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Domador Ventena

 

25/11/2005 10:21:08
O SANGUE DE GAÚCHO DOS CAMPEIROS DO RIO GRANDE!
 
Bagual da Tropilha Sossego, de Cachoeira do Sul-RS!
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Em homenagem ao Dia Internacional do Doador de Sangue, postamos aos prezados amigos visitantes o texto A arte de ginetear, de Raul Annes Gonçalves, em honra ao sangue derramado pelos gaúchos do Rio Grande, nas revoluções, nas guerras e nas suas rudes lidas campeiras de peões de estância do Pampa Sul-brasileiro. Na Mangueira, um potro, depois de laçado pelo pescoço e derrubado no chão, deve ser sujeito. Isso é feito por dois homens. Um segura-lhe as orelhas ou topete, evitando, assim, que levante a cabeça. Outro pega-lhe a cola, para que não possa erguer-se nas patas traseiras. Já firme no chão, outro gaúcho enfia-lhe o buçal, e, em seguida, bota-lhe a maneia nas patas. O domador, então, coloca-lhe bocal junto com a rédea. Está pronto o serviço no chão. Antes de fazer o animal levantar, um campeiro ata-lhe a cola. Só de um nó ou de galhos, nunca de anel. Depois do potro já de pé e seguro por dois ou três homens, com um sovéu no fiador do bucal, outro gaúcho, esperto e ágil, pega-lhe da orelha, tapando o olho com o antebraço e com a outra mão segura firme o fiador do bucal. Nesta posição, o potro está pronto para ser encilhado. O domador é quem encilha. Nos primeiros galopes não se põe o enxergão, vai logo a carona no lombo. Depois o serigote. Em seguida, a cincha, esta não é apertada no sovaco, nem no meio da barriga, mas sim no osso do peito. Firme a cincha, bota-se o rabicho. Logo vêm os pelegos; estes, neste caso, devem ser curtos e poucos, e são apertados com a sobre-cincha. Os estribos devem ser mais curtos do que para campeirear. Não se bota peiteira. Encilhado o potro, o que está orelhando solta-o, a fim de que ele possa dar uns passos para ver qual será sua intenção: corcovear, bolear-se no chão ou disparar. Feita essa prova, torna-se a orelhar-se o animal e aí tira-se a maneia das patas. Está pronto para ser montado. O ginete, se é aprendiz, dirige-se para o potro com o semblante sério, revelando receio e precaução. Se experimentado na lida, acende um cigarro, tapeia o chapéu bem para a nuca, e rindo, com o rabo de tatu enfiado no pulso, aproxima-se com calma do animal, mete o cabresto em baixo dos pelegos, segura as rédeas bem parelhas e curtas junto à cabeça do serigote e botando o pé no estribo, com a outra mão,  a esquerda, no fiador do buçal, sem fazer peso, com agilidade, enforquilha-se nos arreios. Já montado, o ginete pisa forte nos estribos, balança o corpo para verificar se tudo está bem firme, atira o corpo bem para trás e, olhando firme para as orelhas do potro, grita: “Larguem no mais o bicho!”. O que está orelhando, já com o sovéu desapresilhado, solta o fiador e a orelha do potro, dando-lhe um tapa no focinho. O bicho, ao ver-se livre, dá um arranco, mete a cabeça entre as mãos e sai campo fora, aos corcovos, berrando e bufando. O domador no início não deve surrar o potro. É de bom agouro conhecer seu jeito de corcovear, o jogo que tem no corpo, seu balanço. Depois sim, tem que lhe baixar o rabo de tatu. Com as esporas procurando riscar-lhe das paletas até as virilhas. O corpo firme, inclinado para trás, nunca deve ladear. Se perigar sair dos arreios, se firmará por baixo com as esporas. A maior segurança do ginete está nas rédeas. Se o potro cair, o domador deve soltar os estribos, abrir as pernas e apartar-se dos arreios como puder, a fim de não ficar apertado sob o animal. E se rodar, deve procurar “pisar na orelha” e sair correndo na frente do potro antes que esse o alcance e passe-lhe por cima. Estas façanhas eram realizadas por aqueles homens intrépidos, que arriscavam a vida naquelas brutalidades, com um riso estampado no rosto. Sangue de gaúcho que lhes corria nas veias, nada mais! (Gonçalves, Raul Annes. Mala de Garupa: costumes campeiros. Porto Alegre: Martins Livreiro, 1999; 3a ed., p. 71-72)

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