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Iguaria Campeira - Sina de Andejo

 

19/11/2005 10:55:51
O ARROZ-DE-CARRETEIRO DO RIO GRANDE DO SUL!
 
Luau Farroupilha 2005, da AGPN-Associação dos Gaúchos Praianos do Natal,
Praia da Via Costeira, Natal-RN!
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Cruzadas, pousadas, estrelas, luar; fogo de chão, chimarrão, ração. Rodar, devagar. Tempo, lento. Nos pousos, o arroz-de-carreteiro. Mantas de charque e cereal: mantimentos preservados. Herança culinária regional; patrimônio cultural regionalista-tradicional! Nobre cardápio crioulo das primitivas jornadas, nascido nas carreteadas do Rio Grande abarbarado, por certo, nisso inspirado, o xiru velho campeiro te batizou de "Carreteiro", meu velho arroz com guisado. Não tem mistério o feitio dessa iguaria bagual: é charque, arroz, graxa, sal; é água pura em quantidade. Meta fogo de verdade, na panela cascurrenta. Alho, cebola ou pimenta, isso conforme a vontade. Não tem luxo, é tudo simples, pra fazer um carreteiro. Se fica algum "marinheiro", de vereda vem à tona. Bote, se houver, manjerona, que dá um gostito melhor, tapiando o amargo do suor que, às vezes, vem da carona. Pois em cima desse traste, de uso tão abarbarado, é onde se corta o guisado, ligeirito, com destreza. Prato rude, com certeza, mas quando ferve em voz rouca, deixa com água na boca a mais dengosa princesa. Ah! Que saudades eu tenho dos tempos em que tropeava, quando de volta me apeava num fogão, rumbeando o cheiro. E por ali, tarimbeiro, cansado de bater casco, me esquecia do churrasco, saboreando um carreteiro. Em quanto pouso cheguei de pingo pelo cabresto, na falta de outro pretexto, indagando algum atalho, mas sempre, ao ver o borralho, onde a panela fervia, eu cá comigo dizia: - chegou de passar trabalho! Por isso, meu prato xucro, eu me paro acabrunhado ao te ver falsificado na cozinha do povoeiro, desvirtuado, por dinheiro, à tradição gauchesca: guisado de carne fresca não é arroz-de-carreteiro. Hoje te matam a míngua, em palácio e restaurante, mas não há quem te suplante, nem que o mundo se derreta; se és feito em panela preta, servido em prato de lata, bombeando a lua de prata sob a quincha da carreta! Por isso, quando eu chegar n’algum fogão do além-vida, se lá não houver comida já pedi a Deus, por consolo, que junto ao fogão crioulo, quando for escurecendo, meu mate-amargo sorvendo, a cavalo n’algum tronco, escute ao menos o ronco de um "Carreteiro" fervendo! (Arroz de Carreteiro, de Jayme Caetano Braun)

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19/06/2010 20:25:12 Ivo Leovaldo Pires Pereira - Gravataí / RS - Brasil
Amigo José Itajaú, por uma destas e outras é que me demiti do cargo de Conselheiro da Fundação Cultural Gaúcha do Rio Grande do Sul. As aberrações estão campeando as nossas autênticas Tradições, com dirigentes preocupados em abarrotar as suas guaiacas pessoais, não se preocupando com as mais puras e autênticas preservações do nosso rico Movimento Tradionalista Gaúcho e Brasileiro.
Sítio: *****
19/11/2009 00:28:01 Fernando Almeida - Canoas / RS - Brasil
Eu fui carreteiro em São Gabriel R/S. Muito cortei charque no canzil para fazer o meu arroz de carreteiro!
Sítio: http://fernandoalmeidapoeta.blogspot.com/
19/11/2008 07:55:21 José Itajaú Oleques Teixeira - Guará / DF - Brasil
E dizer que o tradicional Carreteiro Gaúcho do Rio Grande já foi corrompido pela "Entidade Maior do Movimento Tradicionalista Gaúcho Brasileiro organizado", a CBTG - Confederação Brasileira da Tradição Gaúcha, no seu ato de publicar, para o mundo, por meio do endereço eletrônico http://www.cbtg.com.br/_sitio/diversos/mostra.php?tipo=Receitas&cod=16 , uma receita de "carreteiro na cerveja". Não é nem preciso dizer que aquele Órgão Tradicionalista Confederativo, agindo dessa forma, deu um péssimo exemplo às suas Entidades Tradicionalistas Federativas filiadas, por estar contrariando a própria Filosofia do MTG Brasileiro, a ser cuidada, protegida e cumprida por aquela Entidade Maior do Tradicionalismo Gaúcho Brasileiro organizado, a qual, dentre outros princípios, orienta Entidades e Cidadãos Tradicionalistas para que todos venham a "preservar o nosso patrimônio sociológico representado, principalmente, pelo linguajar, vestimenta, arte culinária, forma de lides e artes populares" e a "zelar pela pureza e fidelidade dos nossos costumes autênticos, combatendo todas as manifestações individuais ou coletivas que artificializem ou descaracterizem as nossas coisas tradicionais" (itens VI e XX da Carta de Princípios do Movimento Tradicionalista Gaúcho Brasileiro). Será que assim agindo a CBTG teria, ainda, condições morais para exigir de seus filiados a devida observância aos fins culturais e filosóficos de atuação tradicionalista, preservacionista, conservadorista da autenticidade dos usos e costumes tradicionais dos gaúchos campeiros do Pampa Sul-brasileiro; das Tradições Regionais do Estado e do Povo do Rio Grande do Sul?
Sítio: http://www.bombachalarga.com.br
24/11/2005 23:18:54 José Itajaú Oleques Teixeira
Prezado Zatti. Acredito que estejas se referindo à letra da música Bugio de Capela, que tocava neste sítio. Bem. O termo "cavalo" não está limitado ao animal do sexo masculino, mas estende-se também à égua, cuja montaria, para alguns campeiros é até melhor para uma campereada! Portanto, hoje não há nenhuma impropriedade em um gaúcho andar "a cavalo" numa égua, seja para ir ver a namorada, para o passeio ou para a lida campeira. O que a literatura registra é o fato de que, por haver um número muito grande de cavalos no Rio Grande do Sul, ao final do século XIX, os gaúchos, daquela época, só montavam cavalos, deixando as éguas só para cria. Mas isso foi naquele tempo... Esperamos que esta explicação tenha servido para esclarecer eventuais dúvidas em relação à montaria atual dos Gaúchos Campeiros do Sul do Brasil! Um abraço!
Sítio: http://www.bombachalarga.com.br
17/11/2005 11:46:47 Carlos Zatti
Bueno, se o peão fosse a cavalo, como nos indica a literatura, vá lá. Mas este foi namorá montado numa égua, chê! ! ! Barbaridade!
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