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Cavalo Tostado, Alceu Silva

 

27/09/2005 09:49:49
A ORIGEM DA CONFUSÃO NO USO DA PILCHA GAÚCHA DO RIO GRANDE!
 
Desfile Farroupilha de 2005, em Porto Alegre-RS!
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A ORIGEM DA CONFUSÃO NO USO DA PILCHA DOS GAÚCHOS DO RIO GRANDE ESTÁ NAS PRÓPRIAS DIRETRIZES DO MTG/RS – O antigo Patrimônio Sociológico-tradicional Sul-rio-grandense é um Bem Cultural Público pertencente ao Estado do Rio Grande do Sul, aos Sul-rio-grandenses, ao Brasil e a todo o Povo Brasileiro. A 67a Convenção Tradicionalista do Movimento Tradicionalista Gaúcho do RS, realizada em Tramandaí-RS, no período de 29 a 31.07.2005, aprovou dentre outras proposições as Diretrizes para o Uso das Pilchas e Indumentárias Campeiras, promovendo alterações na vestimenta tradicional dos gaúchos sul-rio-grandenses, tudo em nome do resgate, do fortalecimento e da preservação das diversas manifestações culturais do Estado do Rio Grande do Sul. Entretanto, pelo que se pode observar nas mudanças há mais impropriedades do que soluções para o fortalecimento e a preservação das antigas Tradições dos Gaúchos Sul-brasileiros. Pelas referidas modificações, constata-se na pilcha masculina que o chapéu deve ter a copa de acordo com as características regionais. Bem, pelo que foi visto no Desfile Farroupilha de 2005, em Porto Alegre, é de nos perguntarmos se já podemos considerar aquele chapéu claro, chaparral, distribuído ao público, como característico da região da Capital de Todos os Gaúchos Brasileiros. No entanto, sabemos todos que o chapéu típico da antiga Tradição do Rio Grande do Sul a ser preservado pelo MTG Brasileiro organizado é só e tão-somente aquele oriundo dos Antepassados Campeiros do Pampa Sul-rio-grandense, isto é, o de tons escuros, abas largas, copa baixa e tapeado na testa! Foi com falácias desse tipo que começaram, dentro do próprio Órgão Protetor da Antiga Tradição Regional do Rio Grande do Sul, os assassinatos culturais do tirador, da guaiaca, da bombacha (calça larga), da camisa sóbria e clara, das botas russilhonas, do colete social com a cor no mesmo tom da bombacha e dos lenços e nós históricos e regionalista-tradicionais do Rio Grande do Sul. Sabemos todos, muito bem, aonde começam e terminam essas criminosas modificações tradicionalistas e os interesses que as patrocinam, financiam, impõem. Previsões abertas como essa do chapéu é tudo o que os Exploradores da Cultura Regionalista-tradicional Gaúcha Sul-brasileira querem, com ou sem as influência$ econômico-financeira$ dos mercados e de seus financiados políticos. As boinas são proibidas, diz o referido regulamento. Mas o que se vê no próprio MTG, especialmente nas suas comerciais gineteadas, são as boinas coloridas e desbeiçadas, importadas, as quais nunca foram retransmitidas de pais para filhos, por Tradição, no Estado Sulino, não sendo, portanto, da antiga e regional Tradição do Rio Grande do Sul. Perguntamos: por que, então, as citadas boinas coloridas, os bonés, as calças justas com alças no cós e bolsos traseiros, as cintas urbanas, as rastras platinas, as guaiacas porchetão freio de ouro, os coletes texanos e os chapéus claros chaparral, com a copa alta e aba frontal caída, dos modismos comerciais crioulistas e sertanejistas, continuam sendo prestigiados nos palcos e nos ambientes tradicionalistas do MTG do Brasil? Segundo as novas normas culturais da 67a Convenção Tradicionalista do MTG/RS o lenço de pescoço pode ter passador. Bem, como dizem aqueles que justificam essas e outras atrocidades, as coisas evoluem. Contudo, passador de metal não é da Tradição dos Antepassados Gaúchos Campeiros do Pampa do Rio Grande do Sul, mas uma importação comercial originária do Texas, introduzida