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Francisco Vargas:
Mordendo a perna do freio

 

10/10/2006 06:33:34
O VERDADEIRO CRIOULISMO E AS TENDÊNCIAS NÃO NATIVISTAS - II
 
Tradição não se inventa; se cultua e se vive!
é o lema do DTG Fogo de Chão, de Alecrim-RS!
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(continuação...) O crioulismo gaúcho sul-rio-grandense, enquanto sentimento regionalista que é, não deve ser confundido com o comercial crioulismo dos mercadistas de cavalos crioulos de todo o Cone Sul-américa, cujas práticas, grifes e estilos nada têm de crioulos do Rio Grande. Como tal, o crioulismo gaúcho nativo do Estado do Rio Grande do Sul exige um tratamento prioritário na valorização da Cultura Gauchesca Sul-rio-grandense, nos atos de culto, preservação, retransmissão e correta divulgação das antigas Tradições Regionais dos Antepassados Gaúchos Campeiros do Pampa do Rio Grande do Sul. A bombacha mais estreita dos serranos, por exemplo - mas não a calça justa, pois esta nem bombacha nem indumentária tradicional dos gaúchos sul-rio-grandenses é -, somente pode ser tida como crioula, regional, da região dos Campos de Cima da Serra, em virtude das influências dos birivas paulistas e dos imigrantes chegados àquela região, mas nunca como crioula do Núcleo da Formação Gaúcha do Rio Grande do Sul, que é o Pampa Sul-brasileiro. O que significa dizer que todos os regionalismos serranos não pertencem à Tradição Gaúcha do Rio Grande do Sul, tais como o anel do lenço, a faca do lado do corpo, o chapéu chaparral-sertanejo, as cores fortes. Já o chapéu de aba larga e copa baixa, escuro, tapeado, com barbicacho de couro; os lenços de pescoço crioulos, nativos, regionais, históricos do Rio Grande do Sul, atados com os nós regionalista-tradicionaismas não os finos, curtos, pretos, estampados, escondidos, virados, texanos, folclóricos, triangulares, exagerados, usados por fora da gola da camisa, à meia espalda, não pertencentes à atual Tradição Gaúcha do Rio Grande-, são usos e costumes crioulos da Tradição dos Gaúchos Brasileiros porque nativos do referido Núcleo da Formação Gaúcha Brasileira: a região do Pampa Sul-rio-grandense. No mesmo sentido a boina – mas não a colorida, caída na orelha, das importações sem fronteiras, que nem argentina nem uruguaia nem sul-rio-grandense é e a alpargata são peças da indumentária crioula da região da Fronteira Sul-rio-grandense, por influência dos vizinhos castelhanos; enquanto as botas amarelas, baias, de cano baixo, pelo uso reiterado naquela região, são crioulas, regionais, da Serra Sul-rio-grandense, mas não do Pampa Sul-brasileiro, onde forjou-se a Tradição Gaúcha do Rio Grande do Sul. As botas da Tradição Gaúcha Brasileira, portanto, são as russilhonas pretas ou marrons, em seus variados tons. As cuias muito pequenas, sem abas no bocal e revestidas com prataria são crioulas da Argentina ou do Uruguai, mas não do Pampa do Rio Grande do Sul, onde a Tradição Regional revela cuias simples, de porongo grosso e maior tamanho, e com aba no bocal. As bombas de chimarrão tradicionais do Rio Grande, ao contrário das platinas, possuem uma pitanga, isto é, não são as lisas. Assim é com o arreamento ornado de metais dos platinos, cuja prataria fere a origem portuguesa-açoriana dos gaúchos brasileiros e a simplicidade de uma Tradição formada por peões de estância, sem poder aquisitivo capaz de ostentar tais peças. Enfim, crioulismo gaúcho brasileiro significa o que é nativo da Terra Gaúcha Sul-rio-grandense, cuja Tradição originou-se do Pampa Sul-brasileiro. Por isso, o que é crioulo de um lugar, comumente não o será de um outro. Por esses motivos é que Gaúchos e Gaúchas do MTG Brasileiro organizado devem primar pela Identidade Cultural Regionalista-tradicional do Rio Grande do Sul, firmada pelos antigos gaúchos campeiros na região do Pampa Sul-brasileiro. E se destoarem desse mandamento cultural, então, que pelo menos estejam trajados e se utilizando dos antigos usos e costumes gaúchos tradicionais sul-rio-grandenses em conformidade com o crioulismo de sua região de origem, por uma questão de coerência cultural regionalista sul-rio-grandense. Para exemplificar, o uso da faca atravessada nas costas é da Tradição do Rio Grande do Sul, uma vez que próprio dos antigos gaúchos pampeanos que forjaram o Patrimônio