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Odilon Ramos:
Natal na Campanha, de Odilon Ramos

 

25/12/2006 01:48:30
NATAL NO MUNDO: NATAL NO SUL!
 
O verdadeiro Espírito de Natal
é praticar o ensinamento do Divino Tropeiro Jesus!
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É Natal! As coxilhas se enchem de uma paz alegre. Todos parecem mais amáveis e felizes. Até mesmo a brisa nos traz um perfume de maçanilha. Tudo parece como uma milonga gaúcha apaixonada e tranquila, com rasguido de boa vontade e muitos acordes de perdão. O peão abarbarado, que vive arrinconado nos galpões dos fundões da querência, também é orelhado pelo Espírito Natalino, este sentimento que está entre nós há mais de 2.000 anos e, por certo, nos 365 dias do ano, mas que nas proximidades do Natal ressurge com a força de uma represa rompida, tocando a todos os viventes e forçando um olhar interior em cada um de nós. Getúlio, um ginete domador lá das bandas do Alegrete, sempre foi um "queixo duro", um homem rude e acostumado a viver ao léu. Nunca se acolherou a nenhuma chinoca, nem plantou raiz em qualquer rincão.  Aficcionado pelo carteado e pelo fandango, muitas vezes acabou um surungo por causa de um "rabo-de-saia". E nunca aceitou desaforo de ninguém. Sua casa sempre fora o galpão de alguma estância e sua cama os pelegos que usava na montaria, com o seu palinha bixará completando a sua morada. Montar baguais  e sentar-lhes o mango, riscando-os de esporas até os malevas perdessem a balda, era o seu ofício e o seu destino de peão. Dinheiro na guaiaca durava exatamente um fim de semana; ficava tudo na “casa das tipas". O único orgulho do vivente era entregar a tropa sempre no prazo certo. De resto, nunca se apegou a nada e a ninguém. Mas, este ano Getúlio andava inquieto. Não parava de pensar no que aconteceu ao Terêncio. Por causa de uma queimada, que não se sabe aonde começou, o pobre perdeu a casa e por muita sorte conseguiu tirar os filhos pequenos de dentro dela. Mas perdeu tudo e ficou ao relento, ele, a mulher e as cinco crianças, inclusive um "piá-de-peito". Aquele acontecido havia deixado Getúlio abichornado.  Mas depois de pensar sob o cinamomo, levantou-se decidido. Procurou o capataz e pediu-lhe um adiantamento, por conta da nova tropa xucra que estava chegando. Depois de explicar o motivo da solicitação, o capataz disse-lhe que também o ajudaria na empreitada. O patrão, pela nobre causa, soltou mais uns pilas e liberou a peonada para que pudessem ajudar Getúlio naquela tarefa. Todos os peões também colaboraram com alguns trocados e saíram porteira a fora em direção à serraria para comprar a madeira necessária, partindo, em seguida, rumo à grota onde morava o Terêncio. Todos, depois de ouvirem Getúlio, estavam decididos: a família de Terêncio passaria o Natal em uma casa nova. E pegaram a estrada, acompanhados bem de perto pelo Espírito de Natal! * Colaboração do Mangrulho do ONTGB no Sul do Brasil, Ademir Canabarro: um Missioneiro, cujos votos aos amigos são os de um Natal cheio de paz e alegria, com corações aquebrantados e pleno gozo da vida em todos os seus momentos, inclusive naqueles que, às vezes, nos escapam por entre os dedos, lembrando que o ontem e o amanhã não existem, mas apenas o agora, com o desejo de que todos tenham um FELIZ NATAL e um excelente Ano Novo!

 

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25/12/2007 14:04:20 Deise - Taquari / RS - Brasil
Linda história! Isto, sim, deveria ser a atitude de todo o ser humano, diante das tragédias da vida. Pensar no próximo abrandaria muito os corações de todos, neste mundão de Deus! Abração!
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Listado 1 Comentário!
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