em São Paulo e levada para a região da Serra do Rio Grande do Sul pelos birivas. O seu uso serve apenas para descaracterizar a verdadeira tradição do Estado e assassinar os regionalistas e tradicionais nós de lenço dos antigos gaúchos sul-rio-grandenses, herança deixada pelos campeiros do Núcleo da Formação Gaúcha Sul-rio-grandense, o Pampa Sul-brasileiro, como é o caso dos nós Bago de Boi, Três Galhos ou Amizade, Federalista, Farroupilha ou Republicano; Getulista ou Nó Comum; Namorado; Pachola; Crucifixo, dentre outros usados por nossos bisavós, avós, pais e por muitos gaúchos tradicionalistas nos dias de hoje, por Tradição. São esses nós de lenço que fazem parte da antiga Tradição do Rio Grande, em que pese as imposições comerciais que estimulam o uso dos lencitos no estilo Jacques Leclair, dos lenços-fitas impostos pelas grifes, dos estampados, pretos, virados, por fora da gola da camisa, folclóricos, triangulares, exagerados, à meia-espalda. E a camisa usada pelo gaúcho pampeano, desde a formação da Tradição do Rio Grande, fora a sóbria de cores claras, amenas, neutras, sendo a de mangas curtas utilizada somente para as lidas de campo e serviços caseiros, nunca nas ocasiões sociais. Quando essa observação deixa de ser feita expressamente nas Diretrizes Culturais do MTG, o resultado continuará sendo sempre o mesmo: os inúmeros desastres culturais regionalista-tradicionais, em decorrência da falta de corretas informações. Nos Desfiles Oficiais, como o Desfile Farroupilha realizado, anualmente, no Dia do Gaúcho Brasileiro, 20 de Setembro, em observância à Filosofia do MTG Brasileiro a camisa a ser usada pelo gaúcho tradicionalista é, portanto, a sóbria, de mangas compridas e de cores claras, neutras. Por consequência, o uso dos tons pretos, azulão, verdão, vermelhos, laranjão, amarelão, limão, rosas e outros inadequados, vibrantes, fortes, contrastantes, berrantes, não é representativo da verdadeira Tradição Gaúcha do Rio Grande do Sul. O MTG, ao substituir a guaiaca pelo cinto liso e impor a expressão cinto na Pilcha Gaúcha de Honra do RS não promove só uma incoerência regionalista-tradicional sul-rio-grandense e uma impropriedade tradicionalista gaúcha brasileira, mas uma gigantesca confusão na mente de muitos incautos sul-rio-grandenses e brasileiros. Os senhores integrantes das duas Comissões de Indumentária, nomeadas pelo Presidente do MTG/RS na Portaria n. 015/2005, de 17.03.2005, com o fim de sanar dúvidas e atender às exigências da Tradição Gaúcha do Rio Grande do Sul, bem que poderiam ter consultado qualquer dicionário, a exemplo do Minidicionário Guasca, de Zeno e Rui Cardoso Nunes, publicado por Martins Livreiro Ed., Porto Alegre: 1986, p. 82 -, cuja definição do vocábulo guaiaca não deixa qualquer dúvida quanto ao nome correto e consagrado do tradicional cinturão dos Gaúchos Sul-rio-grandenses, ao definir o apetrecho como cinto largo de couro macio, às vezes de couro de lontra ou de camurça, ordinariamente enfeitado com bordados ou com moedas de prata ou de ouro, que serve para o porte de armas e para guardar dinheiro e pequenos objetos. Ressalve-se que a guaiaca enfeitada com moedas, na verdade, não é peça tradicional, embora o seu uso já tenha sido regional dos serranos do Rio Grande do Sul; e que a rastra enfeitada com florões e moedas não é guaiaca, mas um cinturão sem bolsas do uso restrito dos gauchos platinos. O que transparece das citadas modificações promovidas nessa típica e tradicional peça da indumentária regional dos gaúchos sul-rio-grandenses é que a guaiaca, com a gradual retirada de seu coldre para o revólver e de suas bolsas características para o relógio e o dinheiro, em vias está de ser trocada pelas rastras platinas do mercado Mercosur e pelas cintas urbanas, texanas, do