Sociológico-tradicional do Estado Sulino. Já os serranos a usam regionalmente do lado do corpo, à esquerda, como já foi citado, em função das influências dos birivas e dos italianosEntretanto, tradicional do Rio Grande é o que advém do Núcleo Formador da sua antiga Tradição Regional, ou seja, o que é oriundo dos antepassados gaúchos campeiros de sua região pampeanaInfluências paulistas antigas ou atuais e as imposições comerciais, modistas, mercadistas de hoje, nunca foram, não são e jamais poderão ser consideradas como da Tradição Gaúcha do Rio Grande do Sul, por não serem crioulas da Cultura Regionalista-tradicional Sul-rio-grandense, forjada nas suas lidas de campo com o gado, os cavalos, as ovelhas e os demais serviços campechanos. Dessa forma, antes de o gaúcho brasileiro, especialmente no MTG, valorizar o que é dos outros deve - ou deveria, por um dever cultural regionalista-tradicional e uma obrigação moral -, reverenciar aquilo que é nativo de seu chão; aquilo que é próprio e peculiar do seu Torrão Natal; o que é autenticamente crioulo da antiga Tradição dos Antepassados Gaúchos Campeiros do Pampa do Rio Grande do Sul! 

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10/10/2009 14:35:21 Leandro Sérgio - Brasília / DF - Brasil
Pelo meu e-mail já dá para ver quem eu sou. Eu achei de muita propriedade este artigo. Que ele seja enviado a todos os MTGs e CTGs, espalhados pelo nosso País, e seja lido, para que tomem consciência do que é ser gaúcho. Agradeço a oportunidade de dar o meu aval. Um "quebra costela" ao machario e o meu carinho às prendas. Abços!
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10/10/2006 20:34:39 José Itajaú Oleques Teixeira - Guará / DF - Brasil
Prezado Maicon. O espaço do BL é aberto a todos os seus visitantes e visa justamente a discussão destas e outras questões importantes referentes ao Tradicionalismo. No que se refere ao teu questionamento, no último comentário postado, informamos-te que não há contradição entre as respectivas matérias citadas. Uma reafirma que gaúcho é um estado de espírito. A propósito, conheço cearense mais tradicionalista que muitos gaúchos nascidos no Rio Grande do Sul. Além disso, há um enorme número de gaúchos que nasceram em Santa Catarina, Paraná e outros Estados do Brasil, com uma forte identificação com o modo de vida dos gaúchos campeiros do Rio Grande do Sul. A outra matéria apenas revela uma constatação: se há muitas e substanciais diferenças entre os usos e os costumes locais dos gaúchos do próprio Estado do Rio Grande do Sul (serranos, missioneiros, fronteiriços e da campanha), é natural que haja, também, entre gaúchos brasileiros, uruguaios e argentinos uma série de diferenças culturais regionalista-tradicionais. Defendemos a fidelidade aos usos e costumes crioulos, isto é, de cada local, como forma de evitar-se a perda daquilo que foi, é e deverá sempre ser tradicional e que, na esteira da globalização, está correndo o risco de ser modificado, por conta dos poderosos interesses de mercado. Para exemplificar: não é culturalmente coerente que Tradicionalistas, em plena Semana Farroupilha, venham a preparar pratos da culinária típica da Argentina ou da Espanha, ou que permanceçam no Parque da Harmonia, em Porto Alegre, no Acampamento Farroupilha, pilchados como autênticos gaúchos argentinos, sendo que são índios nascidos e criados nos pagos de São Gabriel, Vacaria ou São Luiz Gonzaga, por exemplo. Fatos como esses, se partirem de Tradicionalistas vinculados a um CTG, configurar-se-ão verdadeiros assassinatos culturais regionalistas. Para finalizar, cito outro exemplo: se eu sou nascido e criado na Região da Campanha Gaúcha e passar a me trajar como um autêntico gaúcho serrano estarei deixando de cultuar e preservar as tradições de minha Terra, da minha Região, as minhas raízes. Poderei fazê-lo, sem dúvida. No entanto, agindo assim, estarei faltando com a devida coerência cultural regionalista-tradicional, procedimento este esperado de todos aqueles que se intitulam Tradicionalistas Gaúchos Brasileiros. É isso! Agradeço-te as importantes participações, pois é por elas que o espaço se torna mais enriquecido no seu conteúdo e poderá atingir melhor os seus objetivos culturais. Saudações Tradicionalistas e um quebra-costelas cinchado a esse gaúcho macanudo e tradicionalista!
