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Marco Aurélio Vasconcellos e Os Posteiros,
12a Califórnia da Canção Nativa do RS
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Fio do Tempo

 

01/10/2005 05:46:40
A FACA DO GAÚCHO – PARTE II
 
A faca e a chaira: o corte e o fio!
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O Bombacha Larga, retomando o tema “A faca do Gaúcho”, continua a divulgação da excelente pesquisa de Paixão Côrtes. No seu trabalho, o folclorista resolveu estender-se em outras considerações sobre o assunto, desenvolvendo ainda mais o que havia escrito em breve trabalho intitulado "vestimenta gaúcha". Assim nos brindou o nosso grande folclorista e precursor do Movimento Tradicionalista Gaúcho Brasileiro organizado, João Carlos D'Ávila Paixão Côrtes: “Faca gaúcha e suas características gerais” - A necessidade do emprego da faca pelo gaúcho em diferentes atividades, aliada a fatores econômicos e sociais da sua própria formação, faz surgir no comércio rio-grandense variados tipos dessa peça. No entanto, em traços gerais podemos dizer que a faca gaúcha se caracteriza por ter uma lâmina de seção triangular: com um só gume, sendo a parte superior da lâmina conhecida por "lombo" ou "costas". Apresenta um comprimento em torno de 33 cm e uma largura ao redor de 3,5 cm tendo em algumas delas, na lâmina, além do "gavião" normal, orifícios, ranhuras, entalhes que se relacionam no trabalho do gaúcho, na sua faina campeira. Os cabos são chatos ou meio oitavados (estão presos ao "espigão"). Podem ser de madeira ou chifre. Ou ainda mais delicados, de metal, de prata e ouro, cujas bainhas apresentam desenhos e modernamente cenas ou motivos regionais. A bainha de couro, metal, couro e metal ou ainda de chifre. A primeira é usada principalmente nas lides campeiras diárias; feitas de couro cru ou sola, muitas vezes bordada com finos tentos. Quando de prata ou níquel, pode ser lavrada, cinzelada ou bordada a ouro, com motivos diversos, acompanhando os desenhos do cabo da faca. Numa bainha destacamos a "ponteira e o bocal", reforços no início e no fim da mesma (às vezes, "anel" no meio): a "espera" ou "orelha" responsável por sua fixação na guaiaca. Ampliando a própria bainha, no meio rural, vamos encontrar, às vezes, a chaira, assentador da faca, constituído por uma peça de aço, cilíndrica, de comprimento médio de 30 cm munido de cabo, onde se assenta o fio da lâmina. “Maneiras de usar” - Variando de região para região, a faca pode ser usada na cintura, das seguintes maneiras: a) à altura das cadeiras, em posição enviezada, com a parte correspondente ao fio virada para cima, aproveitando o gaúcho, comumente, para no cabo que se destaca, pendurar seu relho, através do fiel, (às vezes, as esporas também). Esse costume é habitual no campeiro fronteirista. b) do lado do corpo (geralmente do esquerdo) com o fio virado para baixo e o cabo inclinado para frente. Em ambas as posições a faca está segura à cinta ou guaiaca, pela bainha. Pode, no entanto, ficar esta segura a uma espécie de espera de couro, com alça independente por onde passa o cinto ou a guaica, ficando a faca pendurada, aparecendo junto à perna pelo lado externo. Da mesma forma de como é usado o facão de mato (não confundir com o punhal). Esta modalidade é encontradiça entre gaúchos dos "Campos de Cima da Serra". No período em que a moda fazia obrigatório o uso do colete, a cava deste era lugar seguro para o gaúcho da cidade calçar sua pequena faca. Desapareceram também os gaúchos atrevidaços de "faca na bota". “Denominações folclóricas” - Xerenga ou ainda caxerengue — Faquinha pequena, velha. Julgamos derivar de caxiringuengue — faca velha; sem cabo; oriundo do indígena kiceringuengue; do kice — faca segundo Coruja, ou de quice mais renguenque, este do afro, segundo Spalding. Estas denominações também conhecidas em outros estados do Brasil. Chavasca — Fronteirismo galponeiro. Possivelmente de chavascada. Existe também chavasco — tosco, grosseiro. Choto — Faca pesada, feia. Língua de ximango — O formato de lâmina — comprida e fina — lembra a  língua do ximango, (Milvago e eluroecephalus) ave de rapina dos campos do Rio Grande do Sul. Ferro branco — De arma branca. Prateada — Devido ao cabo ou à bainha (ou ambos) serem de prata ou metal dessa cor. Farinheira — de lâmina larga, tornando-se própria para servir farinha no churrasco. Carneadeira — Especificamente própria para tirar couro e evitar furos nos mesmos. Com a ponta volteada para cima. Extensivo a qualquer faca afiada. Adaga — Do latim daga. Arma de defesa pessoal. Geralmente possui junto ao cabo uma guarda em forma de S. Tem um comprimento maior do que as facas normais; fio num dos lados de toda a lâmina ou, ainda, acrescido na extensão próxima da ponta do outro lado: ou dois gumes em toda a distância: um sulco de cada lado da lâmina, no sentido de seu comprimento. O "espigão não fica no prolongamento do lombo" como nas demais, mas sim no meio da lâmina”. Este é um estudo de relevância para o conhecimento de tão importante utensílio na vida dos gaúchos do Rio Grande, como fora e tem sido a faca gaúcha.  Amanhã continuaremos com a publicação da Parte III da matéria. (Fonte: Côrtes, J. C. Paixão. “Gaúchos de faca na bota”)

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01/10/2007 14:57:36 edislaine matias - cassilandia / MS - Brasil
Ficou muito legal! Assunto interessante. Só que falta um pouco de figuras de gaúchos. entrevista é legal. Vocês estão de parabéns! Amei este site. Beijão.
Sítio: http://www.bol.com.br
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