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Erlon Péricles, de sua autoria e de Duca Duarte:
Tradição em movimento - Trilha da Semana Farroupilha 2007

 

18/09/2007 12:55:55
A TRADIÇÃO E A HISTÓRIA DO RIO GRANDE, EM MOVIMENTO?!
 
A histórica Região Missioneira Sul-rio-grandense:
Querência do Rio Grande do Sul desde 1801!
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A música-tema da Semana Farroupilha de 2007 foi, pela terceira vez consecutiva, de autoria do músico Érlon Péricles, composta em parceria com o uruguaianense Duca Duarte. Tradição em Movimento foi a selecionada pela Comissão Avaliadora, formada pelos músicos Paulinho Pires, Carlos Madruga e pelo presidente do IGTF e ex-presidente do MTG/RS Manoelito Carlos Savaris. A letra acompanha o tema anual Assim se movimentou o gaúcho. Antes, porém, de adentrarmos na crítica da referida música-tema, é bom que recordemos que ainda há carreteiros no interior de São Gabriel, na região de Catuçaba, assim como em outros rincões do Estado; que ainda muitos gaúchos deslocando-se a cavalo e de carroça pela campanha do Rio Grande do Sul e, portanto, assim ainda se movimenta um grande contingente de campeiros sulistas brasileiros. Mas o que pretendemos analisar na presente matéria é a adequação histórica da música-tema vencedora do referido concurso. Ao lançar a Semana Farroupilha 2007, a Comissão Estadual dos Festejos Farroupilhas, no dia 08 de agosto, promoveu no Galpão Crioulo do Palácio Piratini um café campeiro. Na ocasião, a governadora do Estado, Yeda Crusius, ao lado dos chefes das secretarias de Cultura, Mônica Leal; do Turismo, Esporte e Lazer, Luis Augusto Lara e da Educação, Mariza Abreu, anunciaram a programação da Maior Festa Popular dos Gaúchos Sul-rio-grandenses, que acontece entre os dias 14 e 20 de setembro: a Semana Farroupilha. Naquela oportunidade a referida Comissão Estadual dos Festejos Farroupilhas apresentou o roteiro da Cavalgada da Chama Crioula, tendo sido esta acendida no dia 18 de agosto, em São Nicolau. Apresentou, também, a citada música-tema do evento, interpretada por seu autor Érlon Péricles. A Comissão Estadual dos Festejos Farroupilhas é constituída por representantes da Secretaria de Estado da Cultura, do Turismo, Esporte e Lazer, da Educação, Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore (IGTF), MTG/RS, Brigada Militar e Famurs. No entanto, perguntamos: ao analisarmos o referido tema musical, à luz da História Sul-rio-grandense, poderíamos considerar, verdadeiramente, a redução de São Nicolau como a Primeira Querência do Rio Grande do Sul? Antes de qualquer resposta a esta questão devemos relembrar ao nosso prezado leitor e à nossa prezada leitora o que vem a significar o vocábulo querência. Como bem salienta Salvador Lamberty, querência é uma palavra das mais fortes do vocabulário gaúcho tradicionalista. Por ela representamos um lugar querido, um recanto preferido, pois a palavra vem de querer, mas com o sentido de afeição. Querência é o local onde se nasce, brinca, cresce... Onde se vive! É Pátria, chão, lar, torrão e pago (LAMBERTY, Salvador Ferrando. ABC do Tradicionalismo Gaúcho. Porto Alegre: Martins Livreiro-Editor, 1989). Todos, é certo, temos grande afeição por toda a região missioneira do Rio Grande do Sul. E desde a sua incorporação ao território do então Continente de São Pedro, pelos gaúchos brasileiros, em 1801, que ela tornou-se, também, parte de nossa Querência Sul-brasileira. Entretanto, no momento histórico da sua fundação, San Nicolas era apenas uma redução, isto é, um conglomerado de índios escravizados por padres-soldados jesuítas espanhóis em terras espanholas, pertencendo não ao território gaúcho brasileiro, mas a um território ocupado pela Coroa da Espanha. Por essa razão, naqueles idos de 1626 San Nicolas não poderia ser nem povoação e muito menos querência do então Rio Grande de São Pedro. Sabe-se que é desde o descobrimento do Brasil, em 1500, e por força do Tratado de Tordesilhas, de 1494, firmado entre Portugal e Espanha, que o Pampa Sul-rio-grandense pertencia aos espanhóis. Como assevera Lamberty: os portugueses não assumiram o nosso Garrão Brasileiro simplesmente porque não lhes pertencia. Portanto, o Rio Grande de São Pedro - nome que o Estado teve de 1550 à 1737 -, não tinha ainda, no ano 1626, sob seus domínios a redução de San Nicolas. E não sendo parte de seu território não poderia haver naquele momento histórico sentimento algum de querência, querer, afeição. O nosso Rio Grande do Sul, daquela época até 1809, limitava-se a uma faixa