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Telmo de Lima Freitas:
Alma de Galpão

 

08/01/2007 01:24:18
GALPÃO CRIOULO: MATE-AMARGO E CHARLA AO PÉ DO FOGO DE CHÃO!
 
Galpão Crioulo do Rio Grande do Sul:
Matriz da Tradição dos Gaúchos do Pampa Sul-brasileiro!
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O fogo de chão aquecia o sentimento nativo do mestiço, projetando-se no ideal campeiro do gaúcho. Ao seu aconchego desfilou a história dos primeiros passos da formação de nosso pago. O cavalo, o gado, as domas, as tropeadas, as carreteadas, os aramados, as marcações. As alucinações de bravura de um povo heróico. As carreiras de cancha reta, cujos cavalos, figuras centrais daquele mundo ermo, levaram em suas patas os desvairados sonhos de enriquecer, no desfilar de alguns minutos. As estórias de carreteadas de muitos meses, vencendo serranias impressionantes, e outras, cujas missões ficaram sepultadas nos terríveis despenhadeiros. Os mais nativos usos e costumes foram aquecidos pelo fogo de chão, transmitidos de gerações a gerações, germinando o núcleo de nosso folclore gaúcho. Com o fogo de chão surgiu a charla. Os adultos retiravam-se, rodeavam as brasas entrincheiradas sob guarda-fogos, para as conversações. Eram bate-papos sem solenidades ou formalismos, em forma de relatos ou troca de opiniões. Nas charlas é que foram tomadas as grandes decisões históricas de nossa terra. Determinado momento, sob o calor do fogo, a concentração só era quebrada pelo ronco do mate-amargo. Nas chaleiras e nas cuias de porongo concentravam-se as atenções, na espera do próximo chimarrão. Nas charlas, como nas rodas de chimarrão, reinava a oportunidade equitativa entre peões e patrões. Todos esperavam chegar a sua vez para sorver a bomba de chimarrão, assim como tinham o livre arbítrio para opinar os assuntos em pauta. Com a tradição do fogo de chão é que surgiram os galpões crioulos. Cobertos de capim, barreados de pau-a-pique, taboas ou costaneiras, chão batido, os galpões de estância foram as sementeiras do tradicionalismo. Para o gaúcho o galpão é uma instituição onde convivem supostos associados, compostos pelo pessoal da estância e seus visitantes. Muitas peças de nosso folclore nasceram na vida dos galpões. Cada galpão abriga um vasto patrimônio campeiro. São as peças utilizadas na vida campesina. Foi nos galpões que surgiu a figura do posteiro, agregado da estância, encarregado de zelar pelos bens da propriedade. A convivência galponeira é tão tradicional no Rio Grande do Sul, que na fazenda Boqueirão, em São Sepé, um fogo de chão é conservado aceso há mais de 200 anos. O fogo de chão, o galpão, a charla e o chimarrão formam o quadrimônio de sustentação da simplicidade gauchesca! (Lamberty, Salvador Ferrando, in ABC do Tradicionalismo Gaúcho. Porto Alegre, Martin Livreiro-Editor, 1989)

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