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Teixeirinha Filho:
Papai Noel, de Teixeirinha

 

23/12/2006 00:28:06
UM NATAL CRIOULO GAÚCHO!
 
Natal: presentes ao Aniversariante Divino Tropeiro Jesus!
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Coxilha Bonita. Dezembro. Mês do Natal e da Festa de Passagem de Ano. Seu Bento, um tradicionalista gaúcho defensor da autenticidade de sua cultura regional, não aceitava as imposições seculares de uma comemoração natalina nada condizente com as coisas de seu rincão. O avô de Maneco preferia a solidariedade ao consumismo, a alegria à melancolia, a confraternização à desagregação familiar provocada pela obrigatoriedade da troca de presentes. Para o Velho Gaúcho deveria prevalecer a Filosofia de Cristo, que a cada ano que passava mais contrariada estava sendo. Os mandamentos cristãos há muito não eram mais observados. Familiares, vizinhos, todos disputavam entre si a melhor festa, a melhor mesa posta com produtos estranhos aos nossos, os melhores presentes. O veterano Bento, decididamente, discordava de tudo isso. Um dia antes daquele Natal, como de costume, o velho avô convidou seu neto para irem até os ranchos pobres da vizinhança. Levavam nas malas de garupa alguns produtos como comidas, roupas e alguns brinquedos. Eram presentes para os recém-nascidos, as crianças pequenas e os idosos. Maneco, curioso como qualquer piá de sua idade, ao apeiar do cavalo para abrir a porteira existente no corredor perguntou: - Vô Bento, por que o senhor dá presente aos piazitos dos vizinhos pobres e pra mim nada? Bento, enquanto aguardava Maneco montar seu cavalo - pois ainda tinha dificuldades para alçar a perna -, respondeu: - Meu neto, quando Cristo nasceu ele foi presenteado por três Reis Magos. Hoje, em homenagem ao Seu nascimento não temos de presentear uns aos outros, mas as crianças mais pobres que não têm as condições ideais para um bom desenvolvimento; e também aos idosos carentes, na prática da caridade que Jesus ensinou aos HomensPor isso, com este gesto estamos simbolizando o nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo e homenageando-O na figura dessas pobres crianças e dos mais necessitados. Entendeu? Maneco limitou-se ao “hã-hã”, mas seguiu pensativo. Porém, apesar dos seus sete anos de idade logo concluiu que os argumentos de seu velho avô tinham mesmo fundamento. Deu-se conta de que na Estância dos Eucaliptos o Natal consistia em uma comemoração alegre, festiva. E a única preocupação dos participantes era com as suas presenças. O resto ficava por conta da alegria e das comemorações do nascimento de Cristo. Na véspera, realizavam o Terno de Reis, com os familiares, a vizinhança e os amigos; na Ceia Natalina a família reunida comemorava a chegada do Menino Jesus, saboreando os pratos mais típicos do lugar e apreciados por todos. No Dia de Natal o almoço era churrasco assado no chão, como nas grandes festas de casamento. Carne havia de gado, ovelha, porco; e de frango caipira, para os que não comessem carne vermelha. O acompanhamento eram saladas de maionese e de cebola com tomate; pão caseiro, farinha, abóbora e batata-doce. As bebidas servidas eram o vinho e os sucos de frutas. De sobremesa o doce de abóbora, o sagu de vinho e o arroz com leite. O banquete era servido na sombra de um arvoredo. Ali, após o almoço, seguiam as charlas e as tertúlias, com cantigas da Terra. Para Maneco era a melhor época do ano. Sabia que no povoado de Pitanga e em muitas outras estâncias havia a troca de presentes; que os guris da sua idade ganhavam carrinhos de plástico e outros regalos que vinham da cidade. Mas ele não se importava mais com isso. Aprendera com seu avô Bento que era o Aniversariante do Dia 25 de Dezembro que merecia ser presenteado, não ele. E o melhor presente que ele podia dar ao Divino Tropeiro Jesus era ajudar aos piazitos mais pobres e aos idosos necessitados. Maneco, na sua simplicidade de guri lá de fora, sentiu-se um piá verdadeiramente feliz, em mais um Natal Crioulo Gaúcho, na sua bela querência de Coxilha Bonita!

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23/12/2007 20:23:14 comercial@eletroservice.imp.br - chapeco / SC - Brasil
Parabéns pelo belo comentário. E acredito que com maior vigilância dos gaúchos a tradição não se perderá.
Sítio: http://bombacha larga.com.br
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