mais litorânea, pertencendo à Capitania de São Paulo, por intermédio da Vila de Laguna. A verdadeira Primeira Querência de nosso Rio Grande do Sul foi, conforme os registros históricos, a Comandância Militar de Rio Grande, fundada aos 19 de dezembro de 1737, por José da Silva Paes, com o fim de promover a povoação oficial do agora Continente de São Pedro, combater os missioneiros (também espanhóis) e defender o território frente aos países do Prata, diante dos castelhanos. É de se perguntar: como considerar-se querência uma redução que não estava vinculada ao território português, ao qual o Rio Grande de São Pedro pertencia; cujos fundadores nenhum sentimento nutriam pelo Rio Grande da época nem pretensão alguma tinham de fazer parte dele, senão de conquistá-lo? O padre Roque Gonzáles de Santa Cruz, fundador de San Nicolas, era paraguaio, e como jesuíta da Companhia de Jesus, Ordem fundada por Santo Inácio de Loiola, era mais militar do que padre e fiel ao seu objetivo de dominar o índio e, através dele, a América. E como registra Antonio Augusto Fagundesenquanto a exploração de Guairá continuava, os seguidores de Inácio de Loiola não perderam tempo. O Pe. Roque Gonzáles conseguiu licença para penetrar o Tape, à margem oriental do rio Uruguai, hoje as regiões do Alto Uruguai e do Vale do Jacuí. Naturalmente que a sua vinda não tinha nenhuma intenção de agregar-se ao então Continente de São Pedro e nem de fundar ali a Primeira Querência dos gaúchos luso-brasileiros. E embora em 1626 as coroas de Portugal e Espanha estivessem reunidas, por conta dos 60 anos do período felipino, a rivalidade entre espanhóis e portugueses continuava, mesmo veladamente. E isto se confirma quando o 8º Duque de Bragança toma posse com o nome de D. João IV. A Espanha e os padres jesuítas espanhóis das reduções missioneiras resistem em reconhecer a corte portuguesa, chamando os brasileiros de São Paulo (leia-se, também, do Rio Grande de São Pedro) de rebeldes mamelucos. O fundador de San Nicolas, Pe. Roque Gonzáles, foi morto pelos índios da redução de Todo los Santos, fundada por ele em 1628, por golpes de macaná (clava utilizada pelos índios, quando em guerra). Assim morreram os padres Alonzo Rodriguez e Juan del Castillo. Os três jesuítas foram alvos de um movimento de resistência à presença do homem cristão e catequista no Tape, movimento este chefiado pelo cacique e pajé Nheçú, para muitos um autêntico herói indígena em luta contra o branco que queria destruir seus padrões culturais. E tanto não foi a redução de San Nicolas a Primeira Querência do nosso Rio Grande que a região missioneira só mais de um século depois é que fora tomada e incorporada definitivamente para os portugueses e, portanto, para o Rio Grande da época, por Santos Pedroso e Borges do Canto, em 1801. Já quanto ao fato de a letra informar que por lá passou a primeira tropa do Rio Grande, trazemos novamente a lição de Antonio Augusto Fagundes, pós-graduado em História do Rio Grande do Sul, que assim nos ensina a todos: Em 1634, ano de fundação da última redução, o tenaz e aguerrido Pe. Cristobal de Mendonza, S. J., comprou por ordem superior uma tropa de gado correntino de um português chamado Alpoim e atravessou o Uruguai trazendo, segundo a tradição, 99 vacas para cada “pueblo”. Há quem deseje, por isso, chamá-lo “O Primeiro Tropeiro Rio-Grandense”, esquecido que já havia gado aqui – pouco, é verdade, mas havia, e nas próprias reduções. Por outro lado, é bom considerar a hipótese de que o gado deitado muitos anos antes por Hernandárias na Banda Oriental, e a própria descendência equina dos sementais trazidos por D. Pedro de Mendoza, para fundar Buenos Aires cem anos antes, já corriam pelas coxilha gaúchas. (FAGUNDES, Antonio Augusto. Cartilha de história do Rio Grande do Sul - uma nova visão da formação da terra e do povo gaúcho - Porto Alegre: Martins Livreiro-Editor, 1986. p. 27-28). Mas qual, então, o real motivo dessa propalada e apelativa versão da História do Rio Grande do Sul, na música-tema da Chama Crioula da Semana Farroupilha de 2007? Respondemos: para a exploração econômica e turística da região das Missões, utilizando-se de um tema que atendesse a esses e a outros interesses, mesmo que para isso houvesse o desvirtuamento de fatos da própria História do Estado do Rio Grande do Sul. O Povo Sul-rio-grandense, no entanto, não merece ter assim desvirtuada a sua verdadeira e insofismável História, especialmente por parte daqueles que, por um dever de ofício e de ética, deveriam observá-la com fidelidade, exatidão, veracidade!

