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Mauro Moraes:
De Bota e Bombacha, de Mauro Moraes

 

02/08/2005 09:21:10
DE BOTA, BOMBACHA, GUAIACA, CAMISA, LENÇO E CHAPÉU DO RS!
 
TRADIÇÃO NÃO SE INVENTA: SE CULTUA E SE VIVE!
é o lema do PTG Fogo de Chão, de Alecrim-RS!
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As modas comerciais implantadas pelos mercados sem fronteiras da Nova Ordem Mundial não se confundem com a verdadeira Tradição do Rio Grande do Sul, forjada pelos antepassados gaúchos campeiros do Pampa Sul-rio-grandense. O conhecimento dessa antiga Tradição Gaúcha Brasileira é imprescindível para a preservação dos usos e costumes regionalista-tradicionais dos gaúchos sul-brasileiros, pois para que se possa preservar algo é preciso, antes, conhecê-lo. Assim, para que possa haver Tradição da Pilcha Gaúcha Oficial e de Honra do Rio Grande do Sul e a sua retransmissão às novas e futuras gerações, essencial é que no Movimento Tradicionalista Gaúcho Brasileiro se desenvolva, permanentemente, uma Educação Tradicionalista voltada para o conhecimento regional das antigas e genuínas Tradições dos Gaúchos Pampeanos do Rio Grande do Sul. Só dessa forma os jovens e os novos integrantes do Tradicionalismo saberão que bombachas são calças muito largas, com cós largo e sem alças, presas por botões logo acima do tornozelo; que essa fora a vestimenta predileta dos homens campeiros do Rio Grande do Sul, tanto no uso para o trabalho - doma, campereadas, etc. - como para o passeio, os bailes, as festas. É o que nos explica o Dicionário de Regionalismos do Rio Grande do Sul, dos irmãos Zeno e Rui Cardoso Nunes, editado pela Martins Livreiro Editor, de Porto -Alegre, RS. Também o Michaelis Moderno Dicionário da Língua Portuguesa confirma que bombachas são calças largas, apertadas acima dos tornozelos por meio de botões, usadas pelos campeiros. Clóvis Rocha, na sua obra ABC das Danças Gaúchas de Salão (Porto Alegre: Martins Livreiro Editor, 2002), relembra-nos a todos que para a bombacha (calça larga) são utilizadas preferencialmente tecidos de uma única cor e, além disso, liso; mas o tecido riscado é também muito utilizado; a bombacha é feita com brim, linho, tergal ou algodão, podendo apresentar-se com detalhes de favo de mel (trabalho de costura na lateral, lembrando favos), mas também poderão ser lisas, sem favo, todas abotoadas no tornozelo. E acrescentamos: as mais estreitas, as quais nao se confundem com as calças justas, são de origem serrana, devido a influência deitada ali pelos birivas paulistas e pelos imigrantes chegados à região. As mais largas são utilizadas na fronteira e as médias no Planalto e nas Missões. E não nos esqueçamos que toda a Tradição do Rio Grande é oriunda da região do Pampa Sul-brasileiro. Portanto, alguns regionalismos não podem ser considerados como da Tradição Gaúcha do Rio Grande do Sul. Tanto em um feitio quanto em outro, as cores mais chamativas não são bem aceitas, como também não o são os tecidos brilhosos e contrastantes, utilizados por alguns grupos de show em churrascarias. Para o citado autor, as botas, de preferência, devem ser de cores sóbrias, de couro preto ou marrom; e quanto aos estilos de bota deverão ser utilizadas botas com gaitinha ou cano longo, que vão até próximo do joelho - as russilhonas - com ou sem fivela de ajuste. Diz Clóvis Rocha: quando falo em cores sóbrias, preta e marrom, por exemplo, penso não somente nas diretrizes do MTG, mas também na combinação das cores com o restante da pilcha. Completamos essa informação explicando que há vários tons de marrom, desde o mais forte, passando pelo pinhão, até o amarelado, sendo, neste caso, a bota conhecida como baia, de uso regional na Serra Sul-rio-grandense. E aproveitando a olada vamos falar de outras peças tradicionais da Pilcha Gaúcha Oficial do Rio Grande do Sul. Ainda estribados no trabalho do estudioso Clóvis Rocha, no que se refere à guaiaca gaúcha sul-rio-grandense (cinturão de couro, com bolsas), esta apresenta-se na fronteira muitas vezes com duas fivelas e com bolso para relógio do lado esquerdo, outro bolso maior atrás, para notas de dinheiro, e uma bolsa para moedas, do lado direito. Já a guaiaca do serrano é geralmente de couro peludo. A faca, na fronteira, campanha e missões, é levada às costas; na serra, a faca é usada ao lado do corpo. A faixa larga, de somente uma cor, pode também ser usada por debaixo da guaica e é de uso somente na Fronteira. A camisa do gaúcho do Rio Grande deve ser sóbria e clara, neutra, somente de uma cor ou, no máximo, discretamente riscada, mas nunca quadriculada e sempre com mangas compridas para as ocasiões sociais e