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Baitaca:
O doutor, o padre e o peão

 

27/08/2008 22:53:10
MAIS UM PEALO NAS TRADIÇÕES DOS CAMPEIROS DO RIO GRANDE!
 
Tradicionalismo Gaúcho Brasileiro é culto, zelo, defesa, preservação,
retransmissão e correta divulgação das antigas Tradições dos Gaúchos
Campeiros do Pampa do Rio Grande do Sul!
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Há muito que a Tradição Gaúcha do Rio Grande do Sul sofre pealos de todo o tipo, diante dos inescrupulosos interesses dos mercados sem fronteiras. O pealo de cucharra, por exemplo, sempre foi um dos mais tradicionais pealos dos gaúchos campeiros do Pampa do Rio Grande do Sul. Édson Dutra, na sua composição Costumes do Meu Pago, gravada pelo conjunto Os Serranos, atesta essa afirmativa no seu verso como é bonito reparar lá na mangueira um piazinho dando pealo de cucharra. João da Cunha Vargas, na sua obra Último Pedido, gravado por Vitor Ramil, igualmente retratou o tradicional pealo do Rio Grande, iniciando, assim, o seu poema: Se um dia a morte maleva me dá um pealo de cucharra. Da mesma forma Aureliano Figueiredo Pinto, com o seu Romance de Peão, gravado por Noel Guarany com o título Tobiano Capincho, ao referir-se, dessa forma, ao mais famoso dos pealos da Tradição Gaúcha Sul-rio-grandense: e que maneia ginete, como pealo de cucharra! Na região de Porto Alegre, inclusive, há um PTG - Piquete de Tradições Gaúchas - intitulado Pealo de Cucharra, que ocupou o galpão 199 do Acampamento Farroupilha da Capital de Todos os Gaúchos Brasileiros, no ano de 2008. E conforme o Dicionário de Regionalismos do Rio Grande do Sul, de Zeno e Rui Cardoso Nunes, cucharra é a colher tosca, de chifre ou de pau, usada no campo. A denominação dada ao pealo deve-se ao ato de passar - ou virar, como diz o Baitaca - a cucharra nas mãos do animal, fazendo-o tombar. Esse ato de pealar, sabidamente, não se compara ao de laçar. O peão gaúcho, no pealo de cucharra, sem rebolear o laço, executa à laçada uma ligeira torção que, à maneira de uma colher, apanhe, por baixo, as mãos do animal pela frente, derrubando-o para castrá-lo, curá-lo ou amansá-lo, no exercício da sua lida campeira. Diante dessas e de outras tantas composições poéticas que atestam o aspecto regionalista-tradicional gaúcho sul-rio-grandense do pealo de cucharra, o Movimento Tradicionalista Gaúcho sempre trouxe a previsão dessa modalidade nos seus regulamentos campeiros. Entretanto, no atual Regulamento do MTG/RS o pealo de cucharra, infelizmente, deixou de figurar na prova correspondente. Dentre as modalidades contempladas estão o pealo de paleta, o pealo de bolcado e o pealo de sobrelombo. Quanto ao pealo de paleta, esta não é uma designação tradicional no Regionalismo Gaúcho Sul-rio-grandense; a expressão da Tradição dos Gaúchos do Rio Grande é o Pealo de Sobrecostilhar ou Costilhar. No que se refere ao Pealo de Bolcado, já na região de Miranda do Douro, na província de Trás-os-Montes, em Portugal, e certamente para os castelhanos, a palavra bolcado significa tombado, virado, o que se aplica, também, ao pealo de cucharra e aos demais, uma vez que o próprio fim do ato está orientado para o tombamento do bicho pealado. Tais modificações e importações promovidas nas coisas tradicionais do Rio Grande do Sul, dentro do próprio Órgão Cultural responsável, institucionalmente, por suas preservações, ocorrem desde a progressiva descaracterização da guaiaca, do uso do tirador, da encilha, das provas de gineteadas e demais provas campeiras, da bombacha, do uso do Vestido de Prenda, da cor e do formato do chapéu, da bota, da descaracterização do uso das cores sóbrias e claras na pilcha, do tamanho, das cores e do modo de ostentar o lenço de pescoço, do ambiente familiar dos CTGs, das modificações dos ritmos e compassos musicais gaúchos tradicionais do Rio Grande e muitos outros aspectos culturais regionalista-tradicionais sul-rio-grandenses, corrompidos pelos interesses globalizados dos sem fronteiras. No entanto, lembramos aqui aos senhores Tradicionalistas do MTG/RS que a Carta de Princípios do Movimento Cultural Regionalista-tradicional Gaúcho Brasileiro que eles integram não contempla e muito menos autoriza esses assassinatos culturais praticados contra a autenticidade das Tradições Campeiras do Estado do Rio Grande do Sul. O item XX da Constituição Tradicionalista Gaúcha Brasileira não deixa qualquer dúvida quanto a um dos Fins Culturais do MTG Brasileiro, ao mandar que seus Órgãos, Entidades, Dirigentes e Tradicionalistas filiados venham, todos, a zelar pela pureza e fidelidade dos nossos costumes autênticos, combatendo todas as manifestações individuais ou coletivas que artificializem ou descaracterizem as nossas coisas tradicionais. Dessa forma, a implantação de pealos não tradicionais e a sonegação de outros da verdadeira Tradição dos Gaúchos Campeiros do Pampa Sul-brasileiro - como é o caso do Pealo de Cucharra -, assim como as demais alterações e importações ocorridas no MTG Brasileiro, são atos que devem ser classificados como uma abominável e desprezível Corrupção Cultural praticada contra um Bem Público pertencente ao Estado Sulino, aos Sul-rio-grandenses, ao Brasil e a todo o Povo Brasileiro. Assim, esses indevidos e criminosos assassinatos culturais praticados pelo próprio Tradicionalismo Gaúcho Brasileiro organizado, também junto ao pealo mais tradicional dos Gaúchos Campeiros do Pampa do Rio Grande do Sulo Pealo de Cucharra -, podem até estar atendendo aos interesses dos mercados mercosurista-crioulista, comercial-nativista, country-texa-sertanejo e outros sem fronteiras, que exploram a Cultura Regionalista-tradicional Gaúcha do Rio Grande do Sul. Contudo, por contrariarem frontalmente a Filosofia Tradicionalista da Carta de Princípios do MTG Brasileiro, é de serem considerados todos como atos ilegítimos e nulos de pleno direito, pois não passam de mais um verdadeiro pealo virado na já e há muito aviltada e desprotegida Tradição Regional dos Antepassados Gaúchos Campeiros do Pampa do Rio Grande do Sul! 

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