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Cesar Passarinho, na 17a Califórnia da Canção Nativa do RS, 1987:
Negro de 35, de José Rufino
de Aguiar e Clóvis de Souza

 

13/05/2008 20:00:49
SEMEANDO, COLHENDO E PELEANDO POR DIREITOS NA QUERÊNCIA!
 
Lanceiros Negros: Heróis Farrapos da República Rio-grandense!
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Durante mais de três séculos a escravidão foi a forma de trabalho predominante na sociedade brasileira. Primeiro os índios, depois os negros. No início do século XVII a escravidão dos indígenas fora substituída pela dos negros africanos, passando o tráfico negreiro a constituir-se em negócio altamente rentável para senhores, comerciantes e governo, mas em nada vantajoso para os escravizados. A Lei Áurea, de número 3.353, de 13 de maio de 1888, decretada pela Assembleia Geral e sancionada pela Princesa Imperial Regente Isabel, representou a libertação formal do escravo, mas não lhe garantiu a igualdade de direitos e muito menos as condições para o pleno exercício de sua cidadania. As marcas indeléveis dessa teórica libertação, o estigma dessa marginalização, arrastaram-se até os dias de hoje. Contudo, é chegada a hora de o Estado Brasileiro compensar aos afrodescendentes os imensos prejuízos a eles causados ao longo de mais de três séculos de escravidão; pagar a enorme dívida social-humanitária que lhes é devida. Quanto à historiografia gaúcha brasileira, a luta pela abolição da escravatura é tida como um dos ideais mais antigos do Rio Grande do Sul, tendo como marco histórico, dentre outros, a Revolução Farroupilha. Mas nem tudo é como historicamente se faz crer. Para Margaret Bakos, a formação do mito do ideal libertário da sociedade sul-rio-grandense é apontado com sendo o 4º parágrafo da Paz de Ponche Verde, o qual firmava o término da Revolução Farroupilha (1835/1845) e afirmava livres e como tais reconhecidos todos os cativos que serviram na república. A autora acrescenta queAcreditou-se, por um longo período, que essa cláusula expressava o ideal abolicionista farroupilha. Entretanto, Moacyr Flores, em artigo intitulado Os farrapos e a escravatura, concluiu que a república rio-grandense considerava o escravo como “propriedade alienável, podendo ser trocado, vendido e comprado”. Para esse autor, o texto da Paz de Ponche Verde atingia apenas aos libertos-soldados, permanecendo intocada a escravidão. O governo farrapo explicava que todas as libertações haviam sido feitas mediante o pagamento aos donos das importâncias exigidas, cabendo à Fazenda Pública o ônus da libertação. De acordo com o relato de Caldre Fião, contemporâneo da Revolução Farroupilha, os escravos formaram quatro batalhões de infantaria e alguns esquadrões de cavalaria. 'Isto causou sérios custos e arruinou muitas fortunas. Os escravos, que não morreram nas batalhas, ficaram mutilados e não serviram mais'. Restaram apenas 120 deles para assistir à paz final, indo, em seguida, a mando do Barão de Caxias, servir nos regimentos de cavalaria de Linha da Província; em breve, enfrentariam os soldados de Oribe e de Rosas, na guerra do Brasil contra a Argentina e o Uruguai (1851-1852)”. (Bakos, Margaret M. Abolicionismo no Rio Grande do Sul. Caderno de História nº 29 - Memorial do Rio Grande Sul – Edit: PMD - 13/4/2007). Nesta data, quando comemoramos os 124 anos da Abolição da Escravatura no Brasil, esperamos que as marcas da escravidão, da discriminação, do racismo, sejam efetivamente apagadas; e a igualdade material de direitos semeada e colhida na lavoura da almejada fraternidade comum do bravo Povo Brasileiro!

 

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