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Wilson Paim:
Chasque ao Vento, de Edegar Torres,
Luis C. Coelho, Wilson Paim e
Neimar Xavier

 

11/05/2007 18:41:24
O CLARIM FARROUPILHA
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Era um humilde. Duas coisas, apenas, bastavam para encher sua vaidade de modesto filho de posteiro gaúcho: seu clarim e a irredutível fidelidade a Bento Gonçalves. Em Sarandi, Índia Muerta, Passo do Rosário, Jaguarão, onde quer que o herói estivesse e pelejasse, lá estaria Antonio Ribeiro transmitindo vozes de comando, pelas notas sonoras de seu instrumento. Em 19 de setembro de 1835, na estrada de Viamão, numerosa cavalaria descançava. Os cavaleiros, com os animais seguros pela rédea, sem abandonar a ordem de marcha, fumavam, sentados na relva, fazendo comentários e prognósticos sobre os acontecimentos que começavam a desenrolar-se. Afastados da tropa, Bento Gonçalves e Onofre Pires falavam, em voz baixa, trocando impressões e combinando planos. A poucos passos, o velho clarim permanecia em silêncio, de pé, apoiando-se sobre o cavalo encilhado, o olhar atento aos menores gestos do chefe. Em todo momento, este faz um sinal e, logo, Antonio Ribeiro, levando o metal à boca, dá o toque de “sentido”, sem adivinhar, certamente, que esse toque acordava o Rio Grande para uma luta de dez anos. Os cavaleiros montam vivamente e, guiados por Onofre Pires, iniciam a caminhada vitoriosa para a conquista de Porto Alegre. Daí por um decênio, o clarim não cessou de vibrar. Taquari, Vacaria, Rio Pardo, São José do Norte, Alegrete, Pelotas, Triunfo, Ponche Verde... Toques frementes de avançar, clarinadas alegres de vitórias, notas melancólicas de retiradas, entre lamentações de derrotas. Durante dez anos... Sonorizando as coxilhas, sobrepondo-se ao zunido dos ventos fortes, em dias invernosos, acordando os rebanhos e os quero-queros, nas calmas noites de verão, rolando harmoniosa e clara pelas canhadas do pago. Em 1847 tocou pela última vez, quando descia ao seio da terra o corpo do chefe idolatrado. Depois emudeceu. Mais tarde, quando o levaram à sepultura anônima, respeitaram-lhe a última vontade, sepultando com ele o clarim, seu companheiro inseparável de toda a vida. No entanto, já muitos anos depois, andantes ou campeiros retardatários que, em noites de grande calma, cruzavam a planície adormecida, acreditavam ouvir notas sonoras, como de um clarinar distante. Era, diziam, a alma de Antonio Ribeiro vibrando seu velho clarim de guerra, chamando os lutadores tombados no pampa, para recomeçar a grandiosa e heróica epopéia dos Farrapos! (O Clarim Farroupilha, in LESSA, Barbosa. Antologia Ilustrada do Folclore Brasileiro – Estórias e Lendas do Rio Grande do Sul. São Paulo: Livraria Literart Editora, 1960. p. 245)

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  Autor: Texto selecionado por Barbosa Lessa
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20/07/2007 09:23:24 Euraclides Gonçalves da Silva - Brasilia-DF / DF - Brasil
Linda estória que acredito mais como historia viridica de Antonio Ribeiro, e seu clarim; Ribeiro parente de minha mãe e de Bento Gonçalves parente do meu pai. É com muito orgulho que digo pois meu pais forão guereiros descendente de farropilhas que refugiaram nas costeira do Rio Iguaçu Pr. Na fuga meu avô com meu bisavo deixaram tudo, conseguiram salvar apenas um casal de criança Claro Gonçalves da Silva e Silvana ambos bebes de 2 e 4 anos e nunca mais tiveram contato. Hoje quase centenarios vivendo em Guarapuava e Curitiba Pr.
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