solta pó,
te encosta aqui nos meus braços,
que esta noite eu dormi só!

(a quadra é inadequada para o ambiente tradicionalista de um baile familiar, por conter um notório duplo sentido)

Sugestão:
Não te encosta na parece,
que a parece solta pó;
te encosta aqui no meu ombro,
mas sem sujar meu paletó!

(autoria de José Itajaú Oleques Teixeira)

Prenda:
Não te encosta na parede,
que a parede solta pó,
te encosta no relho do pai,
que na ponta tem um nó!
 


Inv. Juvenil do CTG 20 de Setembro
Fonte: youtube.com/iser/JardelSantiago

2.4 VERSOS PARA A POLCA DE RELAÇÃO, de autoria de José Itajaú Oleques Teixeira, do sítio www.bombachalarga.org

Peão:
Eu cansei meus dois cavalos,
para chegar até aqui,
só pra dizer que te gosto
desde os tempos de guri!

Prenda:
Coitado dos teus beiçudos,
e coitadinho de ti,
pois eu sei que não te gosto
desde o dia em que nasci!

Peão:
Quando eu te conheci
soube logo que eras minha;
meu rancho será teu castelo
e tu a minha rainha!

Prenda:
Quando tu me conhecestes
era uma noite de lua;
nas estrelas vi escrito
que eu nasci para ser tua!

Peão:
Toda vez que eu te vejo
perco minha voz e o jeito:
meu coração corcoveia,
saltando fora do peito!

Prenda:
Cuidado nunca é demais
com olhos e coração;
é bom tu ires ao médico,
pra baixar essa pressão!

Peão:
O meu pai te quer pra nora,
minha mãe ser tua sogra;
tu até que é bonitinha,
mas tua velha é uma cobra!

Prenda:
É bom que avises os teus:
gosto de boi e de vaca;
mas tenho nojo de sorro
e medo de jararaca!

Peão:
Eu entrei pr’o CTG
e aprendi a dançar,
só para ser o teu par
e poder te namorar!

Prenda:
Quando da primeira vez,
no ensaio da Invernada,
que eu peguei a tua mão,
já fiquei apaixonada!

Peão:
Felicidade foi muita,
alegria não foi pouca,
quando na Chimarrita
quase beijei tua boca!

Prenda:
Felicidade foi grande
no momento em que senti
terminar a Chimarrita
e separar-me de ti!

Peão:
Barbaridade, chinoca!
Sou um peão que campereia;
mas nunca antes eu vi
tanta prenda, assim, tão feia!

Prenda:
Mas que tal o índio velho,
metido a gaúcho largado?
Cuidado ao olhares no espelho,
pra não ficar assustado!

Peão:
No Ensaio da Paixão
fui firme e determinado;
mas no Rodeio do Amor
fui por ti desclassificado!

Prenda:
No Rodeio do Coração
o meu peão fui encontrar;
meu destino foi premiado
com o primeiro lugar!

Autoria: José Itajaú Oleques Teixeira 

na luta pela preservação das autênticas Tradições do Povo Gaúcho Sul-brasileiro!

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