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10/10/2006 18:02:08 Maicon - oliveira.maicon@gmail.com - Brasilia / DF - Brasil
Amigo José Itajaú, li a matéria, e saiba que me identifiquei bastante... acho que aquela matéria é bem pertinente... mas não haveria uma grande contradição com o que tem nela escrito e o que é apresentado na matéria AS DIVERSIDADES ENTRE GAÚCHOS E “GAUCHOS”! do dia 02 do corrente mês???? Olha!!! Sei que parece que estou aqui só pra criar polêmicas e confusões... mas vou até evitar de aqui ficar escrevendo... mas é que tem muita coisa que eu acho errada... inclusive nos estatutos e "REGRAS" impostas... Mas a vontade de Ver a TRADIÇÃO crescer e ser um movimento mais forte.. me deixam até CHATO!!! desculpas e um forte quebra costelas
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10/10/2006 14:45:34 Cássio - Medianeira / PR - Brasil
A la pucha! Acredito que estamos finalmente antenando nossas idéias. A modernidade às vezes é perversa, mas temos que conseguir tirar dela o lado bom. Por exemplo, se não fosse a internet, não poderíamos estar criando estas discussões. Ao mesmo tempo que ela afasta as pessoas, ela pode aproximar, desde que bem usada. Uma das formas mais utilizadas atualmente para difundir o tradicionalismo é a Internet. E é bem isso, vamos utilizá-la para fazer o mundo conhecer a tradição gaúcha. Não vamos fazer como era até algum tempo atrás. os CTGs eram restritos (muitos ainda são), um grupinho de amigos. Um mau uso do CTG, pois assim, as pessoas não se aproximam. Quando o CTG aparece, ele chama atenção, faz os simpatizantes se aproximarem e assim a tradição segue seu rumo para a posteridade. Então, usando a tecnologia a nosso favor, não vamos perder a identidade verdadeira dos gaúchos do Brasil. E se bamo peleando a lo largo.
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10/10/2006 12:43:32 José Itajaú Oleques Teixeira - Guará / DF - Brasil
Parabéns ao Xiru Velho! Muitos CTGs estão precisando de bons exemplos como o teu. Embora não tenham as normas um caráter impositivo, elas são orientadoras e educativas. Se mesmo com a existência delas o Tradicionalismo tem descambado para o absurdo, imagine se não existisse regra alguma! Entendemos serem necessárias, principalmente no apoio cultural aos que se achegam ao Tradicionalismo. É certo que todos nós temos alguma crítica a fazer a determinadas imposições regulamentares. O BL, mesmo, conforme algumas das matérias arquivadas, muitas críticas já externou nesse sentido, especialmente às mudanças que contrariam a Carta de Princípios Tradicionalistas do MTG. Mas defendemos um mínimo de coerência cultural no Meio Tradicionalista. Caso contrário, essa crescente desnaturação da Tradição Gaúcha Sul-rio-grandense acarretará em um sério comprometimento da verdadeira Identidade Cultural do Povo Gaúcho Brasileiro! Agradeço-te a prestimosa colaboração! Um forte quebra-costelas!
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10/10/2006 12:12:07 Cássio - Medianeira / PR - Brasil
Prezado José Itajaú! Na qualidade de tradicionalista, vinculado a um CTG, é que venho trazer essas contribuições. Quando eu questiono sobre a forma de se vestir, não quero dizer que não concordo com o MTG, uma vez que concordo com muitas coisas que estão nos Estatutos. Não sou a favor das deturpações, mas também não concordo com os ortodoxos, pois alguns parecem querer viver no passado, sem acompanhar o passo do mundo. Quem não é vinculado ao tradicionalismo organizado, como tu disses, vista-se como bem entender. Aos que seguem, prestem atenção nos Estatutos, mas não cometam absurdos, como obrigar os homens a usar só camisa branca com lenço vermelho (já vi dessas), proibir o uso da camisa remangada (é absurdo). è quanto aos absurdos ortodoxos e pragmáticos que não concordo. Exigências descabidas expulsam os tradicionalistas dos CTGs, criam inimizades. Só para terminar, cito meu caso. Não tenho rastras, não tenho bombachas argentinas, não uso lenços estampados, tomo mate brasileiro, não uso chapeu copa alta, só o chimango. Tenho boina (italiana, que não julgo errada, está na minha história). Ou seja, não cometo deturpações, mão também não cometo absurdos pragmáticos e radicais. E que mal Há nisso, eu culto a tradição, não um uniforme. um Quebra costelas!! e Viva a Tradição.
