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Luiz Carlos Borges:
Negrinho do Pastoreio, de Barbosa Lessa

 

09/08/2008 21:14:11
NEGRINHO DO PASTOREIO!
 
Negrinho do Pastoreio:
uma lenda genuinamente gaúcha sul-rio-grandense!
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No tempo dos escravos havia um estancieiro muito ruim, que levava tudo por diante, a grito e a relho. Naqueles fins de mundo fazia o que bem entendia, sem dar satisfação a ninguém. Entre os escravos da estância havia um negrinho encarregado do pastoreio de alguns animais, coisa muito comum nos tempos em que os campos de estância não conheciam cerca de arame; quando muito alguma cerca de pedra erguida pelos próprios escravos, que não podiam ficar parados, para não pensar bobagem... No mais, os limites dos campos eram aqueles colocados por Deus Nosso Senhor: rios, cerros, lagoas. Pois, de uma feita, o pobre negrinho, que já vivia as maiores judiarias às mãos do patrão, perdeu um animal no pastoreio. Pra quê! Apanhou uma barbaridade, atado a um palanque. E depois, cambaleante, ainda foi mandado procurar o animal extraviado. Como a noite vinha chegando, ele agarrou um toquinho de vela e uns avios de fogo, com fumo e tudo, e saiu campeando. Mas nada! O toquinho acabou, o dia veio chegando, e ele teve que voltar para a estância. Então, foi outra vez atado ao palanque. E desta vez apanhou tanto que morreu, ou pareceu morrer. Vai daí o patrão mandou abrir a "panela" de um formigueiro e atirar lá dentro, de qualquer jeito, o pequeno corpo do negrinho, todo lanhado de laçaço e banhando em sangue. No outro dia, o patrão foi com a peonada e os escravos ver o formigueiro. Qual não foi a sua surpresa ao ver o negrinho do pastoreio vivo e contente, ao lado do animal perdido. Desde aí o Negrinho do Pastoreio ficou sendo o achador das coisas extraviadas. E não cobra muito: basta acender um toquinho de vela ou atirar, em qualquer canto, um naco de fumo. (Fonte: Fagundes, Antonio Augusto. Mitos e Lendas do Rio Grande do Sul. Martins Livreiro Editor: Porto Alegre, 1996.)

 

 

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