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Churrasco, de José Mendes e Luiz Muller

 

30/09/2005 18:20:18
A FACA DO GAÚCHO - PARTE I
 
A faca, a adaga e o facão também contribuiram
para que o gaúcho sul-brasileiro escrevesse a sua História!
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Os folcloristas João Carlos D'Ávila Paixão Côrtes e Glaucus Saraiva produziram, juntos, um interessante estudo sobre a importância que o gaúcho dá à faca e suas múltiplas utilidades. Paixão Côrtes nos informa o ressultado dessa memorável pesquisa: "do paleolítico à idade dos metais, a faca acompanha a história da humanidade. Aço... Damasco, Toledo, lança, espada, adaga e faca. Impérios, conquistas, invasões, vitórias, derrotas, domínios... assim o homem escreveu a própria história. Na América... espanhóis e portugueses. A lança e as espadas definiram as fronteiras sul-americanas. A miscigenação racial e o meio plasmaram os tipos humanos. O Pampa e a guerra, e o pastoreio. Gaúcho, tipo característico da América do Sul. Peleia, faca, adaga, boleadeiras e mango. Dificilmente definiríamos a história social do gaúcho, sem a complementação da faca. Na luta, no trabalho, nas lides domésticas, nas artes campeiras, na lenda, na superstição. Da infância da terra à maturidade histórica, a faca é uma constante na vida do gaúcho primitivo, tirou as botas 'garrão de potro' e nestas apresilhou as velhas esporas 'nazarenas' com rosetas pontiagudas que impulsionaram o cavalo. Com a faca talhou o couro para retovar as três pedras das boleadeiras, indispensáveis outrora nas lides campeiras e temíveis na guerra. E atou a faca na ponta de uma taquara, quando os clarins reclamaram as lanças crioulas nas extremaduras da Pátria. O gaúcho primitivo desprezou a arma de fogo e a nobreza da luta estava no ferro branco. Com a faca o gaúcho agrediu e defendeu. Faca "voluntária" numa peleia... Faca que, debaixo dos pelegos, tranquiliza o sono. Com a faca o gaúcho cortava a própria melena ou 'aparava trança de china'. Tosava de cola e crina e aparava os cascos do pingo nas vésperas de carreira. O guasca enamorado, com a faca apanhou a flor que ofereceu a sua amada. Beijando a cruz da adaga o guasca traído jurou vingança. E o "aço que canta" corcoveava na bainha bordada de flores. Com a faca o gaúcho falquejou a canga para os bois puxarem as estradas do Rio Grande. Carneadeira, chavasca, prateada, língua de chimango, ferro branco, choco, xerenga... seja qual for a denominação popular, a faca, o facão e a adaga estão incorporados à vida do homem sul-rio-grandense. É tal a sua utilidade que no campo ou na cidade, o gaúcho que se preza tem sua faca à mão. A faca sangra a rês. Coureia, lonqueia, carneia, prepara a costela para o assado e o couro pra o laço: corta o churrasco e apara os tentos. Enquanto o piá com sua faquinha prepara a forquilha para o bodoque, a velha, na cozinha, corta o charque para o 'arroz de carreteiro'. Em noites de São João, a gauchinha crava a faca no tronco da bananeira, para antecipar a sorte. Com a faca cortando a terra o campeiro 'vira o casco', cruzando dois capinzinhos sobre a simpatia infalível. Faca não se dá. Faca se vende mesmo de presente, pela moeda de menor valor. E o amigo paga para não perder a amizade. É com a faca que o gaúcho corta o 'amarelinho' para tragar as introspecções do cismarento cigarro de palha. Com a faca o gaúcho pelejou em entreveros revolucionários, corpo a corpo; dançou na 'faca maruja' e trabalhou, castrando o gado. Com a faca o gaúcho falquejou a própria história do Rio Grande. Da infância da terra à maturidade histórica, a faca prolongou o braço do gaúcho. Do acalanto materno: 'Dorme filhinho, dorme meu amor, que a faca que corta dá talho sem dor'. Ao conselho paterno: 'Cavalo de boa boca, mulher de bom gênio, faca de bom fio'. A faca, uma companheira inseparável do gaúcho!" (Côrtes, J.C. Paixão; "Gaúchos de faca na bota")

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29/04/2008 22:25:20 Divonei dos Santos - Palmeira / PR - Brasil
Este site é especial de primeira
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