formais, como é o caso dos Fandangos e dos Desfiles Farroupilhas, por exemplo, aonde a imagem do gaúcho campeiro do Rio Grande deve ir para o mundo da forma mais fiel possível, e não com os indevidos uniformes de Entidades, com preferências pessoais, cores, slogans, bandeiras e estilos incompatíveis com a antiga e autêntica Tradição Regional dos Campeiros do Pampa Sul-rio-grandense. Já a camisa de mangas curtas é usada apenas nas atividades de lazer e trabalho. Com tecido de algodão, linho ou viscose, a camisa da Pilcha Gaúcha Oficial do RS nunca é xadrez ou de mangas fofas, com gola de padre, brilho acetinado ou em cores com tons contrastantes, berrantes, como o vermelho, o verdão, o azul forte, o amarelo, o pastelão, ou apresentando figuras, bandeiras e outras impropriedades que atentam contra a simplicidade e o tradicional Jeito Comedido de Viver dos Pampeanos do Rio Grande do Sul. O colete, quando usado, deve ter a cor no mesmo tom da bombacha ou diferir deste, no máximo, por um sobre-tom, mas nunca em cores totalmente contrastantes com o tecido daquela, devendo ser usado somente nas ocasiões aonde haja a necessidade de portar-se um traje mais social; por isso, nos ambientes de provas campeiras e outros serviços de campo o uso do colete não se encontra condizente com o verdadeiro e típico Traje Tradicional dos Gaúchos Campeiros do Pampa do Rio Grande do Sul. O lenço de pescoço tem como cores básicas as que foram utilizadas nas grandes disputas políticas do Estado Sulino e que continuam, ou deveriam continuar, sendo usadas no MTG Brasileiro, por Tradição (transmissão de pais para filhos, pelo tempo, de forma espontânea e contínua, dos antigos usos e costumes regionais enraizados pelos Gaúchos Campeiros do Pampa do Rio Grande do Sul). Além do lenço vermelho – maragato, federalista -, e do branco – chimango, republicano -, há o verde dos pica-paus, também republicano, o azul, o amarelo e o neutro, de xadrez miúdo, conhecido como cari, todos devendo ser atados com um dos nós da Tradição Gaúcha Sul-brasileira e dispostos diretamente por sobre o pescoço. O lenço preto, conforme a Tradição Regional dos Campeiros do Rio Grande, somente deve ser usado nos casos de luto, assim como a camisa e a bombacha dessa mesma cor. E o chapéu tradicional dos gaúchos do Sul-brasileiros não é o claro chaparral, com aba frontal caída e as laterais levantadas, no estilo texa-country-sertanejo, nem o de copa alta dos castelhanos, mas o de feltro - nas cores escuras: preta, marrom ou cinza -, de copa baixa e tapeado na testa, a revelar a altivez, a independência e a dignidade do homem gaúcho do Rio Grande do Sul. De acordo com a Tradição Gaúcha Sul-rio-grandense não se deve usar chapéu ou qualquer outra cobertura à cabeça nos ambientes fechados, como os interiores das residências, dos salões de bailes dos CTGs, principalmente no ato de dançar, pois esse procedimento fere um princípio antigo e tradicional dos gaúchos sul-rio-grandenses: entrar com o chapéu à cabeça em um recinto coberto, além de uma falta de educação, representa uma afronta a quem oferece ao visitante acolhida em sua morada. Quanto às prendas gaúchas, estas devem estar vestidas em público com a Pilcha Gaúcha Oficial e de Honra do Rio Grande do Sul, a Indumentária Tradicional da Mulher Tradicionalista Gaúcha Brasileira, representativa das antigas mulheres interioranas do Pampa Sul-rio-grandense, trajando seus Vestidos de Prenda, e não como autênticos peões gaúchos, em que pese o imenso e corrupto incentivo promovido pelos mercadistas dentro do próprio MTG Brasileiro organizado. Enfim, as importações, os modernismosos modismos urbanos que os mercados da Nova Ordem Mundial empurram ao consumo de incautos e pseudostradicionalistas gaúchos brasileiros, como coletes texanos, cintas urbanas, fivelas countriescamisas pretas, vermelhas e de coloridos forteschapéus claros, chaparral, countries, caubóis, de abas laterais viradas e aba frontal caída, e os platinos de copa alta; os lenços pretos, estampados, diminutos, escondidos, virados, folclóricos, à meia-espalda, exagerados, com triângulos às costas; as calças justas, as boinas coloridas importadas de outras plagas, as guaiacas porchetão freio de ouro do mercado crioulista e as rastras platinas, tudo isso são meros produtos de comércio, de origem texana, argentina ou uruguaia, mas que nunca fizeram, não fazem e jamais porderão fazer parte da Tradição Regional Gaúcha Sul-brasileiraEssas não passam de meras importações e invencionices comerciais urbanas, as quais não se confundem com as verdadeiras, as autênticas, as genuínas Tradições dos Antepassados Gaúchos Campeiros do Pampa do Rio Grande do Sul!

