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Manoel Camaquã:
Hino Tradicionalista, de Barbosa Lessa

 

18/09/2010 21:08:47
A TRADIÇÃO MUSICAL DE ADELAR BERTUSSI!
 
"Repeti cinco vezes uma rancheira. Tinha chovido e o salão virou uma nuvem de pó. Foi um sucesso", diz Adelar Bertussi - Foto de Daniela Xu/Pioneiro
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Caxias do Sul, 02 de setembro de 2006.        Edição nº 9593
Gente
A prosa de um pioneiro
O gaiteiro Adelar Bertussi fala de sua tradição musical
CARLINHOS SANTOS

 
 
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Caxias do Sul - gaiteiro Adelar Bertussi passou os últimos 15 dias em São Jorge da Mulada, no interior de Caxias, cuidado de galinhas no pátio, atrás do gado perdido no campo e até reclamando preço do leite pago aos produtores da região. O retrato mais fiel do gaúcho harmoniza com a natureza.

- Aqui, até os cachorros, as vacas e os passarinhos me conhecem - avisa o co-autor de 500 músicas, gravadas em 51 discos.

Hospitaleiro, Adelar abre o portão, ceva um mate e, acolhido na casa que o viu nascer, há 72 anos, relembra seu batismo profissional. Foi quando o irmão Honeyde, com o qual fez a dupla Irmãos Bertussi, adoeceu.

- Eu era muito magrela, minha mãe só autorizou se não me deixassem passar fome. Sabia treze músicas mas, até o baile, já tocava umas vinte. Estava como cachorro preso na corda, querendo me soltar. Repeti cinco vezes uma rancheira. Tinha chovido e o salão virou uma nuvem de pó. Foi um sucesso - recorda.

Isso foi em 15 de abril de 1948, na bailanta do Julio Alemão, na Mulada mesmo. A data ele sabe de cor. Assim como os detalhes de uma trajetória gloriosa, construída ao lado do irmão, morto há dez anos.

Juntos, eles seguem abrindo as porteiras da música com seu "oh de casa!".

(
carlinhos.santos@jornalpioneiro.com.br )

Depoimento
" Mesmo com esse sobrenome, nunca gravamos nada em italiano. É que nossa mistura é de índio com tropeiro e açoriano. Demos harmonização para aqueles bugios e xotes simplezinhos.
Ganho dinheiro em shows e bailes. No Brasil não existe gravadora que pague honestamente.
Depois que parei de me apaixonar, não tenho feito quase mais nada, só uns estudos de clássicos (risos).
Meu prazer é ter amigos em todos os estados do Brasil. Sou uma pessoa cuja fortuna é a amizade. Em todo lugar que vou sou bem recebido, reconhecem o meu valor.
Os CTGs e o MTG têm que zelar e ditar leis dentro dos CTGS e não o que andam fazendo nas rádios. Todo mundo tem direito ao sol. Nasci musicalmente junto com os CTGs, mas nunca fui chamado pela diretoria do MTG pra discutir como proceder com nossa música. Dentro dos CTGs também exigiria respeito às regras de vestimenta.
Acho muito válida a tchê music, pois eles ganham a vida com esse trabalho. É melhor que eles existam do que grupo norte-americano expandir a sua música aqui. A tchê music é um degrau para conhecer os Bertussi e outras coisas. Nunca deram aula pra essa gurizada, agora querem proibir eles de ganhar o pão de cada dia. Com que direito?
Quando me escutam, canto com prazer. A gente sente uma emoção muito grande.
Gaúcho, hoje, é um estado de espírito. Existem os sem bombachas, de fatiota. E existem os que estão fora ou nem nasceram aqui, mas têm esse estado de espírito.
Digo pros meus alunos que a música, por ser arte divina, não é uma profissão. O músico pode se tornar profissional, mas tem que ter outra atividade pra garantir o pão de cada dia.
Me questiono se mereço discursos, homenagens, troféus, diplomas. Falo com meu véinho lá de cima e pergunto se mereço isso. Mas, vamos mantendo a elegância, e vamos agradecendo.
Nunca fui de muitas paixões, namoricos. Mas a gente vê com bons olhos e depois compõe uma bela música.
Dou muito valor ao Pedro Raimundo. Foi o primeiro homem a botar uma bota, uma bombacha, e a subir nos palcos dizendo, sou gaúcho. Aprendi muito com Luiz Gonzaga, que amava o Sul do Brasil, e o Mário Mascarenhas. E tem os valores individuais do Teixeirinha, Gildo de Freitas e Zé Mendes. Depois veiram os grupos musicais.
Oh de Casa está na décima gravação. Honeyde dizia sempre que essa expressão daria uma boa música. Daí, fomos compondo, ajeitando tudo. Então fiz aquela abertura com a gaita, que dá a vida à música. Tem muita gente que chora ao ouvi-la. E todo mundo canta.
Honeyde nos faz uma falta muito grande."
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