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Manoel Camaquã:
Hino Tradicionalista, de Barbosa Lessa

 

26/10/2010 14:24:31
O FOLCLORE SUL-RIO-GRANDENSE E O FOLCLORE GAÚCHO DO RS!
 
O Folclore Gaúcho do Pampa Sul-brasileiro
e o Folclore Sul-rio-grandense de todo o Estado do RS!
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I - Introdução 

A origem da Tradição Gaúcha e do Folclore Gaúcho do Estado do Rio Grande do Sul está fundada na região do Pampa Sul-rio-grandense. Como Núcleo da Formação Gaúcha Brasileira, Folclórica e Tradicional, fora ali que esse Patrimônio Cultural Regionalista, esse saber popular, formara-se na lida dos antepassados gaúchos pampeanos sul-rio-grandenses com o campo, o gado, os cavalos, as ovelhas e os demais serviços atinentes aos campeiros do Pampa Sul-brasileiro. 

É na região do Pampa Sul-rio-grandense, portanto, que se formara o Folclore verdadeiramente Gaúcho do Rio Grande do Sul, o qual não deve ser confundido com o Folclore Sul-rio-grandense. Este último, mais abrangente, abarca o saber popular correspondente a todo o Estado, englobando desde o conhecimento folclórico das regiões essencialmente agrícolas, industriais, serranas, litorâneas, coloniais e outras, até aquele derivado exclusivamente dos núcleos urbanos, citadinos, não rurais e não pampeanos. 

II – Desenvolvimento 

1. As diferenças entre o Folclore Gaúcho, a Cultura Regional e a Tradição Gauchesca 

É compreensível que haja confusão entre o que é verdadeiramente gaúcho e o que é apenas sul-rio-grandense, diante da indevida extensão do termo gaúcho para todos os sul-rio-grandenses e para tudo o que esteja relacionado ao Estado do Rio Grande do Sul. No entanto, necessário se faz o esclarecimento a respeito de alguns pontos convergentes e outros totalmente incompatíveis nos conceitos de folclore geral, cultura regional e tradição gaúcha do RS. 

1.1 O Folclore 

Originado da palavra inglesa folk-lore, sugerida em 1846 por William J. Thoms, cuja significação para folk é povo e para lore é estudo, conhecimento, o folclore deve ser entendido como o saber popular e, também, como o estudo desse conhecimento regional, dos usos, costumes e tradições de um determinado povo. 

Dessa forma, se folclore é o conjunto cultural de uma determinada comunidade, baseado nas tradições mortas e nas tradições atuais de um grupo de indivíduos, pelas quais expressam sua identidade cultural e social, além dos costumes e dos valores retransmitidos oralmente, repassando-os de geração em geração, obviamente que em todas as partes do mundo cada povo tem o seu respectivo folclore, a sua peculiar forma de manifestar suas crenças, seus usos e seus costumes regionais e regionalista-tradicionais. 

Assim, o folclore encontra-se manifestado na arte, no artesananto, na literatura popular, nas danças regionais, no teatro, na poesia, na música, na comida, nas festas populares, nos brinquedos, nas brincadeiras e nos jogos, nos provérbios, na adivinhação, na medicina popular, nas crendices e nas supertições, nos mitos, nas lendas e em outras manifestações da cultura popular, transmitida basicamente de forma oral. 

1.1.1 O Folclore Sul-rio-grandense 

O Folclore do Rio Grande do Sul abraça vasto campo da vida popular do Estado Sulino, relacionado tanto à vivência rural, campesina, como à urbana e de outras regiões que não aquela dos gaúchos campeiros do Pampa Sul-rio-grandense, envolvendo o universo da literatura oral, das histórias, estórias, causos, músicas, danças, jogos, brinquedos, crendices, mistérios, hábitos, lendas, superstições, mitos, etc., englobando a riqueza folclórica de todas as comunidades das diversas regiões do Estado. 

1.1.2 O Folclore Gaúcho do Rio Grande do Sul 

O Folclore Gaúcho do Rio Grande do Sul, portanto, não é sinônimo de Folclore Sul-rio-grandense. Este último é geral, muito mais abrangente, engloba tanto o Folclore Gaúcho - o agro-pastoril oriundo dos antigos campeiros do Pampa Sul-brasileiro - como o Folclore Urbano e o Folclore Regional pertencente a outros tipos de população, como as coloniais, as litorânea-pesqueiras, as essencialmente agrícolas, etc. 

