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Leopoldo Rassier:
Pilchas, de Luiz Coronel e Airton Pimentel

 

26/04/2008 19:14:57
A FORMAÇÃO DO ESTADO, DO POVO E DO FOLCLORE DO RS!
 
Rio Grande do Sul: História, Cultura Regional e Folclore
próprios de um Povo Gaúcho Sul-brasileiro, por opção e devoção ao Brasil!
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A FORMAÇÃO DO TERRITÓRIO, DO POVO E DO FOLCLORE DO

RIO GRANDE DO SUL

 

 

 

INTRODUÇÃO

 

A formação do território do Estado do Rio Grande do Sul está, obviamente, ligada à formação do Povo Gaúcho Sul-rio-grandense e repercute, por conseqüência, no seu respectivo Folclore.

 

O marco teórico deste estudo é a obra Folclore do Rio Grande do Sul: levantamento dos costumes e tradições gaúchas (Caxias do Sul, EDUCS. Porto Alegre, EST: Martins Livreiro Editor, 1984), do grande historiador e folclorista Dante de Laytano, o pioneiro da moderna pesquisa do folclore brasileiro, ex-professor na Faculdade de Filosofia da PUC-RS e na UFRGS, ex-Presidente da Academia Rio-Grandense de Letras, ex-Presidente da Academia Brasileira de História, ex-Presidente da Comissão Gaúcha de Folclore e um profundo conhecedor do Folclore Sul-Rio-Grandense.

 

Esse reconhecido trabalho de levantamento das Tradições Gaúchas Sul-rio-grandenses, realizado por Laytano, demonstrou, categoricamente, que a Herança Cultural do Rio Grande do Sul é essencialmente luso-brasileira, implantada por nossos antigos povoadores, tropeiros e militares, sendo que outras etnias não a modificaram, mas apenas completaram o quadro cultural instalado.

 

QUAL É A FORMAÇÃO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL?

 

 

Quando se fala na formação do Estado do Rio Grande do Sul está se falando da origem do seu território. E nesse aspecto histórico não há qualquer controvérsia. É desde os primórdios da formação territorial do Rio Grande do Sul, até 1801, que a Corte Portuguesa sempre disputou o extremo-sul do Brasil-colônia com a Corte Espanhola.

 

Portanto, na formação do território sul-rio-grandense não houve a contribuição positiva dos hispano-rio-platenses. Foram os portugueses, os açorianos, os luso-brasileiros, os bandeirantes, tropeiros, militares, de todas as regiões do Brasil, que ocuparam e asseguraram o domínio territorial do atual Estado do Rio Grande do Sul.

 

QUAIS SÃO AS ORIGENS DO POVO GAÚCHO SUL-BRASILEIRO E DO FOLCLORE DO RIO GRANDE DO SUL?

 

 

Laytano, com propriedade, afirma: “o Rio Grande do Sul foi, numa época do século XVIII, mais de 50% açoriano e os bandeirantes tropeiros, os militares, soldados e oficiais vieram das mais variadas regiões brasileiras, predominando Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, São Paulo e Pernambuco.

 

Os portugueses eram minhotos ou algarvias e de todas as regiões chegavam eles, ou beirões ou alemtejanos, do Douro ou Trás-os-Montes. E o folclore gaúcho repousa compacto nas etnias dos povoadores. Houve espanhóis e rio-platenses, porém em número limitado. O índio e o negro montaram o arcabouço deste folclore gaúcho, um folclore nitidamente luso-brasileiro, nossas puras raízes.

 

O espanhol e o rio-platenses ou as etnias alemãs, italianas ou polonesas completam o quadro, mas não o modificam. Acrescentam, mas não tocam no cerne, no fundo, na origem.