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23/06/2010 22:04:36 José Itajaú Oleques Teixeira - Brasília / DF - Brasil
Prezada Janaina. O sítio Bombacha Larga agradece a tua honrosa visita e a comunicação postada neste espaço cultural tradicionalista gaúcho. Em Resposta, respondemos-te que no dia 22.06.2010, às 11:09h, por meio de uma mensagem eletrônica, informamos-te que não sabemos a data da composição da referida poesia, sendo que o seu autor, Dimas Costa, faleceu no ano de 1997. Portanto, a poesia fora escrita certamente em data muito anterior à morte do autor. Quanto aos motivos que o levaram a escrever sobre o tema, por ser poeta é provável que ele não tenha espelhado-se em um fato real específico. Explorando os sentimentos do amor, produzidos pela natureza com o fim de preservação da espécie, o autor utilizou-se do tema da paixão amorosa para revelar que o personagem de sua obra também ficara preso aos encantos daquela bela representante do sexo oposto. Porém, sabendo dominar seus impulsos naturais ele também soube controlar seus sentimentos, seus reflexos, evitando exteriorizar o que todos os demais homens demonstravam diante da formosura da fêmea encantadora. Contudo, embora comedido, o personagem não escapou dos instintos que a natureza lhe proporcionara, enquanto homem com um fim bem definido: o de buscar a preservação da espécie humana por meio de uma natural atração sexual. Assim, quando todos a esqueceram ele a mantinha, ainda, no seu pensamento, expondo nessa sua revelação que somente ele é que deteve, realmente, um sentimento verdadeiro de valorização da beleza feminina estampada naquela morena trigueira, mui perfumada e faceira, mais linda do que uma flor! A poesia, pelo teor de seu tema, é indicada somente para a declamação de peões com idade compatível com os sentimentos realçados na estória, o que exclui os piazitos mirins e os juvenis. Desde já desejamos-te sucesso no referido trabalho. Com as Saudações Tradicionalistas segue o nosso fraterno e cinchado quebra-costelas a essa prezada Vivente!
Sítio: http://www.bombachalarga.org
20/06/2010 17:53:54 janaina antonia da silva romano - flores da cunha / RS - Brasil
Gostaria de pedir uma ajuda a vocês, pois preciso fazer um trabalho de Português e peguei a poesia "Todo mundo, menos eu", de Dimas Costa, só que preciso saber bem certo a data que ela foi escrita e o que acontecia naquela época, ou seja, porque ele a escreveu. Desde já, agredeço! Att. Janaina Antonia da Silva Romano
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20/05/2009 12:32:38 Valdir de Souza - Passo Fundo / RS - Brasil
Gostaria de avisar ao amigo Ricardo sabino da Silva que encontrei a Poesia "Todo mundo...menos eu" no site dos Guapos http://www.guapos.com.br/mx/poesias.php?pg=10. Espero ter colaborado. Saudações Valdir
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18/09/2008 14:48:38 Ricardo Sabino da Silva - Seberi / RS - Brasil
Buenas Amigos! Primeiramente, gostaria de parabenizá-los pelo site; e em segundo lugar de pedir uma ajuda pros amigos. Tchê, estou a procura de uma poesia de Dimas Costa intitulada "Todo mundo, menos eu" e não a encontro em lugar algum. Se puderem me ajudar, será um grande prazer. Desde já, agradeço! Att. Ricardo Sabino
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