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Luiz Carlos Borges - Calhandra de Ouro da Califórnia de 1991:
Florêncio Guerra e seu cavalo, de Mauro Ferreira

 

02/10/2005 15:09:32
A FACA DO GAÚCHO - PARTE III
 
O uso gaúcho tradicional da faca no RS é nas costas.
Na Serra Sul-rio-grandense, seu uso do lado do corpo é apenas regional!
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A faca foi um dos temas do Desfile Farroupilha de 2005, no Estado do Rio Grande do Sul. Sobre ela Antonio Augusto Fagundes assim manifestou-se: “A faca é um instrumento de trabalho e luta, talher e arma. Existe em todos os povos. A nossa faca campeira é flamenga, veio do país de Flandres, com posição garantida na cintura do gaúcho, mas na parte de trás, ao contrário de todos os povos que usam facas. A faca carneou e cortou churrasco. E quantas vezes, atada com tentos na ponta de uma taquara, não virou lança de guerra, rabiscando a história do Rio Grande nas páginas verdes das coxilhas? Facas, facões, adagas, espadas e lanças, as armas brancas que se tingiam de rubro nos estreveros”. Oiga-le-tê! E continuando com a divulgação do estudo de Paixão Côrtes sobre essa arma branca do gaúcho, o sítio Bombacha Larga publica, hoje, a Parte III da matéria, cujo teor traz outras informações históricas, finalizada com um poema do grande poeta Jayme Caetano Braun. Assim nos conta o grande folclorista Paixão Côrtes: “Faca famosa de outrora - Dentre elas destacamos uma, integrada até mesmo hoje, no folclore gauchesco: "a coqueiro". Não era fabricada na cidade de Pelotas, como muitos pensam, mais sim importada pela firma Scholberg, cuja sede comercial estava em Liége, Bélgica. A referida firma, com filiais em Montevidéu, sob o nome de Broqua & Scholberg, e na cidade de Rosário na Argentina, estabeleceu em Pelotas, no ano de 1850, uma outra filial, sob a razão comercial Joucia, Scholberg & Silva. Como sócios faziam parte, além de pelotenses, o francês Leopoldo Joucia, vice-cônsul da França (ou pessoa representativa daquele governo) e que também estava ligado ao comércio de famosos vinhos franceses. Mais tarde outro gaulês incorporou-se à firma: Armand Gadet. Mas a firma Scholberg pelotense era especializada na importação de armas, metais finos, talheres, cutelaria fina, ferragens, apetrechos de caça, munições, artigos de cristofel, quinquilharias afora, peças, que no decorrer de seu desenvolvimento comercial foram importantes fornecedores e das quais realizamos precioso levantamento, inclusive fotográfico com slides e cujos estudos daremos divulgação oportunamente. Esta firma, na grande parte de seus artigos, especialmente os de "metal branco garantido", traziam gravados além desses dizeres, a insígnia de um pé de coqueiro ou uma estrela de cinco pontas. As facas vinham da Bélgica quase prontas recebendo aqui a postura do cabo e bainha. Dentro de vários tipos dos catálogos que Jouela, Scholberg & Silva possuíam, o gaúcho dava preferência à marca do "coqueiro" e desta a "coqueiro deitado", pois era um "ferro branco para qualquer lida"... Esta marca aparecia junto ao cabo, colocada ao longo da lâmina (no comprimento) paralelo ao gume. Existia também o "coqueiro em pé", em que o mesmo ficava com a base virada para o fio, ou melhor, na largura da lâmina. O curioso é que em frente da própria firma — Andrades Neves, 651, em Pelotas, existia um pé de coqueiro, além de ver-se a título de propaganda, presa à distância da parede da referida casa, uma enorme faca colocada paralelamente a uma não menor espingarda de caça. Não sei se o coqueiro ali visto já existia na via pública ou foi plantado posteriormente pelos fundadores da firma. Teria o mesmo motivado o nome da marca? Ou ainda servido de inspiração ou aproveitamento para que o nome do famoso aço "coqueiril", do qual as facas eram confeccionadas, fosse auditivamente associada ao coqueiro, pelo nosso gaúcho do campo, para maiores efeitos comerciais e publicitários, perfeitamente compreensível na época. Mas a verdade é que embora a firma tivesse cerrado suas portas em 1936, ainda hoje, na esquina defronte, onde outrora se transferira — atualmente ocupada pela Casa Alegre —, encontra-se um pé de coqueiro que, ferindo o plano urbanistíco do centro da Princesa do Sul, ainda é conservado como tradição na cidade, juntamente com outro existente na frente do colégio Gonzaga. Atualmente, quem tem a felicidade de possuir uma faca "coqueiro", a guarda como verdadeira jóia gauchesca. Talvez por isso o brilhante poeta chucro do pago Jayme Caetano Braun, dedicou-lhe este poema: ‘Faca coqueiro, cabo de madeira branca e a folha de palmo e meio. Esta faca que palmeio, sovando uma palha buena, larga, assim como novena, nas festanças do Divino, foi presente do Galdino, filho de Dona Pequena! Na prancha meio azulada, deste regalo campeiro, está gravado um coqueiro, assim como um distintivo, que me faz lembrar, altivo, o charrua melenudo, bombeando longe, sisudo, o velho solo nativo! É nesse ferro crioulo que o meu fôlego embacia a cancha reta bravia por onde o fumo se espalha; com ele eu ajeito a palha, longueio, e, aparo crina  e a barba, pra ver a china, quando não tenho navalha! Quando corto meu churrasco deixo branqueando o espeto e se na encrenca dos meio não sobre garrafa inteiro pois este ferro campeiro, de ponta como de prancha, tem mania de abrir cancha no costilhar do parceiro! Por isso é que ao te palmear, sovando a palha de milho, eu sinto, ó rude utensílio, que muito primeiro que eu o guasca já te benzeu, quando num berro de touro, junto ao "bendito" de couro, nalgum rival te embebeu! E ao te arrancar da bainha, de ponteira reforçada, evoco a rudez passada de teu áspero  trajeto, quando o xiru analfabeto, contigo de companheira, nas andanças da fronteira lonqueava o nosso dialeto! Traste mil vezes relíquia, por ser presente de amigo: hei de levar-te comigo sempre ao alcance do braço; e acolherar no teu aço o presente e o passado, até que pranche enredado por algum "seio de laço"! E fica certo, Galdino, ao te agradecer de novo, que no singelo retovo do meu gauderiar sem Norte, esta faca enquanto corte, até os últimos momentos, há de estar lonqueando os tentos da nossa amizade forte!'!" ( Fonte: Côrtes, J. C. Paixão. "Gaúchos de faca na bota")

