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Porca Véia:
Fim do Baile, de Tonico e Zé Paioça

 

09/05/2011 00:03:16
BOCHINCHO NÃO É FANDANGO NEM TRADIÇÃO DO RIO GRANDE!
 
Portar cobertura em ambientes fechados e usar cores de tons escuros
e fortes são atos que não pertencem à antiga Tradição
dos Antepassados Gaúchos Campeiros do Pampa do Rio Grande do Sul!
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Num Fandango, certa vez, num Baile de Convidados, eu bati os meus costados com um buenas-chê cortês. Quando chega o fim de mês a Estância da Timbaúva parece cacho de uva de gente no entreveiro; e eu ali, mais faceiro que tico-tico na chuva! Desencilhei o meu pingo junto à porta do galpão, resguardei o meu xergão e os pelegos de respingo, pois bem cedo, no domingo, queria secar badana; sou dos pagos de Santana, prenda da minha estima é como beijo de prima e o mel de lichiguana! Ao adentrar o galpão, naquela simplicidade, foi com hospitalidade que serviram chimarrão. E até o meu alazão, relinchando, dessa feita, tratado não fez desfeita ao serviço do peão, pois essa nossa Tradição veio de gente direita! Depois, de banho tomado, brilhantina no cabelo, água-de-cheiro no pelo, a preceito, bem pilchado, deixei o trinta guardado com meu chapéu, sem demora, com as botas sem espora e toda a educação, cheguei ao grande salão com costumes lá de fora! Entrei e corri o olho, procurando o meu bem. Sou cuidadoso, também, com a prenda que escolho. Mas com a barba de molho a confiança se mostra; a consciência se prostra, porém, nesse traquejo: sorrindo, linda a vejo como laranja de amostra! O seu vestido comprido e enfeitado de renda mostrava a minha prenda provocando o cupido; mas eu, futuro marido, vencido tinha a guerra. E nisso a cordiona berra, um xótis saí marcando: a gaita velha roncando mais que bugio lá na Serra! E me larguei mais faceiro do que piá de tirador, quando senti o fedor da boca dum forasteiro; guaipeca de carniceiro, alarife e perspicaz, mais atirado pra trás que pica-pau em tronqueira, gritou, junto à parceira: melhor que nós ninguém faz! O maula era mais magro que guri com solitária; e na indumentária fazia grande estrago. À meia-guampa de trago, com potoca na garganta, agarrado na percanta, de carancho no fandango, pedia sova de mango, implorava por sumanta! - Ambiente familiar não é surungo de passo; se tu tá querendo laço, podes logo encontrar. Porém não neste lugar, que não aceita ventana, pois aqui só se irmana quem respeita a Tradição; e não esqueças,  chambão, que eu sou lá de Santana! Pra quem era apotrado, ficou mais manso o bicho do que gato de bolicho; saiu mais atrapalhado, perdido, atarentado, que cusco em procissão. Com a china pela mão, sentindo todo o baque, mão na cinta do eslaque, se retirou do salão! Não há porque de peleias nos ambientes sociais; não sendo tradicionais são atitudes mui feias, descabidas e alheias, além de impertinentes, pois o lugar pros viventes sem os princípios morais não é o dos tradicionais Fandangos Sul-rio-grandenses! É lindo ver o retrato de um Fandango Gaúcho; ali não há nem o luxo nem o que é desleixado, mas o simples, recatado, os valores dos pampeiros; usos, costumes campeiros das antigas Tradições das prendas e dos peões: os gaúchos brasileiros! É xote e vanerão, bugio, valsa e vanera, a milonga, a rancheira a embalar o salão. É pura integração de propósitos diletos; são carinhos e afetos, geração em geração, mantendo a Tradição entre avós, filhos e netos! Num Fandango do Rio Grande tem sadio divertimento e o enaltecimento do que a Tradição mande, sem que a moral desande pra figura obscena, para o tipo de cena do aperto do casal; disso ali não é local, pois a Tradição condena! E assim se resolveu o impasse no Fandango. Nem foi preciso o mango ensinar a quem não leu. O alcaide aprendeu que Fandango não é zona com percanta querendona; e por saber o caminho, se retirou, mais mansinho que gato de solteirona! E dali seguiu a festa aquecendo todo o frio que o gaiteiro sentiu na ventania da fresta. A cordiona desenbesta a tocar compasso puro, que o gaiteiro, maduro, era bueno e dedicado, pois Fandango é passado, é presente e é futuro! E o maleva carancho talvez lustre a fivela e aqueça a costela nos arrasta-pés de ranchos, nos apertados farranchos, mais do que queijo em cincho, onde se ouve relincho e também se dá troféu aos que dançam de chapéu e são os Reis do Bochincho! (FANDANGO, de José Itajaú Oleques Teixeira)

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