1.2 A Cultura Regional Gaúcha Sul-rio-grandense 

Na sociologia, cultura é o sistema de ideias, conhecimentos, técnicas e artefatos, padrões de comportamento e atitudes que caracterizam uma determinada sociedade. 

Na antropologia, é o estágio do desenvolvimento cultural de um povo ou de um período, caracterizado pelo conjunto das obras, das instalações e dos objetos criados pelo homem desse povo ou desse período; é o conteúdo social. 

1.2.1 A Cultura Regional Sul-rio-grandense 

Assim, Cultura Regional Sul-rio-grandense é a que está vinculada a todo o Rio Grande do Sul, envolvendo tudo o que é feito no Estado, como, por exemplo, o funk, o rock e outros ritmos musicais sul-rio-grandenses, mas não gaúchos. 

1.2.2 A Cultura Regional Gaúcha do Rio Grande do Sul 

A Cultura Regional Gaúcha do Rio Grande do Sul é, portanto, tão-somente a relacionada ao Patrimônio Tradicional, antigo, originado do Núcleo da Formação Gaúcha Sul-rio-grandense, isto é, da Região do Pampa Sul-brasileiro, berço dos antigos usos e costumes regionalista-tradicionais herdados dos Antepassados Gaúchos Pampeanos do Rio Grande do Sul. 

1.3 A Tradição Gaúcha e o Folclore Gaúcho do RS 

Pertencente à Cultura Regional Gaúcha Sul-rio-grandense, a Tradição do Rio Grande do Sul é o acervo cultural e moral do Estado no campo literário, musical, das usanças, do adagiário, do artesanato, dos esportes e atividades rurais, e o ato de transmissão desse Patrimônio Cultural antigo, de pais para filhos, por Tradição, pelo tempo, de forma espontânea, preservada e contínua. 

É de salientar-se que nem tudo o que é folclórico é tradicional. A título de exemplo citamos a Lenda do Negrinho do Pastoreio. Ela é folclórica porque popular e por estar ligada ao passado, regionalmente mantida basicamente pela transmissão oral. E é tradicional porque chegou até hoje via retransmissão, de pais para filhos, pelas gerações, integrando o acervo cultural regionalista-tradicional sul-rio-grandense, isto é, a Tradição Regional Gaúcha do Rio Grande do Sul. 

Já as danças do antigo Fandango praticado na região do Estado Sulino são folclóricas porque originadas das práticas populares da época. Porém, não podem elas serem consideradas como da atual Tradição do Rio Grande do Sul porquanto não mais executadas pelo povo atual nem foram retransmitidas de pais para filhos até os dias de hoje. As Danças Folclóricas Sul-rio-grandenses são demonstradas hoje com o fim de revelar à atual população quais eram os tipos de danças praticadas naqueles antigos Fandangos do Rio Grande do Sul. 

E sendo a Tradição um Patrimônio Cultural Regionalista-popular antigo e de transmissão espontânea no seio de um povo, então toda a Tradição inclusa está no Folclore desse mesmo povo. 


Negrinho do Pastoreio:
uma lenda do Folclore Gaúcho do RS!
 

2. As diferenças entre o Folclore Sul-rio-grandense e o Folclore Gaúcho do Rio Grande do Sul 

Os termos Folclore Sul-rio-grandense ou Folclore do Rio Grande do Sul não são sinônimos das expressões Folclore Gaúcho Sul-rio-grandense ou Folclore Gaúcho do Rio Grande do Sul. Este está restrito ao saber popular dos antepassados campeiros do Pampa Sul-brasileiro. Aquele outro é mais amplo, abrangendo tanto o Folclore Gaúcho do Pampa do Rio Grande do Sul como também o Folclore Urbano, o Folclore Teuto-sul-rio-grandense, o Folclore Ítalo-sul-rio-grandense, o Folclore Afro-sul-rio-grandense, o Folclore Híbrido (formado pela junção do Folclore Sul-rio-grandense com o folclore de qualquer outra cultura), e Folclores Regionais outros, como os eminentemente agrícolas, industriais e de locais que não aquele do Pampa Sul-rio-grandense. 