 

O quadro folclórico multiplica-se através da geografia dos povoadores. O predominante vem do início da formação do Rio Grande”. (p.11)

 

A origem do Folclore do Rio Grande do Sul está diretamente ligada à origem do Povo Gaúcho Sul-brasileiro. E esta, Laytano a demonstra com a seguinte classificação:

 

Etnias essenciais: português, índio e negro;

Etnias diversificadas: luso-açoriano e luso-brasileiro;

Etnias secundárias: hispano-rio-platense e judeus;

Etnias atuais: alemão e italiano;

Etnias menores: poloneses, japoneses, libaneses, holandeses, chineses, franceses, uruguaios, argentinos, espanhóis, ucranianos, russos e letonianos”. (p. 15-39)

 

Portanto, se o atual Estado do Rio Grande do Sul foi ocupado, conquistado e mantido pelos portugueses, açorianos, luso-brasileiros, negros e índios da região, é deles que se originou, predominantemente, o Folclore Gaúcho Sul-rio-grandense, assim como todos os usos e costumes campeiros tradicionais dos Gaúchos Sul-brasileiros.

 

A Tradição Gaúcha Sul-rio-grandense vem daquele tronco português-açoriano, negro e índio, não dos imigrantes ou dos simplesmente sul-rio-grandenses ou sul-brasileiros sem qualquer vínculo com as lidas campeiras interioranas da região Sul-brasileira. Se outros contribuíram para a formação do Povo do Estado do Rio Grande do sul ou para a formação do Folclore Geral do Estado, incluído nele o citadino - como se deu com os imigrantes, por exemplo -, nenhuma participação eles tiveram na formação da Tradição Gaúcha do Rio Grande do Sul, já forjada em período antecedente.

 

A formação mais recente do Povo Sul-rio-grandense, do Povo do Rio Grande do Sul, de uma forma geral, abarca a todos: gaúchos e não gaúchos; campeiros e citadinos, gaúchos ou sem qualquer vínculo com o campo e as tradições nele originárias, incluídos aí os diversos povos imigrantes, gaúchos ou sul-rio-grandenses.

 

Mas não devemos esquecer que a formação inicial do Povo Gaúcho Sul-Rio-Grandense se deu nas suas lutas pela Terra, contra o hispano-rio-platense. E é dessa formação que surgiram as suas tradições regionais, singulares, conforme a influência cultural dos formadores do seu território, do estrato social sul-rio-grandense em que viviam e do seu folclore pastoril.

 

 

Por isso, ao tratarmos dessas questões histórico-culturais devemos atentar para essas importantes particularidades, sob pena de estarmos aviltando o histórico e o cultural em eventual benefício do político e do comercial.

 

Mas para o Tradicionalismo Gaúcho Brasileiro não há como equiparar Povo Gaúcho Sul-brasileiro a Povo do Rio Grande do Sul - a maior parte deste "gaúcho" apenas por uma questão de identificação territorial, por abranger a todo e qualquer indivíduo que tenha nascido no Estado do Rio Grande do Sul, embora inexista, no geral, qualquer vínculo dos assim denominados com o Jeito Gaúcho de Viver dos moradores do interior Sul-rio-grandense; daqueles que praticam as lidas campeiras ou que se identificam com a cultura regional sul-rio-grandense; com as Tradições Gaúchas dos Campeiros do Rio Grande do Sul, valorizando-as, cultuando-as, preservando-as e repassando-as para as novas gerações.

 

O FOLCLORISTA E O TRADICIONALISTA GAÚCHO BRASILEIRO

 

 

Alguns “aspectos pontuais” do “folclore geral” - como as influências que um povo vizinho exerce sobre um outro, como a que ocorre com a linguagem, por exemplo -, devem ser entendidos como naturais, uma vez que isso se dá de forma recíproca, ou seja, no âmbito dos territórios circunvizinhos.

 

E com o fim de evitar que se estabeleça a confusão interpretativa no tocante ao que o folclorista visa e o Tradicionalista tem por fim, Dante de Laytano nos explica: "o levantamento do folclore do Rio Grande do Sul obedece a duas diretrizes: uma que examina o folclórico em toda a sua amplitude, desde as raízes dos costumes à sobrevivência do comportamento do gaúcho diante da realidade não só rural, campeira, pastoril e da fazenda, mas das áreas urbanas, das cidades e seus ângulos múltiplos - a imigração alterando o retrato das autenticidades antigas para um novo traço, com gente oposta àquela da época que se tem de chamar histórica. Assim é a pesquisa folclórica em si.