mercado Country-texa-sertanejo, ambos sem qualquer respeito pelas fronteiras culturais alheias. De acordo com as referidas normas tradicionalistas o tirador, agora, só é obrigatório para as provas de pealo; para laçar, não mais. Decisão esta que contraria as tradicionais lides campeiras dos Antepassados Gaúchos do Pampa do Rio Grande do Sul, reveladas até mesmo pela mundialmente conhecida estátua O Laçador, símbolo da cidade de Porto Alegre e dos gaúchos sul-rio-grandenses. Tal decisão afronta o fato de que um gaúcho campeiro deve se apresentar nos Rodeios Crioulos da Tradição do Rio Grande como se pronto estivesse para as diversas práticas campeiras do interior do Estado, e com a indumentária que lhe é peculiar para o desempenho de qualquer uma de suas lidas de campo, pois ele poderá tanto laçar como pealar de a cavalo, devendo, portanto, se apresentar nessas públicas demonstrações dos Rodeios Crioulos Gaúchos do Tradicionalismo com a pilcha que melhor caracteriza o modo de vida dos Antepassados Campeiros do Pampa Sul-rio-grandense. Dessa forma, com essas estratégicas e criminosas modificações promovidas nas antigas Tradições dos Gaúchos Campeiros do Pampa do Rio Grande do Sul serão os mercados sem fronteiras que se locupletarão. Porém, será o antigo Patrimônio Sociológico-tradicional do Estado Sulino e a Identidade Cultural Regionalista dos Gaúchos Sul-brasileiros que se encontrarão definhando diante de toda essa Corrupção Cultural. Face a essas lamentáveis, suspeitas e comercialmente influenciadas decisões de um Órgão Guardião da Antiga Tradição Regional do Rio Grande do Sul, serão os velados interesses dos mercadistas, externos internos, que farão a festa com tais diretrizes tradicionalistas. Dessa forma eles vão, pouco a pouco, alterando e se apossando da Cultura Regionalista-tradicional do Estado do RS, dos Sul-rio-grandenses, do Brasil e de todo o Povo Brasileiro. Mas o pior de tudo é que esses crimes de lesa-cultura regional gaúcha sul-rio-grandense contam com o vergonhoso e mesquinho apoio daqueles que deveriam primar pelos atos de zelo, defesa, culto, preservação, retransmissão e correta divulgação das autênticas, das antigas Tradições dos Gaúchos Campeiros do Pampa do Rio Grande do Sul. No entanto, pelo que se pode supor, são eles que assumem as estruturas do MTG Brasileiro visando, apenas, a sua exploração econômica, financeira, comercial, eleitoreira. No que se refere à largura da bombacha, quanto mais gordo o vivente mais bombachudo ele fica. Contudo, não é isso que se observa na indumentária dos artistas gaúchos, dos integrantes das Bandas Nacionais e das Duplas que são impostos no meio tradicionalista gaúcho brasileiro pelo mercado musical. Ali estão as grifes e os modismos de seus parceiros mercados sem qualquer fronteira e sem qualquer respeito a esse nosso Patrimônio Cultural Público Nacional. Previsões institucionais do MTG Brasileiro sem o devido respeito aos antigos usos e costumes tradicionais dos gaúchos do Rio Grande do Sul é plantar e colher a ineficácia. De nada adianta estabelecer que a bombacha deve, obviamente, ser usada por dentro do cano das botas (e não das "botinhas texanas à meia canela”!) sem a devida fiscalização, sem cobrança ou orientação alguma do órgão competente, o MTG/RS, no sentido de serem evitadas as impropriedades culturais ocorridas nos ambientes do Tradicionalismo. E isso deveria se dar principalmente junto às Bandas Musicais que usam expressões estrangeiras e animam domingueiras e pretensos Fandangos Gaúchos – verdadeiros Bailões Comerciais da Cerveja, em nada tradicionais e em nada tradicionalistas - nos palcos dos seus Centros de Tradições Gaúchas e demais Entidades Tradicionalistas filiadas, sem pilchas ou mal pilchados com as grifes comerciais que