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10/10/2006 11:34:52 José Itajaú Oleques Teixeira - Guará / DF - Brasil
Prezados colaboradores do BL, Maicom e Cássio. Em resposta aos questionamentos e observações constantes dos comentários postados por ambos, peço ao amigo Maicon que, por gentileza, acesse a matéria do dia 12.08.2005, na seção "matérias" do BL. Lá será encontrada a resposta e o devido esclarecimento sobre o tema "quem é gaúcho?". Ao Cássio, respondemos o seguinte: aos sul-rio-grandenses não tradicionalistas, assim como aos que se consideram gaúchos de coração, mas que também não são tradicionalistas, resta o sagrado direito de vestir o que bem entender. Afinal, o livre arbítrio ainda é uma garantia constitucional assegurada ao Povo Brasileiro. Quanto aos Tradicionalistas Gaúchos, integrantes de Entidades Tradicionalistas vinculadas ao Tradicionalismo Gaúcho Brasileiro organizado, estes certamente seguirão as diretrizes do respectivo MTG para o uso da autêntica pilcha dos gaúchos brasileiros. O estilo a ser seguido, sendo uma escolha individual, como bem ensina Paixão Côrtes, é de ser respeitado, mas deve estar sintonizado com o patrimônio sociológico-tradicional herdado pelo Povo Gaúcho Sul-brasileiro, dos seus antepassados. Portanto, seja o serrano, o missioneiro, o da campanha, fronteiriço ou de qualquer parte do país ou do mundo, um Tradicionalista Gaúcho seguirá preservando, sempre, o particular, típico e tradicional Jeito Gaúcho de Viver dos Campeiros do Pampa do Estado Garrão-sul Brasileiro. Afinal, Tradição Gaúcha Brasileira é isso: repasssar, de pai para filho, pelas gerações, de forma contínua, espontânea e preservada os autênticos usos e costumes regionalista-tradicionais forjados pelos gaúchos campeiros do Núcleo da Formação da Tradição Gaúcha Sul-rio-grandense: o Pampa do Rio Grande do Sul! Um quebra-costelas a todos!
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10/10/2006 10:19:54 Maicon - oliveira.maicon@gmail.com - Brasilia / DF - Brasil
Cássio... Concordo plenamente e digo mais!!! Se depender do que falaste, eu nem me pilchar posso... pois não sou nascido no RS, e nem tenho parentes que lá nasceram... Mas o proprio Presidente do MTG-RS (não sei se ainda o é)- Manoelito Savaris, disse que sou gaucho... Já que cultuo as tradições... Ah, outra coisa, achei muito bem escrito seu comentário no tópico passado! Falaste muito bem, e ao meu ver fez o certo... Defendeu a TRADIÇÃO, sem pensar em Privilegiar A ou B...
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10/10/2006 10:04:30 Cássio - Medianeira / PR - Brasil
Buenas! Muito explicativa e bem esclarecedora a matéria de hoje. No entanto, para não ser diferente dos demais comentários que fiz, seguem algumas questões. Quem não é gaúcho da Serra, nem da Campanha e nem das Missões, ou seja, aquele que cultua a tradição gaúcha. no Mato Grosso, no Paraná, no Distrito Federal, ou em qualquer outra parte do Brasil, deve se basear em qual critério para se vestir? Deverá fazer uma árvore genealógica para saber qual pilcha deve usar? Ou deverá usar aquela que achar mais bonita? Ou aquela pela qual tem mais simpatia? Não sou do Rio Grande e moro em uma Região colonizada por Riograndenses de várias regiões. Aqui houve uma mescla. Isso não é diferente das demais regiões colonizadas pelos gaúchos. Então, ficar "preso" a esses detalhes para se vestir não dá certo. É importante saber, e aí o vivente escolhe a pilcha e pronto, tá pilchado. Para que não haja erros, o CTG deve orientar. Aí é só seguir a vida, cultuando a tradição nos mais distantes pagos.
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