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12/01/2008 13:56:33
O CONTINENTE: O SOBRADO - DE ÉRICO VERÍSSIMO
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Livro do Mês - O continente

7. O Sobrado

Substrato histórico: toda a ação transcorre em três dias de junho de 1895, nos estertores da Guerra Civil entre republicanos ("chimangos") e federalistas ("maragatos").

                                                                                                                          Ilustração: Herrmann Wendroth

Argumento

Vencendo seu medo, o maragato José Lírio chega na torre da igreja, de onde se domina o quintal do Sobrado e, conseqüentemente, o poço de água que garante a sobrevivência dos Cambarás e de seus homens. No entanto, ao pensar nas mulheres e nas crianças que estão na casa fortificada, José Lírio acaba errando intencionalmente o tiro no chimango que, em desespero, tentava buscar água no poço para matar a sede dos sitiados. Esta capacidade de tolerância e de compreensão "daqueles que estão no outro lado" não são compartilhadas por Licurgo Cambará, que se recusa a pedir trégua aos maragatos, tanto para cuidar dos feridos e sepultar os mortos, quanto para atender sua esposa, Alice Terra, que está em trabalho de parto e necessita de urgentes cuidados médicos. Inflexível e autoritário, Licurgo não aceita os olhares recriminatórios do sogro, Florêncio Terra e da cunhada, Maria Valéria, mesmo que a esposa e a criança corram perigo de vida. Para ele seria um ultraje à honra solicitar a complacência dos inimigos.

O resultado de sua intolerância é que a menina nasce morta e é enterrada no porão da casa, cheio de ratos. Também o sogro, Florêncio, provavelmente enfraquecido - durante o cerco não havia mais nada a comer senão laranjas - termina morrendo no final do episódio, logo após o fim do cerco do Sobrado, com o abandono da cidade pelas forças maragatas.

Na última página, Bibiana Terra já catacega e meio caduca, pede silêncio a Fandango, que ia lhe levar a notícia da morte de seu sobrinho, e apontando para janela onde o vento uiva, diz: "Está ouvindo?".

O que destacar em O Sobrado

a) O brilhante jogo entre vida e morte, representado pelo parto de um lado e pela guerra, de outro. Torna-se evidente o pacifismo do autor, pois o machismo, o sentido de honra e a inflexibilidade ideológica de Licurgo Cambará são completamente impugnados no andamento do episódio.

b) A "covardia" de José Lírio que, na verdade, obriga-o a superá-la através da legítima coragem, produzida pela vitória sobre o medo. Além disso, o referido protagonista rompe com a intolerância e com o radicalismo políticos, mostrando-os como repugnantes à consciência humanista.

c) Não por acaso o começo de O continente (O Sobrado I) se dá com ele, José Lírio, ou seja, um indivíduo que coloca o respeito à condição humana acima das ideologias e interesses que arrastam os homens para a guerra. Este livro sobre a guerra começa, na verdade, com um libelo a favor da paz.

d) O aparecimento - ainda que de modo periférico - dos dois irmãos, Toríbio e Rodrigo, tendo este último papel decisivo nos livros subseqüentes.

e) A presença, agora mais intensa, de Maria Valéria Terra com idêntica função de Ana Terra e de sua tia-avó, Bibiana. A mesma força interior, a mesma resistência silenciosa, o mesmo desprezo pela violência guerreira dos homens.

f) A particularização - através do cerco do Sobrado - da mais sangrenta e cruel de todas as lutas rio-grandenses, a Guerra Civil (1893-1895) com seu terrível rosário de crueldades, degolas, estupros e terrorismo de Estado, este desenvolvido pelos autodenominados "progressistas" da época: Júlio de Castilhos e sua horda republicana.

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  Autor: por *Sergius Gonzaga
  Observações: * Professor de Literatura Sul-Rio-Grandense da UFRGS.

 
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