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Os Serranos e Teixeirinha:
Santa Catarina

 

27/06/2006 00:49:42
OS “PÉS-COM-PAIA”, DE LAGES-SC, NA REVOLUÇÃO DE 93!
 
PTG Campeiros do Irapuá, de Caçapava do Sul!
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Dos lados do Passo do Socorro chegou um próprio, com a notícia de que os Lanceiros de Gumercindo Saraiva tinham invadido o Rio Grande por Aceguá e se incorporado, em Bagé, aos maragatos de Silveira Martins. O chasqueiro entregou a Panchito – o Gaudério de Cambajuva – um lenço vermelho e uma patente de Capitão. E uma incumbência: preparar um Esquadrão de Cavalaria que deveria estar “prompto” – como se escrevia naquela época – para se integrar à Brigada do General Gumercindo, que planejava avançar até o Rio de Janeiro para “degolar o tirano Floriano Peixoto”. Joaca Bugio, às custas de muita promessa e bordados, reuniu uns poucos voluntários assustados e, já com as divisas de 1. Sargento, apresentou-se ao Comandante. Mas, com as notícias de revolução, quem tinha montaria as escondia no mato; e, assim, faltaram animais. O que era para ser um luzidio Esquadrão de Lanceiros virou um mero Piquete de Cavalaria... a pé. Sem remédio, remediado está. Panchito e Joaca Bugiu trataram logo de instruir os recrutas na ordem unida. O problema era que ali ninguém sabia qual pé era o direito ou o esquerdo. E era brabo ficar gritando o tempo todo: “pé-do-lado-de-laçar”, “pé-do-lado-de-montar”. Foi então que o Capitão Panchito teve a brilhante idéia que passou a ser adotada, daí por diante, em todas as revoluções que se seguiram: amarrou uma palha de milho no pé esquerdo da caboclada. Como não tinham providenciado tambor, o Sargento Joaca Bugiu cadenciava a marcha do pessoal comandando: “pé-com-paia”, “pé-sem-paia”, “pé-com-paia”, “pé-sem-paia”... Finalmente chegou o dia da partida. Panchito carneou duas vacas, fez charque, carregou três cargueiros. E na saída desfilou sua tropa em homenagem ao chefe maragato da região – o Compadre Joaquim. Cavalgando o zaino Saitê, de espada ao ombro, envergando uma farda de Capitão da Guarda Nacional, emprestada pelo Coronel Pâmphilo, o Comandante ia à frente. A pé, logo atrás, o Sargento Joaca Bugiu. Em seguida, numa desajeitada coluna por três, os quinze heróis, descalços, armados de facões, porretes e foeiros de camboim. Joaca Bugiu cadenciava o desfile urrando o “Pé-com-paia”, “Pé-sem-paia”. Ao chegar à frente do palanque, o Capitão Panchito Gaudério de Cambajuva abateu a espada em continência e comandou forte: - Oiá pro Compadre Joaquim! Quando os três cargueiros, que cerravam a fila, cruzaram corcoveando ante as autoridades, veio a ordem final: - Dezoiá! E foi assim que o Gaudério de Cambajuva partiu com seus “Pés-com-paia” para o Cerco da Lapa... (Costa, Mário Camargo. O Gaúdério de Cambajuva)

 

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27/06/2014 17:00:31 carmem suzanita teixeira dos santos - caçapava do sul / RS - Brasil
Adorei a foto. E a coragem dos Pés-com-paia!?
Sítio: *****
27/06/2008 15:49:05 Mano - Florianópolis / SC - Brasil
Demorou, mas finalmente vi fundamento neste sítio. Ler sobre a história enriquece meu olhos, além de difundir a cultura Sulista. Aproveito a oportunidade para comentar sobre a República Juliana, que aos 24 de julho de 1839 foi proclamada através de Giuseppe Garibaldi e David Canabarro, unindo Santa Catarina ao Rio Grande do Sul, num mesmo ideal farrapo, e colocando também Anita Garibaldi como protagonista de uma história que será contada de geração em geração, através dos tempos!
Sítio: http://parceirosdailha.vilabol.uol.com.br
27/06/2007 08:40:07 Leonardo - Tapejara / RS - Brasil
A história gaúcha é muito emocionante. Vai aqui uma ideia aos governos municipais e estadual do Rio Grande: incrementar a disciplina de História do Rio Grande do Sul nas cadeiras escolares. Um grande abraço!
Sítio: *****
30/06/2006 07:37:15 Renê de Lima Costa - Alegrete / RS - Brasil
Parabéns pela reportagem. Ela só vem a enriquecer a nossa cultura, dando origens a termos que muitas vezes são usados sem se saber o teor ou de como surgiram.
Sítio: *****
Listados 4 Comentários!
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