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Leopoldo Rassier:
Barranca e Fronteira,
de Antonio Augusto Fagundes
e Luiz Telles - IX Califórnia, 1979

 

29/12/2006 01:22:38
INCOERÊNCIAS NATIVISTAS!
 
A música e a indumentária nativa dos gaúchos sul-brasileiros!
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A música é de percepção universal: se boa, será apreciada em qualquer parte do mundo. É assim, também, no Rio Grande do Sul. Mas é o interesse comercial o propulsor das novidades, dos novos estilos musicais. E nesse seu mister não há freio nem qualquer preocupação cultural com o regionalismo ou o tradicional. Foi assim com Teixeirinha, quando estourou nacionalmente a partir do interior de São Paulo.  Não demorou muito e a capa de seus discos passaram a trazê-lo com uma camisa vermelha e um chapéu no estilo “country”. Com Gildo de Freitas e outros artistas não foi diferente. As conveniências mercadológicas, na grande maioria das vezes, colocam-se acima das convicções pessoais ou culturais. Outro exemplo é o do movimento comercial batizado por Nativismo. Nascido com o festival Califórnia da Canção Nativa do RS, na cidade de Uruguaiana-RS, em 1971, seus promotores visavam a ampliação de propostas artísticas mais inovadoras e criativas para o mercado, com vistas em um público consumidor bem maior e muito mais diversificado. E, assim, o que deveria continuar nativo, regional, da Terra, passou a portar-se como de além fronteiras. Considerado, de início, como uma reação nacionalista, de afirmação regional contra imposições do centro do país e do estrangeiro, foi transformando-se, cada vez mais, em objeto de interesses políticos, turísticos, econômicos, comerciais, passando mais tarde a ser explorado por uma indústria de usos e costumes cuja inclinação se dá conforme a direção do vento dos seus cíclicos e renovados modismos. Em que pese a discussão existente sobre a sua paternidade, se oriundo do CTG Sinuelo do Pago, de Uruguaiana, ou não - isso até parece discurso de quem defende o Fim da História e a apagou de todos os registros possíveis e existentes -, parece óbvio que a sua configuração não partiu dos tradicionalistas gaúchos. Se tivesse sido, o próprio nome do festival teria sido outro. Califórnia da Canção Gaúcha do Rio Grande do Sul teria sido o mais apropriado, uma vez que o Movimento Tradicionalista Gaúcho Brasileiro, ao defender as Tradições do Pago Sulino, e dentre elas a música regionalista-tradicional do Rio Grande do Sul, é essencialmente nativista, sem qualquer necessidade de fazer referência explícita a essa intrínsica questão. Naturalmente que na realização de um festival como o Musicanto Sul-americano, de Santa Rosa, cuja proposta é a de reunir a música das demais regiões do Brasil e da América do Sul, incoerência nativista não haverá se todos apresentarem suas músicas nativas das suas respectivas regiões, com ou sem as suas indumentárias típicas, locais. Entretanto, em se tratando de um Festival Nativista do Rio Grande do Sul, da Terra Gaúcha Brasileira, há uma enorme contradição no fato de artistas concorrerem com músicas como o tango, o rasguido doble e outras em nada nativas do Rio Grande do Sul. No mesmo sentido suas pilchas, quando eventualmente ostentadas naqueles festivais apresentam-se com utensílios nem nativos nem representativos do Rio Grande do Sul, servindo apenas a interesses de mercado e não aos da cultura sul-rio-grandense. Assim o som essencialmente eletrônico e os instrumentos que não tem representatividade na música gaúcha regionalista-tradicional e nativa do Estado Garrão-sul do Brasil. Mas, como movimento autônomo e mais afeito a atender aos interesses acima citados, o Nativismo, mesmo não tendo a índole tradicionalista, já produziu e poderá vir a produzir músicas de qualidade, com temáticas e melodias interessantes, podendo ser apreciadas por qualquer um e em qualquer lugar, a menos que seja ao vivo e no interior de uma Entidade Tradicionalista Gaúcha, se executada por instrumentos não tradicionais e apresentada por músicos sem a Pilcha Gaúcha Oficial e de Honra do Estado do Rio Grande do Sul, nos termos da legislação estadual (Lei n. 8.813, de 20.01.1989) e, por conseguinte, de acordo com as Diretrizes Culturais do MTG/RS para o uso tradicionalistamente correto da antiga, centenária, regional e campeira indumentária dos antepassados gaúchos do Pampa Sul-brasileiro. O que não se pode negar, no entanto, diante dessas e outras impropriedades regionalista-tradicionais sul-rio-grandenses, é que o Movimento Musical Nativista nasceu dos interesses estritamente comerciais, com um discurso nitidamente urbano e mais acessível ao grande público não tradicionalista gaúcho. E não se pode negar, também, que essa abertura musical proporcionada pelo referido movimento desencadeou, inevitavelmente, em algumas incoerências de fundo que passaram a contrariar os conceitos iniciais de amor à Terra e de afirmação regionalista sul-rio-grandense. Porém, a contradição maior entre a proposta teórica e a prática atual é sem dúvida os atentados cometidos contra a Identidade Cultural Regionalista-tradicional do Povo Gaúcho Sul-Rio-Grandense, seja quanto à música regional seja com respeito aos usos e costumes gaúchos, comumente deturpados por aqueles que manipulam, com recursos do Povo Sul-rio-grandense, esse chamado Movimento Nativista. Apesar de tudo, haverá sempre uma composição ou uma melodia digna de se ouvir e coerentemente nativista, apresentada por autênticos e bem pilchados gaúchos sul-brasileiros, nesses diversos festivais ditos Nativistas do Estado do Rio Grande do Sul. Este o nosso alento, nosso conforto, a nossa esperança!

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