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Leonardo:
Valsa da Prenda Jovem, de Leonardo

 

29/08/2007 08:25:20
O MATEAR SOLITO
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Que coisa triste é matear solito.
O peão por mais xucro, se entrega nesta hora.
Toma um trago, acende um pito,
Depois tira o chapéu, não se agüenta. E chora!
Chora um pranto de lágrima serena.
São lembranças que lhe vem à memória,
Saudades da morena que fez parte da sua história.
 
O mate parece azedo neste momento;
Cada gole é um sofrimento, uma angústia...
É uma dor que arde na alma do vivente,
Só quem mateou solito sabe a dor que ele sente.
Pobre taura... de levar pialo, já está cansado.
Agora de mate lavado, se atraca na cachaça.
Pois a vida não tem mais graça e se entrega ao desgosto;
A tristeza lhe puxa, pois é maldito o mês de agosto.
 
Cai uma garoa límpida lá fora.
O peão mira triste o campo encharcado,
A tristeza não quer ir embora.
E ele novamente se vê arrasado,
Consumido pela cachaça;
Estão trêmulas as mãos calejadas,
Mãos rústicas de força e de raça
Que agora balanceiam derrotadas.
 
Quem te viu, taura destemido,
Jamais diria que és tu
Desta forma, consumido,
Neste estado deplorável.
Embora antes foste saudável,
Agora entregue ao desalento,
Pois maldito é o sofrimento
Que traz um mate sem companhia.
 
O mate, talvez, símbolo de amizade;
Ou até mesmo de hospitalidade.
E, também, símbolo de amor,
Dos casais apaixonados
Que mateiam abraçados.
Mas o mate também é símbolo de dor
No matear solito, na triste solidão;
De alguém que remói angustias,
Perdendo o pulsar do coração.
 
E ao olhar aquela chuva,
Tua visão se perdeu no horizonte.
Já não querias mais mate nem cachaça,
Nem pitar tu quisseste;
Nem de viver tiveste vontade,
Pois a vida não teve graça.
Quem sabe foi saudade 
Que não quis ir embora.
Não há quem dê explicação,
Pois o que te consumiu naquela hora
Foi a maldita depressão.
 
Levantou-se
Carregando nas mãos a sua vida.
Foi buscar a espingarda,
A cadela preta, sua única companhia.
Saiu, de atrás, apressada;
Certamente pensou que iria caçar
Quando viu o vivente com sua arma.
Pobre cadela preta; prestes a perder seu dono.
Talvez somente ela sofresse o abandono.
 
Somente um cartucho no bolso levou,
Somente um tiro no rochedo ecoou.
Encontraram a cadela sentada,
Uivando seu choro fúnebre
Bem do lado da face gelada
Do corpo do peão seu amigo.
Um furo na testa queimou;
No bolso um bilhete deixou,
Com versos rimados a dizer:
 
“Sem nome, sem história;
Por aqui não fiz memória.
Meu mate foi envenenado.
O destino me foi traçado
Aos vinte e oito de idade.
Do mesmo calibre foi o tiro;
Lamento não deixar saudade
Na prenda que eu admiro!”
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  Autor: Lucas Klein
Poesia enviada Por: Lucas Klein - Ivoti / RS
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15/03/2008 11:03:38 Ilaine - Copenhague / RS - Dinamarca
Lucas! Nossa, esta é muito triste... mas linda! Lembrou-me teu avô... Escreva sempre. És muito talentoso! Abraço! Ila
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25/01/2008 18:35:13 lucas klein dos santos - Nova Friburgo / RJ - Brasil
Vc tem meu nome (Lucas Klein).
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08/10/2007 13:01:55 Katia Cibele Reichert - São José do Hortêncio / RS - Brasil
Esta poesia é muito linda. Tive a honra de declamá-la numa tertulia, a convite do Autor. Neste momento pude sentir tudo o que há nessas singelas palavras. Declamá-la com um costado bem tocado, a emoção vem, sem pedir permissão. Gostaria de agradecer, mais uma vez, pela oportunidade! Lucas. Um abraço do tamanho do Rio Grande!
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