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Os Muuripás:
Anu, Chimarrita, Balaio, Dança dos Facões e Chula

 

27/12/2011 16:41:13
TRADIÇÃO É PATRIMÔNIO ANTIGO, PRESERVADO E RETRANSMITIDO!
 
Bombacha não é calça e calça não é bombacha!
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A tradição - do latim traditione - é o ato de transmitir, entregar, de pais para filhos, os usos e os costumes antigos de um povo, no decorrer dos tempos, ao sucederem-se as gerações. Portanto, por uma questão de lógica, é de se concluir que a Tradição Gaúcha Brasileira também é a retransmissão, de forma preservada, de geração em geração, dos antigos usos e costumes forjados pelos antepassados gaúchos campeiros do Pampa do Rio Grande do Sul. 

Como um exemplo de tradição, podemos citar o kilt, o saiote escocês quadriculado. Uma criação do povo celta, que precedeu aos escoceses e irlandeses, o kilt é tido na Escócia como um símbolo nacional do traje masculino. Por fazer parte da tradição, naturalmente que a referida peça é, obrigatoriamente, antiga. E de acordo com as cores e o padrão xadrez de seu tartan, de seu tecido, ela está a representar as diversas famílias, os diferentes clãs, os antepassados dos povos escocês e irlandês. 

Mesmo assim, por razões mercadológicas, presente está no mundo da moda a exploração dessa tradição celta. Modelos são ofertados ao mundo, especialmente por meio do financiado meio artístico, sem qualquer correspondência com aquele antigo, tradicional, oficial e simbólico Traje Masculino da Escócia. Evidentemente que essas criações modistas de mercado, atuais, recentes, impostas pelos mercadistas, jamais poderão ser tidas como da antiga Tradição dos povos escocês e irlandês. 

Outro exemplo de tradição a ser citado é a centenária bombacha gaúcha do Rio Grande do Sul. Como qualquer dicionário atesta, ela é a calça larga típica, regional, campeira e tradicional, isto é, a antiga peça usada na região do Pampa Sul-brasileiro desde o final da Guerra do Paraguai (1870), marco do início da Era da Bombacha Sul-rio-grandense. 

Porém, da mesma forma que o kilt escocês e irlandês, também a calça larga tradicional do Rio Grande é motivo de exploração pelos mercados musical, crioulista-mercosurista, comercial-nativista, tchesista-urbano e country-texa-sertanejo, este último com influências econômico-financeiras sobre todos os demais. 

Mas, assim como o kilt dos mercados, descaracterizado nas cores e no padrão do xadrez de seu tartan, também as calças justas pregueadas, com alças no cós para as cintas urbanas, bolsos trazeiros e enfiadas nas partes só poderão ser consideradas como modismos integrantes dos fins comerciais texanos e seus financiados mercados de cavalos, musical, grifeiro e outros. 

Por isso, não é Tradição - regional, antiga, campeira - do Rio Grande do Sul as grifes comerciais, os conteúdos imorais, os ritmos e os compassos musicais adulterados, integrados, importados, desnaturados, deturpados, corrompidos, por artistas gaúchos e espaços midiáticos patrocinados pelos interesses essencialmente comerciais dos diversos e interligados mercados que exploram a Cultura Regionalista-tradicional Gaúcha Sul-rio-grandense, em vista dos consumidores sul-rio-grandenses, brasileiros ou platinos de todas as tendências possíveis e sem qualquer fronteira cultural. 

Diante dessas visíveis constatações, de nada valem os já batidos discursos dos mercadistas que importaram em 1993 provas e indumentárias comerciais em nada nativas nem crioulas nem tradicionais (antigas) do Estado do Rio Grande do Sul, como aquela velha cantilena de que a bombacha do Rio Grande nunca foi uma calça larga porque se assim o fosse o gaúcho campeiro sul-rio-grandense não poderia atravessar uma cerca de arames farpados; ou, então, aquele ladainha de que a bombacha larga teria sido usada apenas aos domingos, enquanto nas lidas do dia a dia o que o gaúcho do Rio Grande usara fora uma "bombacha estreita", como se, pela própria definição, a bombacha da Tradição Gaúcha do Rio Grande do Sul pudesse vir a ser uma calça texana. 

Essas, no entanto, são vãs tentativas do mercado country-brasileiro, presente em todos os demais mercados do Rio Grande do Sul, do Brasil e da América do Sul. Se antes, no período pós-II Guerra Mundial, eles conseguiram inculcar no Povo Gaúcho Sul-rio-grandense a estigmatização de grossura para quem ousasse a valorizar sua Cultura Regionalista-tradicional, agora aí estão, há mais de 15 anos, utilizando-se de temas como o cavalo crioulo do RS para venderem os seus produtos, suas indumentárias, seus estilos regionais, fomentando o seu bilionário mercado, o qual a todos e a tudo compra, inclusive a determinados folcloristas, certos gaúchos tradicionalistas, nossos artistas gaúchos, nossa mídia do jabá sem fronteiras e os nossos representantes políticos e suas cada vez mais caras campanhas eleitorais. 

É claro que, com suas repetidas e desgastadas falácias, com seus logros com aparência de verdade, todos continuam a ganhar dinheiro com o comércio dessa falsa tradição. Porém, a verdade paira acima de suas corruptas ações. Pois, até os brasileiros menos esclarecidos e os estrangeiros sabem que só pode ser Tradição de um povo aquilo que lhe é antigo e regional, e não o que lhe é importado, criado recentemente ou integrado, mesclado, misturado, corrompido, com fins meramente de comércio. 

Os mercados poderão criar um kilt longo e sem o quadriculado no tecido, vendê-lo aos modistas e faturar muito dinheiro pelo mundo todo. Mas esse modismo comercial jamais será confundido com aquele tradicional, oficial e simbólico Traje Masculino da Escócia. 

Da mesma forma, os mercadistas exploradores do Patrimônio Sociológico-tradicional - e, portanto, antigo - do Estado e do Povo Gaúcho do Rio Grande do Sul até podem financiar Bandas Nacionais, artistas gaúchos, provas comerciais, grifes, estilos e musics sem fronteiras dos crioulistasmercosuristasnativistas, tchesistas, country-sertanejos e outros mais; inclusive, e de forma indevida, no Movimento Tradicionalista Gaúcho Brasileiro organizado, o que há muito já ocorre. 

No entanto, nada disso deve ou deverá ser confundido com a regional, a antiga, a campeira Tradição do Rio Grande do Sul, com os autênticos e preservados usos e costumes dos antepassados Gaúchos do Pampa Sul-brasileiro, retransmitidos de pais para filhos, pelo tempo, pelas gerações, até os dias atuais!

Brasília, DF, 27 de dezembro de 2011.

BOMBACHA LARGA: na luta pela preservação das autênticas Tradições dos Gaúchos Sul-brasileiros!
ONTGB - OBSERVATÓRIO NACIONAL DO TRACIONALISMO GAÚCHO BRASILEIRO: o Mangrulho da Tradição dos Gaúchos Pampeanos do Rio Grande do Sul!

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