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Miguel Marques:
No Agosto da Alma

 

23/08/2006 09:51:26
AS INVERNIAS SULINAS!
 
Vida de Galpão: reparos de garras, causos e chimarrão!
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Lá fora, a lâmina fria das geadas de julho fere, com esporas de cristal, o lombo largo das coxilhas. Os campos tiritam de frio. O minuano sopra forte seu hálito gelado sobre os poros da pampa. Descabelando a melena verde dos arvoredos. Arrepiando as águas mansas dos açudes. Alisando a maciez das macegas. Trincando os vitrais sinuosos das sangas. Cá dentro, no aconchego dos ranchos, o balé das labaredas incendeia os bamburrais das almas solitárias, ressuscitando os fantasmas que assombram seus sonhos. A cada nova invernia, a vida reinventa em nós as sementes de sol não plantadas no passado. E quanta saudade antiga arde ao calor das chamas! E quanta paixão escondida rebrilha ao rubro das brasas! E quanta esperança esquecida alça voo, em silêncio, nas asas frágeis da fumaça! Depois, entre goles amargos de mate, tudo agoniza em cinzas, feito mero fogo morto. Ao pé dos braseiros, impunes às penas que apunhalam nossas almas, os cuscos cochilam na paz morna dos borralhos, num sono solto e sem sonhos... (Invernias, de Sílvio Genro)

 

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23/08/2006 16:52:11 Leonidia Correa Meyer Russomano - Porto Alegre / RS - Brasil
Que lindo este texto! Que saudade da minha ¨terra de coração¨, Uruguaiana. Que emoção ver que o texto é de um grande historiador uruguaianense! Parabéns pela escolha do texto!
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23/08/2006 13:22:23 Nara Elizene Porto Alves - Eldorado do Sul / RS - Brasil
Linda matéria! Se eu não fosse gaúcha, pediria a Deus pra que na próxima reencarnação eu nascesse gaúcha. Amo essa terra, querido torrão natal, pois como o Rio Grande, afinal, eu nasci pra tradição. Qualquer contato pode ser feito através do meu e-mail ou do fone 51 91551499. Sou do CTG Porteira da Tradição e gosto de recitar alguns versos por este chão. Acho que é o sobrenome que dá força e garra aos PORTO. Um fraterno abraço!
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