Usuário:
 
  Senha:
 
 

Mano Lima e seu filho
Pedro Vargas de Lima
:
Quando eu crescer

 

12/01/2008 13:55:35
O CONTINENTE: ISMÁLIA CARÉ - DE ÉRICO VERÍSSIMO
............................................................................

Livro do Mês - O continente

6. Ismália Caré

Substrato histórico: o surgimento da oposição republicana e abolicionista. (PRR - Partido Republicano Rio-grandense).

Duração: 1884

Argumento

Em 1884, Santa Fé é elevada à categoria de cidade. O Coronel Bento Amaral ainda domina politicamente, mas Licurgo Cambará representa a oposição republicana que já não aceita a hegemonia da oligarquia monarquista. O ódio entre as duas "casas" fica latente numa cavalhada festiva, em que se enfrentam "mouros" e "cristãos", e o que deveria ser encenação quase vira um confronto sangrento.

No plano pessoal, Licurgo vai se casar com sua prima Alice Terra (filha de Florêncio). A irmã dessa, Maria Valéria Terra também o ama, mas sufoca seu afeto proibido. Independentemente dos amores que desperta, o Cambará sente-se preso sexualmente a Ismália Caré, filha de um agregado pobre que vive num rancho, na fazenda do Angico.

Sob a influência de um bacharel baiano que vive em Santa Fé, Toríbio Rezende, Licurgo torna-se republicano e abolicionista fanático, libertando seus próprios escravos. Na noite da libertação, ele vem a saber que Ismália Caré está grávida e decide que a amante "vai botar o filho fora", isto é, que precisa abortar.

Além disso, há referências neste episódio a respeito da morte de Luzia. Surge também um personagem interessante, o sacerdote Atílio Romano, italiano de nascimento e formação, brasileiro de coração, magnífico orador e intransigente defensor da miscigenação étnica e da paz entre os grupos que se hostilizam na província.

O que destacar em Ismália Caré

a) O quadro vivo da contenda política entre as frações dirigentes (Amaral versus Cambará), cujos rancores e ódios já estão latentes antes da República e do triunfo do castilhismo.

b) A ambigüidade moral de Licurgo perante a sua futura esposa, Alice, pois não pretende se livrar (nem se livrará) da amante, Ismália Caré.

c) A sua ambigüidade ética no caso da libertação dos escravos. Apesar da grandeza de seu gesto, subjetivamente ele sente raiva e irritação com "aqueles negros" que pisam na sala do Sobrado, alguns aturdidos e outros, arrogantes.

d) O surgimento de Maria Valéria Terra, cunhada de Licurgo, de grande importância em episódios seguintes.

............................................................................
  Autor: por *Sergius Gonzaga
  Observações: * Professor de Literatura Sul-Rio-Grandense da UFRGS.

 
Nome:
Cidade:
Estado:
País:
E-mail:
(O E-mail não é Publicado no Comentário)
Sítio:
Comentário:
   
 
Untitled Document