É certo que o Folclore Gaúcho Brasileiro, forjado na antiga população campeira da região do Pampa Sul-rio-grandense, nas lidas com o campo, o gado, os cavalos, a carreta e os demais serviços pampeanos, como a doma de baguais, o rodeio (reunião do gado em uma parte alta e limpa do campo, para aparte, cura, sal, etc...), as marcações, as tosquias de ovelhas, as carneações, as recorridas de campo para ver o estado do gado nas invernadas (partes do campo destinadas ao engorde dos bichos), as tropeadas (reponte de gado, cavalos), etc., é um folclore maior que aquele formado nos ambientes urbanos, litorâneos, serranos ou coloniais. Afinal, ao tempo da sua formação o campo sobrepunha-se à cidade. 

De outro lado, o Folclore Sul-rio-grandense não representativo do ambiente rural do Pampa Sul-brasileiro não poderá ser nominado de gaúcho, sendo ele apenas sul-rio-grandense. Ao abranger regionalismos de outras partes do Estado, como, por exemplo, da Serra, do Litoral, dos núcleos urbanos, das colônias de imigrantes, etc., esse Folclore não é nem poderá ser Gaúcho, mas tão-somente sul-rio-grandense. 

E mesmo que nessas outras regiões – Serra, Litoral, etc – presentes também estejam as lidas com o gado, os cavalos, as ovelhas, estas não fazem parte do Núcleo da Formação Gaúcha Sul-rio-grandense, configurado na região do Pampa do Rio Grande do Sul. O que se constata nelas, inclusive, são certas deturpações da genuína Tradição Gaúcha do Rio Grande do Sul, em decorrência das influências sofridas, por exemplo, dos birivas paulistas e dos imigrantes chegados ao Estado Sulino.

Assim, difere desse Folclore Gaúcho (Cultura Popular herdada dos Antepassados Campeiros do Pampa Sul-rio-grandense) o Folclore Sul-rio-grandense (erroneamente chamado de “gaúcho”, por mera extensão de índole político-comercial), enquanto Cultura Regional do Rio Grande do Sul, cuja abrangência se dá a todos os recantos do Estado, incluídos aí os Folclores Ítalo-sul-rio-grandense, Teuto-sul-rio-grandense, Afro-sul-rio-grandense, o Folclore Urbano e o das regiões eminentemente agrícolas ou ligadas à outras atividades que não a campechana do Pampa do Rio Grande do Sul, como a pesca, a indústria, os comércios em geral, etc. 

3. O Folclore Gaúcho do Rio Grande do Sul nas Entidades Tradicionalistas do MTG Brasileiro

O Folclore a ser trabalhado no Movimento Tradicionalista Gaúcho Brasileiro organziado é o Gaúcho oriundo da Região do Pampa Sul-rio-grandense, ou seja, o originado da vivência dos antigos gaúchos campeiros com o gado, os cavalos, as ovelhas e as demais atividades ligadas ao campo e aos serviços “lá de fora”, do interior pampeano, da campanha do Rio Grande do Sul. 

3.1 As práticas do Folclore Gaúcho do RS nos CTGs 

O Folclore Gaúcho, assim como a Tradição do RS, é Patrimônio Cultural Regionalista antigo. Portanto, não encontram fundamentação nos atuais modismos dos mercados sem fronteiras: musical, mercosurista, crioulista, comercial-nativista, country-sertanejo e outros, protagonizados por empresas musicais, comerciantes de cavalos, políticos e outros, com fins essencialmente econômico-financeiros, comerciais e eleitoreiros. 

Assim, para que uma prática possa vir a ser classificada como folclórica gauchesca sul-rio-grandense ou do Folclore Gaúcho do RS, ela não poderá ser uma criação relativamente recente, uma invenção ou "projeção" comercialista relativamente atual, pois o Folclore Gaúcho do Rio Grande do Sul é acervo popular antigo e espontâneo dos Gaúchos Campeiros do Pampa Sul-brasileiro. 

3.2 O trabalho folclórico no MTG Brasileiro 

No Tradicionalismo Gaúcho do Brasil, tanto as atividades folclóricas como as tradicionais gauchescas devem ter sua origem na cultura forjada pelos antepassados gaúchos campeiros do Pampa Sul-rio-grandense. O trabalho folclórico a ser desenvolvido no Movimento Tradicionalista Gaúcho Brasileiro, portanto, deve respeitar o antigo acervo popular e moral dos antepassados gaúchos pampeanos do Rio Grande do Sul. 