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02/08/2009 12:32:51 Marcos Antonio Kazmierski - Palmas / PR - Brasil
Muito obrigado, por manter viva esta tradição gaúcha!
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30/04/2009 18:17:11 José Itajaú Oleques Teixeira - Taguatinga / DF - Brasil
Prezado José Carvalho. Agradecemos a tua honrosa visita e o comentário postado neste espaço cultural tradicionalista gaúcho. Respeitando o teu posicionamento pessoal, a respeito do tema, dele discordamos, pois se o fim do Tradicionalismo Gaúcho Brasileiro é o de preservar o Núcleo da Formação Gaúcha Sul-rio-grandense e a Filosofia Tradicionalista de Atuação expressada na sua Carta de Princípios, como poderia esse Movimento Cultural Regionalista Gaúcho Brasileiro cumprir os seus fins, se não viesse a observar o Patrimônio Sociológico-tradicional dos Gaúchos Campeiros do Rio Grande do Sul? Poderia o MTG Brasileiro, nesse seu mister, agir de acordo com as modas citadinas dos comercialistas? Poderá o Tradicionalismo corromper aquilo a que se destina cultuar, preservar, defender e corretamente divulgar, se passar a valorizar aquilo que é próprio do Uruguai, da Argentina, do Texas ou de Barretos? Naturalmente que não! Isso fica para os que não são tradicionalistas gaúchos, mas apenas sul-rio-grandenses, "nativistas", "crioulistas", "mercosuristas", "modistas", todos com fins comerciais envolvidos nas suas práticas, cuja única Filosofia de Atuação é a do lucro, a do comércio dos modismos. Por isso afirmamos: quem tem, há muito, se afastado do Tradicionalismo são os verdadeiros Tradicionalistas Gaúchos Brasileiros, pois estes não se submetem a financiar, a compactuar, a ser coniventes com a degradação, a deturpação, a degeneração regionalista gaúcha sul-rio-grandense, essa corrupção cultural praticada, atualmente, no âmbito do Sistema Movimento Tradicionalista Gaúcho Brasileiro organizado, não por Tradicionalistas Gaúchos, mas por politiqueiros e comercialistas, os Calaveiras da Tradição dos Gaúchos Campeiros do Rio Grande do Sul, infelizmente! Para esses a alegada evolução certamente que atende muito bem aos seus intentos; só que nada disso é Tradição, pois esta se fez pelo tempo, de pais para filhos, de forma espontânea e contínua, e não por meio dessas invencionices de mercado, dessas modas comerciais de quem nunca foi, não é e jamais será nem gaúcho e muito menos, ainda, Tradicionalista Gaúcho Brasileiro! Agradecendo a tua participação, enviamos a esse prezado Vivente um quebra-costelas cinchado!
Sítio: http://www.bombachalarga.org
25/04/2009 22:04:09 jose carvalho - palegre / RS - Brasil
Tanta ditadura de cores e formas afasta as pessoas deste tradicionalismo. É uma sucessão de "não podes" tal, que dificulta até a compra das pilchas. O tradicionalismo, como o mundo e as pessoas, deveria evoluir.
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