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Erlon Péricles e Carlos Omar Vilela Gomes:
Tradição de Glória - Tema da Sem Farroupilha 2006

 

18/09/2006 08:13:13
TRADIÇÃO DE GLÓRIA, PRESERVADA E COM HISTÓRIA!
 
A parintisação dos importados Desfiles Temáticos e os seus ornamentados artificialismos!
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música-tema da Semana Farroupilha de 2006 foi Tradição de Glória, de Erlon Péricles e Carlos Omar Vilela Gomes, autores da melodia e da letra, respectivamente. Buscando mostrar a diversidade de etnias na formação do gaúcho sul-rio-grandense, a canção sagrou-se vencedora de um concurso envolvendo outras vinte e quatro composições. A Comissão Julgadora que elegeu Tradição de Glória esteve formada pelos músicos Alexandre Brunetto, Raimundo Benaduce Jr, Luis Carlos Borges e Vinicius Brum, do IGTF. A letra de música escolhida começa valorizando a Pilcha Gaúcha Sul-rio-grandense, como um importante fator caracterizador da Cultura Gaúcha Brasileira: Aquele moço que se achega bem pilchado, sangue índio temperado no legado das Missões; ao lado a moça, pele negra, tão bonita, traz a África descrita nos seus passos e paixões. Nosso Rio Grande, que se expande sol a sol, fez o sonho do espanhol misturar-se ao italiano; vem um gaúcho, todo jeito de alemão, partilhando o chimarrão com o amigo açoriano. E assim se faz nossa gente desde antes de Sepé... Tantas raças diferentes construindo a mesma fé! E assim se faz o Rio Grande desde antes de Sepé... Tantas crenças, tantos sangues, e o gaúcho está de pé! VAI, CORAÇÃO GAÚCHO; VAI, TRADIÇÃO DE GLÓRIA: FALA DE SINA E SORTE, QUE TEU SANGUE CORRE FORTE NAS VEIAS DA NOSSA HISTÓRIA! As diferenças tão na pele, tão no sangue, mas quem fez nosso Rio Grande não precisa ser igual; são tantas gentes, pelos campos e cidades, que plantaram suas verdades, construindo um ideal. Almas gaúchas de raízes bandeirantes e outros povos imigrantes desbravando novas trilhas; se no passado peleamos de adaga e lança, hoje erguemos a esperança na bandeira farroupilha! A letra, naturalmente, cumpriu um fim mais político que propriamente histórico. Há grande distinção entre a formação daquele Povo Gaúcho Campeiro do Pampa do Rio Grande do Sul, que forjou os usos e os costumes tradicionais, preservados até hoje, de um Povo Sul-rio-grandense sem a alma dos gaúchos interioranos e sem qualquer identificação com a cultura regionalista-tradicional do Estado Sulino. Além disso, observar-se que o tema abordado pela Semana Farroupilha de 2006, tal com revelado, esteve inclinado, politicamente, mais para os interesses do mercado turístico do que para os histórico-culturais. Ao tratar da formação do atual povo sul-rio-grandense, o tema distanciou-se da verdadeira formação do gaúcho, este entendido como o campeiro do Rio Grande do Sul que lidava com o gado e era exímio cavaleiro; os genuinamente gaúchos, surgidos na região do Pampa Sul-rio-grandense. Porém, em virtude dos eventuais interesses do setor turístico, abordou-se na música-tema da Semana Farroupilha de 2006, no Rio Grande do Sul, a formação de toda a população sul-rio-grandense. E quanto aos imigrantes, quando estes chegaram ao Rio Grande, usos e costumes gaúchos tradicionais já se encontravam firmados por um gaúcho campeiro com base étnica no tripé português-açoriano-luso-brasileiro, índio da terra e negro levado para a região como escravo. Por isso, o tema mais apropriado para a referida música-tema poderia ter sido Assim de fez o Povo Sul-rio-grandense, pois é cediço que aqueles que possuem o espírito dos gaúchos campeiros do Pampa do Rio Grande estão, na realidade, reduzidos a uma pequena parcela da população daquele Estado Garrão-sul do Brasil. Não há dúvidas de que todos os imigrantes muito contribuíram na formação de certos aspectos do folclore e da cultura regionalista sul-rio-grandense, como na implantação de costumes europeus, nas áreas da culinária, da religião, da caça e muitas outras. Contudo, essa contribuição não ocorreu na construção da Tradição Regional dos Gaúchos Campeiros do Pampa Sul-rio-grandense. E se é certo que também muito contribuíram para o progresso do Estado, para o fortalecimento de sua economia, certo também é que os imigrantes não fixaram os limites territoriais do Rio Grande do Sul. Dizer, portanto, que assim se fez o gaúcho desde antes de Sepé pode proporcionar ao público da Semana Farroupilha uma noção histórica falsa, pois Sepé Tiaraju morreu quatro anos após a chegada dos açorianos ao Estado do Rio Grande do Sul, enviados pelo governo português, não havendo, nessa época, nem imigrantes alemães nem italianos, faltando, ainda, a completa afirmação de uma das pernas do tripé étnico formador do gaúcho campeiro do Rio Grande do Sul, constituída pelo português-açoriano-luso-brasileiro. E, pela mesma razão, não havia, ainda - antes de Sepé - tantas raças diferentes construindo a mesma fé. O que havia, naquele início de século XVIII, eram portugueses, índios, negros e pouquíssimos espanhóis, estes em reduzidíssimo número e limitados pela conturbada disputa pela região: portugueses de um lado; espanhol-rio-platenses do outro, cujo verdadeiro sonho era conquistar todo o Rio Grande porguguês da época. Enfim, apesar das impropriedades históricas propaladas no tema da Semana Farroupilha de 2006, e do decorrente esquecimento dos verdadeiros Heróis do Decênio Heróico do Rio Grande, em troca dos referidos e crescentes interesses do mercado turístico sul-rio-grandense, não perdemos de todo a esperança no crescimento da valorização do verdadeiro sentido das comemorações do Dia 20 de Setembro, qual seja o de ressaltar os feitos heróicos de nossos antepassados na luta por dignidade, cultuar e divulgar nossas autênticas e regionais Tradições e festejar o Dia do Gaúcho Brasileiro, este, por vezes, nem lembrado nesses cada vez mais rebuscados, parintinsados, carnavalizados e coloridos Desfiles Farroupilhas do nosso Grande Rio Grande do Sul!

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