 

E a outra, que se atém à vida da estância - o folclore do ruralismo, o ciclo do cavalo, todo o imenso mar verde das coxilhas, a flora, a fauna, o churrasco, o gado, a ovelha, os trovadores, o violão, a gaita e o mundo largado do campeiro, patrão, capataz e peão, as prendas e as chinocas. Isto é o que se chama tradicionalismo, que alimenta clubes de cultivo intenso do espírito das fazendas, das corridas, das domas, do laço, da faca, das boleadeiras, das bombachas, do arreio, e o ciclo admirável da vida no campo, onde impera a evocação sagrada do cavalo e do gado.

 

 

O tradicionalista se define como um cultor do popular e o folclorista, como um coletor do anônimo; entretanto, os dois devem estar presentes na leitura dos textos da história do Rio Grande do Sul, história da gente e história dos fatos...

 

Tradição e folclore, dois agentes que fabricam a seiva da literatura dos costumes, oral e ditada, ou escrita ou pesquisada, mas na sobrevivência da glória do gaúcho exuberante na afirmação de sua brasilidade posta em dúvida, sem razão de ser, como um jogo metafísico a negar a lealdade pela pátria luso-brasileira. Erro de visão a corrigir-se. Somos uma porção brasileira. Espanhol? Por quê? Nem conta, tão insignificante seu contingente.

 

Na fronteira viva, a inter-relação da vizinhança precisa ser regada para o bom tratamento da terra de ambos os lados. Mas é um confinamento, fenômeno sociológico em bases comuns. A influência fronteiriça tem, em toda a extensão, laivos recíprocos. O tradicionalismo e o folclore são duas correntes, mas uma só idéia que se dirigem para a defesa e explicação dos hábitos gauchescos em sua plenitude". (p. 14-15)

 

Assim, precisamos ter a consciência de que a Tradição Gaúcha Sul-rio-grandense que o Movimento Tradicionalista Gaúcho Brasileiro cultua, defende, preserva, transmite às novas gerações e divulga é aquela tradição campeira dos interioranos do Rio Grande do Sul, formada na época da conquista do território sul-rio-grandense, não a que é própria das regiões uruguaias ou argentinas nem os modismo e as invencionices do mercado citadino de hoje, impostos aos Gaúchos e aos Tradicionalistas Gaúchos, no Rio Grande do Sul e no Brasil.

 

Quanto à reclamada grande influência da língua espanhola no vocabulário gauchesco sul-rio-grandense, a existência dela se dá dentro da normalidade, diante da proximidade territorial, mas não da forma preponderante como pretendem os que defendem essa tese. Quanto a isso, Dante de Laytano aponta que "a linguagem do gaúcho é inteiramente açoriana... Os gauchismos em plena circulação são de procedência açoriana, pelo menos 80%. Mas é abundantíssima a influência... O caudilhismo no Rio Grande se atenuou graças ao açoriano, como explica Aurélio Porto; assim o caudilhismo do gaúcho brasileiro não tem a violência sanguinária do gaúcho platino... O folclore gaúcho é um folclore açoriano, principalmente” (p. 23-24)

 

Assim, dúvidas não há de que tanto o Folclore como a Tradição Gaúcha do Rio Grande do Sul, ambos têm as suas bases no jeito próprio de viver dos seus formadores essenciais: os portugueses, açorianos, luso-brasileiros, índios e negros. Nem uma geografia parcialmente comum nem a lida campeira com o gado irão delinear a Identidade Cultural de cada um dos Povos Gaúchos do Cone Sul. O que determina suas marcas regionalistas são as características próprias dos seus formadores principais: português-açoriano de um lado; espanhol do outro.

 

Dante de Laytano, novamente, enfatiza: "o Legado e as Etnias pretende demonstrar que a herança que persiste no gaúcho é exclusivamente luso-brasileira. O gaúcho-brasileiro, para distinguir do gaúcho argentino, uruguaio, paraguaio, é de formação autônoma, e não se deve confundi-lo como outros gaúchos.

