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Ivan Taborda:
Carreteiro da Saudade

 

28/10/2005 11:47:04
CAÇAPAVA NÃO SE ENTREGA: OUTUBRO DE 1867!
 
O Carreteiro da antiga Tradição
dos Pampeanos do Rio Grande!
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Em homenagem ao Dia Nacional do Livro, a ser comemorado em 29 de outubro, estamos postando a segunda parte do capítulo Caçapava não se entrega, do romance histórico Chananeco: a História de um carreteiro, de autoria dos escritores Carlos Cassel, Lucas Zamberlan, Luiz Hugo Burin e Remado Carlos Cassol, obra oriunda da Oficina de Criação Literária Alcy Cheuiche. A todos os literatos os cumprimentos do sítio Bombacha Larga pelo dia nacional daquele que é considerado um legítimo filho, concebido e gerado no intelecto de seus respectivos escritores: o LIVRO. Boa leitura! Chananeco sorveu um longo gole e apontou para o major cabeludo, que continuava a rir alto no meio dos seus soldados. – Então tu conhece aquele sem-vergonha? – Major Antônio Riquinho. Dizem que é muito valente. Subiu ligeiro na guerra. Chananeco fez uma careta, mas não disse nada. Logo terminou o mate e devolveu a cuia. – Obrigado, já estou verde por dentro. E vermelho por fora, Lino pensou, mas não disse. Ordenado pelo Coronel Pereira, o corneteiro repetira o toque de silêncio. Todos foram se recolhendo para suas tendas. Na manhã seguinte, como se esperava, os paraguaios estavam próximos. Milhares deles. Desta vez, além da cavalaria, os infantes cobriam uma grande parte do campo visual. E tingiam com o vermelho dos seus uniformes a várzea que descia para o rio, a perder de vista. No comando do seu pelotão, Chananeco dava as ordens. Falava alto e claro para que todos pudessem ouvi-lo. O Major Riquinho estava controlando a distribuição de cartuchos. Com frequência, se olhavam de relance, os rostos sérios. Lino não estava gostando nada do que via. Carregou seu fuzil e tratou de ficar o mais perto possível do capitão. A cavalaria estava pronta para a carga. O coronel Pereira se aproxima de Chananeco. – Cuidado que eles estão formando um quadrado! O capitão concordou com um gesto de cabeça. Esperava essa estratégia do lado paraguaio. O quadrado era a única forma dos infantes, que combatiam a pé, bloquearem a cavalaria. Os soldados ficavam lado a lado, formando quatro paredes humanas. Quando os cavaleiros chegavam em plena corrida, eles atiravam e depois tentavam ferir as barrigas dos cavalos com suas baionetas. Os que saltavam a barreira humana, ficavam presos entre os inimigos. Em movimentos sincronizados, os infantes viravam suas armas para o interior do quadrado e os fuzilavam à queima-roupa. À frente do esquadrão, Chananeco arranca da espada e dá a ordem de atacar: - Todos comigo! Vamos furar esse quadrado! Era a estratégia mais perigosa. Mas a única possível, se não quisessem recuar. Chananeco sacode a espada em molinete, com o cavalo correndo ao máximo de suas forças. Logo atrás dele, todo o esquadrão o segue em ondas sucessivas. O capitão vê agora os inimigos como uma mancha vermelha diante de seus olhos semicerrados. Ouve a fuzilaria e os gritos dos paraguaios. Não pode ver que muitos dos seus soldados foram atingidos. Chega diante da barreira humana e crava as esporas no tordilho. O cavalo salta e é ferido na barriga por duas baionetas. O animal cai de joelhos. Chananeco salta de seu lombo de espada na mão. O tordilho, banhado em sangue, estrebucha e relincha de dor. Uma nova carga dos brasileiros impede os infantes de virarem os fuzis para dentro do quadrado. Mas um deles avança para o capitão, atira e erra. No mesmo momento, um brasileiro salta sobre os paraguaios, com o cavalo incólume, e grita para Chananeco: - Monta na garupa! Reconhecendo Riquinho, Chananeco, entrincheirado atrás do cavalo morto, recarrega seu revólver e segue atirando. – Vamos Chananeco, monta de uma vez! Se não, vamos morrer os dois! – Não monto na garupa de nenhum tratante! – Deixa de bobagem! Estou salvando é a vida de um brasileiro! Uma terceira carga de cavalaria mantém os paraguaios atentos para o lado de fora. Alguns soldados conseguem furar o quadrado e protegem os dois oficiais. Lino está entre eles. Mas não consegue chegar perto de Chananeco. Com uns homens, forma uma resistência feroz. E começa a gritar como louco: - Caçapava não se entrega! Caçapava não se entrega! Chananeco sente um arrepio correr-lhe pelo corpo. De um só pulo, salta na garupa do cavalo de Riquinho. Mas não conseguem chegar perto de Lino. Mais cavalarianos furam o bloqueio. A gritaria é infernal. Mas acima de tudo se ouve sempre a voz do soldado gaúcho: - Caçapava não se entrega! Caçapava não se entrega! O major consegue tirar Chananeco de dentro do quadrado. Mas o cavalo está a ponto de cair. Afastam-se mais um pouco. Saltam do lombo do animal que espuma por todo o corpo e treme muito. De espada na mão, os dois homens avançam a pé para o combate. Mas os paraguaios estão em fuga. Por alguns momentos, os oficiais ficam parados, respirando com dificuldade. Finalmente, Chananeco vira-se para Riquinho e diz simplesmente: - Muito obrigado, compadre. E se abraçam chorando, como dois irmãos há muito tempo separados. Mas outra missão difícil os aguarda. O soldado Lino Azambuja fora ferido na cabeça. Graças a seu grito de guerra, os conterrâneos que o acompanhavam lutaram bravamente. O apelo da querência distante foi a mais poderosa das armas. E enquanto caminhavam para o hospital de sangue, a procura do amigo, Chananeco e Riquinho ouviam nitidamente o grito que atravessaria as barreiras do esquecimento: - Caçapava não se entrega! Caçapava não se entrega! (pedidos para burin.lh@farrapo.com.br)

