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Baitaca:
No meio dos Quatro Ventos

 

26/05/2007 19:48:16
SAUDADE
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Quando o sol golpeia no horizonte
e se vai reclinar por de trás do monte
como um boi colorado
repontado
pelo mango de noite
que tropeia
eu sofro a mágoa de tristeza,
a quietude sem fim da natureza
na saudade cruel que me maneia.

Xomíco!

Por que será
que Nosso Senhor nos dá
sem pena, nem julgamento,
a pua do pensamento
prá esporiar o coração?
Há nisso tanta maldade
que eu até nem acredito
que fosse o "tal" Jesus Cristo
o inventor da saudade...

Saudade!!!

Ela vem chegando,
tropereando...tropereando
tudo de bom que vivi.

Depois que a saudade apeia
amarra o pingo e sesteia,
nunca mais a gente ri.

Isto é: sempre há sorriso
mas para isso é preciso
enganar como perdiz
que piando numa moita
noutra se esconde afoita
fingindo que náo piou.
A gente não é feliz!

So ri dos dentes pra fora,
um gargalhar disfarçado,
uma risada amarela,
como potro atropelado
como boiada que estoura
na saída da cancela.

Saudade cheira a alecrim
mas é ruim que nem cupim
que dá em várzea de campo;
fere a gente de tal jeito
que o coração cá no peito
se banha nágua do pranto.

Saudade é grama cidreira,
é guecha passarinheira
que a gente nunca domina;
é dor aguda e danada,
dói mais do que uma chifrada
de vaca mansa brasina.

Saudade, coisa esquisita,
que Deus te faça bendita
como a hóstia no altar!...

Pois, de tudo que já tive,
somente a saudade vive,
vive a me acompanhar!!!

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  Autor: Lauro Rodrigues
Poesia enviada Por: José Itajaú Oleques Teixeira - Guará / DF
  Observações: Poesia oferecida pelo sítio Bombacha Larga ao prezado visitante Raúl Carlos Brodt, de Maceió-AL, e a todos os demais gaúchos desgarrados que se encontram longe do nosso Pago Sulino.

 
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