3.3 Exemplos de trabalhos com o Folclore Gaúcho do RS 

São exemplos de trabalhos culturais relacionados com o Folclore Gaúcho do Rio Grande do Sul:

a) o entendimento do conceito de Folclore Gaúcho Brasileiro;

b) a identificação das diferentes manifestações culturais do Folclore Sul-rio-grandense e do Folclore Gaúcho do RS;

c) o trabalho com jogos folclóricos no ensino de modelos de comportamento, regras, rituais, fatores indispensáveis para a garantia de um amadurecimento emocional saudável;

d) a pesquisa a respeito de brincadeiras antigas, com a realização das mesmas e a dispensa de brinquedos de alta tecnologia, valorizando o exercício corporal, propiciando, assim, seu respectivo  desenvolvimento;

e) o incentivo à indicação de aspectos práticos que compõem o Folclore e a Tradição Regional dos integrantes do grupo;

f) a confecção de bonecas de pano, em geral;

g) a confecção, quando possível, de bonecas de milho, feitas com espigas ainda sem os grãos, com os “cabelos”; e com cores variadas, de acordo com cada espiga, permitindo às meninas o brinquedo de penteá-los e trançá-los;

h) as brincadeiras lúdicas, como o conto de estórias e lendas por meio de personagens bonecas ou fantoches bonecos manipulados com as mãos e identificados com o Regionalismo Gaúcho Brasileiro;

i) as brincadeiras com versos de pular corda, com o desenvolvimento da motricidade, lateralidade, organização espacial e a memorização;

i) as cantigas como forma de desenvolvimento da musicalidade e da noção de ritmos relacionados com a Cultura Gauchesca;

j) as artes dramáticas, com forma de despertar o potencial criativo, como a interpretação de versos, quadras e poesias gauchescas; a confecção de fantoches com sucatas, de bonecos e bonecas, e a execução destes com motivos regionalista-tradicionais sul-rio-grandenses. 

III – Conclusão 

Diante da necessidade dessa separação do Folclore verdadeiramente Gaúcho daquele Folclore Sul-rio-grandense, abrangente a todo o Estado, importante é salientar que às Secretarias e aos Órgãos Públicos Governamentais do RS recai os deveres de culto, preservação, divulgação e ensino do Folclore Geral do Rio Grande do Sul, em cumprimento ao disposto na Lei Estadual/RS Nr 8.734, de 4 de novembro de 1988. E nesse estudo, naturalmente, também se encontra incluído, por ser maior e mais representativo de todo o Estado, o Folclore Gaúcho oriundo dos Antepassados Campeiros da Região do Pampa do Rio Grande do Sul. 

Por oportuno, esclareça-se que ao Movimento Tradicionalista Gaúcho Brasileiro organizado e suas Entidades Culturais Tradicionalistas filiadas, diante da sua previsão institucional-estatutária de representar a Cultura Regionalista-tradicional Gaúcha Sul-rio-grandense, cabe o culto, o zelo, a defesa, a preservação, a correta divulgação e a promoção do ensino do Folclore Gaúcho do Rio Grande do Sul, forjado pelo saber dos antepassados interioranos da Pampa Sul-rio-grandense, isto é, pelo saber popular dos antigos campeiros moradores “lá de fora”, da campanha do Rio Grande do Sul, nas suas lidas com o campo, o gado, os cavalos, as ovelhas e os demais afazeres próprios do Jeito Gaúcho e Regional de Viver dos habitantes do Núcleo da Formação Gaúcha - Folclórica e Tradicional - Sul-rio-grandense, dos homens e mulheres pampeanos do Sul do Brasil!

Fontes de consulta:

Laytano, Dante de. Folclore do Rio Grande do Sul: levantamento dos costumes e tradições gaúchas. Caxias do Sul: EDUCS. Porto Alegre: Escola Superior de Teologia. São Lourenço de Brindes, Martins Livreiro Editor, 1984.

Ribeiro, Paula Simon. Folclore: aplicação pedagógica. Paula Simon Ribeiro. Porto Alegre: Martins Livreiro, 1991.

Organização: José Itajaú Oleques Teixeira

BOMBACHA LARGA: na luta pela preservação das autênticas Tradições do Povo Gaúcho Sul-brasileiro!

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