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13/05/2008 16:12:44 José Itajaú Oleques Teixeira - Brasília / DF - Brasil
Prezado Augusto. O sítio Bombacha Larga agradece a tua honrosa visita e o comentário postado neste espaço cultural tradicionalista gaúcho. Por primeiro, o cumprimentamos pelo importante trabalho cultural realizado na pesquisa referente à faca no Brasil. Por segundo, concordamos plenamente com esse prezado colaborador no sentido de que há a necessidade de se identificar, registrar e catalogar historicamente a produção dos cuteleiros artesanais gaúchos, antes que suas obras se percam no tempo. Por isso, fica aqui o convite a todos os historiadores e pesquisadores, especialmente aos do Estado do RS, para que atendam a essa relevante convocação, patrocinada por esse prezado visitante. Saudações Tradicionalistas e um quebra-costelas cinchado!
Sítio: http://bombachalarga.com.br
13/05/2008 15:00:04 augusto jose de sa campello - rio de janeiro / RJ - Brasil
Prezado Senhor. Também me ocupo da recuperação de tradições, em especial facas. Seu trabalho é louvável. Estou em vias de finalizar trabalho a respeito da faca no Brasil. Tenho dados sôbre as importadas e/ou acabadas no RS. Mas, antes disso, no Brasil Colônia quase nada. Nos tempos que correm, creio que seria útil começar a recuperar daddos a respeito dos muitos cuteleiros artesanais gaúchos cujas obras tendem a ser menosprezadas. Atenciosamente AJS Campello
Sítio: *****
13/05/2008 09:45:46 José Itajaú Oleques Teixeira - Brasília / DF - Brasil
Prezado Odair José. O sítio Bombacha Larga agradece a tua honrosa visita e a comunicação postada neste espaço cultural tradicionalista gaúcho. Em resposta, informamos-te que provavelmente, com o passar dos tempos, ocorreu uma alteração na numeração da referida rua. Sugerimos a esse prezado Vivente, na medida do possível, que faças uma investigação na Prefeitura Municipal de Pelotas, a respeito dessa possibilidade e, depois, caso queiras colaborar com o Bombacha Larga, informes neste espaço, aos demais visitantes, as informações obtidas. Com as Saudações Tradicionalistas segue o nosso quebra-costelas cinchado a esse Xiru!
Sítio: http://www.bombachalarga.com.br
12/05/2008 21:22:54 Odair jose jardim briao - bage / RS - Brasil
Boa noite! Tenho uma pequena coleção de facas e tesouras de esquila. Possuo uma metade de tesoura com a marca scholberg & cia. Aqui neste vão tem um coqueiro - 147 Rua andrade de neves 147 - Pelotas. Minha dúvida é por que os números do endereço não são os mesmos?
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Listados 4 Comentários!
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