 

A herança, que é legado, ampara-se por completo nos povoadores e sua procedência. Assim, o Rio Grande do Sul foi, numa época do século XVIII, mais de 50% açoriano e os bandeirantes tropeiros, os militares, soldados e oficiais, vieram das mais variadas regiões brasileiras, predominando Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, São Paulo e Pernambuco... O espanhol e o rio-grandense ou as etnias alemãs, italianas ou polonesas completam o quadro, mas não o modificam. Acrescentam, mas não tocam no cerne, no fundo, na origem. O quadro folclórico multiplica-se através da geografia dos povoadores. O predominante vem do início da formação do Rio Grande". (p.11).

 

CONCLUSÃO

 

 

 

Conclui-se, portanto, que a formação do território do Estado do Rio Grande do Sul deu-se pela ação dos portugueses, açorianos, luso-brasileiros, negros e índios; que, conseqüentemente, a formação inicial do Povo Gaúcho Sul-Rio-Grandense tem a sua origem nessas mesmas etnias formadoras do território sulista-brasileiro; que, por óbvio, o Folclore Sul-Rio-Grandense originou-se desse mesmo Povo Gaúcho Sul-rio-grandense, assim como toda a sua Tradição Campeira, que, infelizmente, hoje vem sendo assassinada, dizimada, desnaturada por interesses de mercado; daqueles que assaltam a Cultura Regional dos Gaúchos Sul-brasileiros, em busca dos seus objetivos meramente comerciais.

 

Quanto à influência da língua espanhola no vocabulário gaúcho sul-rio-grandense, ela é perfeitamente normal, natural, pois também o português influenciou o léxico dos países vizinhos do Cone Sul, em conseqüência da proximidade territorial existente entre os Gaúchos do Rio Grande do Sul e os "Gauchos" do Uruguai e da Argentina.

 

 

Além disso, semelhante contribuição também foi recebida dos negros e dos índios. É de se levar em consideração, ainda, que certos interesses de ordem mercantilista sempre tentarão, em prol dos seus interesses comerciais, afrontar essas e outras verdades históricas, disponíveis para o estudo e a pesquisa na vasta bibliografia nacional e estrangeira.

 

Citamos, por oportuno, outra vez, o historiador e folclorista Dante de Laytano: “A influência espanhola no Rio Grande do Sul tem sido exagerada por alguns pesquisadores, principalmente alguns do princípio deste século, que se fixaram na idéia geográfica e na força da fronteira como veículos transmissores deste contágio. Interessante é que não ocorreu a tais autores que o sistema de fronteira viva ou a contingência geográfica seriam fatores inter-relacionados, e que também do lado de cá os luso-brasileiros deitavam suas raízes sobre as pátrias vizinhas. O que de fato aconteceu”! (P. 28)

 

 

 

Fonte:

Laytano, Dante de. Folclore do Rio Grande do Sul: levantamento dos costumes e tradições gaúchas. Caxias do Sul, EDUCS. Porto Alegre, Escola Superior de Teologia São Lourenço de Brindes, Martins Livreiro Editor, 1984. 

 

Para conhecer mais sobre o tema, consultes:

 

A COLONIZAÇÃO LUSO-BRASILEIRA DO RIO GRANDE DO SUL –

http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq000/esp363.asp

 

A COLONIZAÇÃO DO RIO GRANDE

http://www.riogrande.com.br/historia/colonizacao3.htm

 

O RIO GRANDE DAS CHARQUEADAS –

http://groups.msn.com/ontg/general.msnw?action=get_message&mview=0&ID_Message=368&LastModified=4675665439426630496

 

OCUPAÇÃO E POVOAMENTO DO RIO GRANDE DO SUL (XVII-XIX) –

http://terrasdosul.pampasonline.com.br/historiars.htm

 

IMIGRAÇÃO AÇORIANA

http://assisbrasil.org/imigra.html

 

A OCUPAÇÃO DO SUL DO BRASIL –

http://www.paginadogaucho.com.br/bibli/anita-01.htm

 

FAFAEL PINTO BANDEIRA

http://www.resenet.com.br/ahimtb/cangureenchist.htm#rafael

 

DANTE DE LAYTANO –

http://www.paginadogaucho.com.br/pers/dl.htm

 

José Itajaú Oleques Teixeira

BOMBACHA LARGA: na luta pela preservação das autênticas Tradições do Povo Gaúcho Sul-brasileiro!

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