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Paixão Côrtes:
Foliões da Santa Igreja

 

29/12/2005 16:18:10
AS VELHARIAS TRADICIONAIS E OS MODISMOS DE MERCADO!
 
Paixão Côrtes
com a Chama Crioula da Tradição do Rio Grande, em 1947!
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“Houve época em que quase ninguém mais pensava em tradições Rio-grandenses. Procurava-se destruir tudo o que eravelharias”. Quanto à tradição geral, usos e costumes, tudo andava esparso, perdido, vivendo precariamente em um ou outro recanto no Rio Grande do Sul. Salvara-se alguma coisa através das poesias de Bernardo Taveira Júnior; as lendas de João Simões Lopes Neto; a coleta deste, de poesias populares e mais algumas poucas coisas colhidas aqui e ali, como músicas divulgadas no “Almanaque” de Alfredo Ferreira Rodrigues. E nada mais... A não ser a memória e o vivenciar galponeiro do nosso homem pastoril. De resto, nada, nada. É possível que houvesse àquela época uma tendência a uma espécie de modernidade, quase generalizada a qualquer preço e forma! Até a palavra “gaúchosoava pejorativamente à sociedade Rio-grandense! A ordem geral dos maiores centros do País, irradiadores das “modas”, era: mudar para “melhor”, “evoluir”, “desenvolver”, imitar as “novas” que vinham do além-mar europeu ou seguir os “moldes” dos EUA – padrão USA – de qualquer maneira. Ressaltava-se, outrossim, que se deveria manter a orientação traçada na área educacional federal brasileira no ensino, enfatizando-se na cultura do País a importância dos sarcófagos, das pirâmides egípcias, dos Czares Romanos, das lutas das Cruzadas, da invasão mourisca à Península Ibérica, a Revolução Francesa, as Guerras Napoleônicas, etc. Isto sim era importante para a Cultura do Brasil... Mas, o bonito era copiar tudo do estrangeiro; “viver” manifestações alienígenas; consumir especialmente as sobras militares de guerra que os norte-americanos procuravam nos meter goela abaixo, juntamente com seus hábitos de vestir e suas expressões culturais, numa tentativa de desfigurar a nacionalidade do povo brasileiro e nos manter dentro de sua esfera de vassalagem. Enfraquecia-se a cultura tradicional Rio-grandense e a cultura brasileira se via ameaçada por forte pressão, agora sob o impacto dos veículos de comunicação de massa. Os Estados Unidos haviam ascendido a uma posição hegemônica no mundo ocidental e tal como Espanha ou França, em etapas anteriores, tornava-se o principal centro de irradiação de “modas e culturas”. A onda era o estrangeirismo, o americanismo, o modismo e tantos outros “ismos” vindos de fora. Para as “novas”, o “polo irradiador” de nosso padrão “Made in USA” valia-se, para tanto, do cinema, do disco, dos livros “best-sellers”, de histórias em quadrinhos traduzidas exemplarmente nas figuras do “Capitão América” e dos “Super-Homens”. A psicologia coletiva urbana sul-rio-grandense evidentemente refletia esse fluxo de hábitos corriqueiros, assimilados por grande parte do povo do Brasil. O nosso folclore só era citado por um número pequeno de estudiosos e praticamente desconhecido sob a forma de Ciência. Vale lembrar-se, no entanto, entre essas figuras, o nome magnífico de Cezimbra Jacques (considerado hoje o patrono do Movimento Tradicionalista Gaúcho) e do ciclo dos Grêmios e Clubes Gaúchos de 1898 a 1910 ...” (Paixão Côrtes, João Carlos D’Ávila. “Tradicionalismo Gaúcho: nascer, causas e momentos”. Ed. Lorigraf. Caxias do Sul: 2001). Nos dias hodiernos, após o episódio da queda do muro de Berlim, vivemos época análoga a do período pós-Segunda Guerra Mundial. “Halloween”, por exemplo, passa a ser uma festa tradicional no Brasil e incautos trocam nossas indumentárias típicas por roupas de culturas estranhas. Usos e costumes tradicionais são aviltados por interesses comerciais estrangeiros. E a ética cultural passa a ser desprezada como há muito tem sido a pessoal e a política partidária. Enfim, continuam hoje os mesmos interesses de outrora. Paixão Côrtes e outros bravos estudantes reagiram àquele estado de coisas. Apesar de tudo, acreditamos nos jovens de hoje e no seu poder de reação. É tempo de novamente dizer um não a esses exploradores e um sim à nossa genuína cultura gaúcha e brasileira. Por tudo o que fez e ainda faz pelo culto, defesa, preservação e divulgação da Cultura Regionalista-tradicional Gaúcha Sul-rio-grandense é que este espaço cultural tradicionalista gaúcho, o sítio Bombacha Larga, homenageia o folclorista Paixão Côrtes, esse grande peleador na árdua luta em prol do renascimento e da valorização do rico Patrimônio Sociológico-tradicional Gaúcho Brasileiro! Parabéns a João Carlos D'Ávila Paixão Côrtes: o Laçador da Tradição dos Gaúchos Campeiros do Pampa do Rio Grande do Sul!

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