contrariam as Diretrizes Tradicionalistas. Tudo isso, no entanto, ocorre nas barbas de um Órgão Tradicionalista Federativo detentor do poder-dever fiscalizador, e com a forte suspeita da sua criminosa conivência. O que não se encontra, porém, nessas alterações tradicionalistas é o elevado ato de se Fazer Tradição do Rio Grande do Sul e de se cumprir e fazer cumprir a Filosofia Tradicionalista da Carta de Princípios do MTG Brasileiro. E na ausência total de um necessário enquadramento cultural e moral dos Picaretas da Antiga Tradição dos Gaúchos do Rio Grande e dos Ratos do MTG Brasileiro organizado, que em troca das gordas bilheterias, dos votos e de eventuais e indevidas vantagens pessoais contribuem para a destruição do Legado Cultural Regionalista-tradicional dos Gaúchos Brasileiros, de pouco ou nada servem as diretrizes, bem ou muito mal elaboradas, do MTG/RS. E menos, ainda, aquelas despropositadas, regionalmente incoerentes e tradicionalmente inapropriadas regulamentações instituídas por aqueles que estão mais para Calaveiras do MTG do que para Tradicionalistas Gaúchos Brasileiros, porquanto desprovidas as suas ações do devido respeito aos verdadeiros Fins Culturais do Tradicionalismo, do desejável bom senso e da esperada consideração junto às antigas Tradições Regionais dos Gaúchos Campeiros do Pampa do Rio Grande do Sul: um Bem Cultural Público pertencente ao Estado Sulino, aos Sul-rio-grandenses, ao Brasil e a todo o Povo Brasileiro!

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25/08/2009 20:37:27 Bombacha Larga - Brasília / DF - Brasil
Prezada Angelita. O sítio Bombacha Larga agradece as tuas honrosas visitas e a comunicação postada neste espaço cultural tradicionalista gaúcho. Em resposta, informamos-te que o cinto da Tradição dos Gaúchos Campeiros do Pampa do Rio Grande do Sul é a guaiaca, isto é, o cinturão com bolsas para moedas, cédulas de dinheiro, relógio e coldre para o revólver. Assim, em nome da Filosofia Tradicionalista da Carta de Princípios do MTG Brasileiro, a qual requer a preservação da autenticidade das nossas coisas tradicionais do Rio Grande, seja nas apresentações das Invernadas de Danças seja no uso geral da Pilcha Tradicional dos Gaúchos Sul-rio-grandenses, tanto a cinta urbana, o cinto liso sem bolsas e a "rastra" platina não devem - ou não deveriam - substituir a Guaiaca da Tradição dos Gaúchos Campeiros do Sul do Brasil. Com as Saudações Tradicionalistas segue o nosso fraterno quebra-costelas a essa prezada Prenda Gaúcha!
Sítio: http://www.bombachalarga.org
25/08/2009 14:24:16 Angelita Mello - TRAMANDAÍ / RS - Brasil
Gostaria de saber se a guaiaca, chamada de cinto, contém ou não bolsos? Isto na vestimenta utilizada para participação em concursos de danças gaúchas.
Sítio: *****
27/09/2008 16:25:35 Alan Abascal - Porto Alegre / RS - Brasil
Enquanto tivermos mercadores, almofadinhas que nunca sentaram a bunda encima de um arreio fazendo lei, que não sabem o que é uma lida de campo, que não sabem as necessidades para o uso de pilchas em cada região, podem ter certeza que a nossa tradição que sempre foi uma honra e orgulho para o nosso povo, vai continuar se esvaziando. É uma pena. Obs.: Descupem a expressão acima.
Sítio: *****
27/09/2007 10:21:42 Carla - Joinville / SC - Brasil
Isso sem falar nas "Prendas", com seus vestidos fantasiosos demais e suas armações extremamente volumosas, fazendo com que se pareçam com um Repolho ambulante, tirando toda a sutileza de uma autêntica PRENDA.
Sítio: *****
27/09/2005 18:17:42 Cristiane
Parabéns pelo artigo.As diretrizes só deixaram tudo mais confuso...quanto mais normas tentam coloxar,mais fogem da realidade. Parabéns pelo site Cris
Sítio: http://www.astiranas.flogbrasil.com.br
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