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29/01/2009 15:30:59 home loan - ... / ES - Macau (China)
Lovely. Great site.
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09/08/2008 21:31:10 Luis Carlos Bergenthal Júnior - rosário do sul / RS - Brasil
Se lavaram no site! Gostei muito!
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26/05/2008 11:23:37 José Itajaú Oleques Teixeira - Brasília / RS - Brasil
Prezada Fernanda Chananeco. O sítio Bombacha Larga agradece a tua honrosa visita e o comentário postado neste espaço cultural tradicionalista gaúcho. Em resposta, informamos-te que estamos enviando-te, por e-mail, as informações solicitadas. Saudações Tradicionalistas e um quebra-costelas cinchado a essa prezada visitante!
Sítio: http://www.bombachalarga.com.br
24/05/2008 20:07:11 fernanda roselaine chananeco - gravatai / RS - Brasil
Gostei de ler "História de um carreteiro". Gostaria de saber sobre o coronel Chananeco e minhas origens, pois comenta-se que meu bisavô era irmão do coronel Chananeco.
Sítio: *****
19/03/2008 14:29:54 José Itajaú Oleques Teixeira - Guará / DF - Brasil
Prezada Cátia. O sítio Bombacha Larga agradece a tua honrosa visita e a comunicação postada neste espaço cultural tradicionalista gaúcho. Em resposta, informamos-te que por meio do correio eletrônico de um dos autores da obra literária Chananeco: a História de um carreteiro, Luiz Hugo Burin, podes ter maiores informações a respeito do teu tataravô Lino Azambuja e da possibilidade de encomenda do referido livro. O e-mail para contato é o seguinte: burin.lh@farrapo.com.br. Saudações Tradicionalistas e um quebra-costelas cinchado!
Sítio: http://www.bombachalarga.com.br
08/03/2008 13:46:15 Cátia Bergenthal - Parobé / RS - Brasil
Sou uma Tataraneta de Lino Azambuja. Gostaria de saber mais sobre sua história e como faço para comprar este livro.
Sítio: http://bombachalarga.com.br
29/09/2006 09:30:31 José Itajaú Oleques Teixeira - Guará / DF - Brasil
Prezado Nêuquen. O sítio Bombacha Larga agradece a tua honrosa visita e o comentário postado. Atendendo a tua solicitação, informamos-te que, conforme a matéria do dia 28 de outubro de 2005, os pedidos podem ser realizados para o endereço burin.lh@farrapo.com.br, Correio Eletrônico de Luiz Hugo Burin, um dos autores do Livro "Chananeco: a História de um carreteiro". Saudações Tradicionalistas e um quebra-costelas cinchado!
Sítio: http://www.bombachalarga.com.br
29/09/2006 02:00:57 Nêuquen Vanderlan - Porto Alegre / RS - Brasil
Eu li este livro e achei ótimo; retrata uma história de heroísmo e também de cultura. Gostaria de saber como faço para adquirir o livro, pois o que li era emprestado.
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Listados 8 Comentários!
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