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Os Filhos do Rio Grande:
Laçador

 

30/09/2007 20:34:53
PINGOS
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Em cada ronda da vida
eu tive um pingo de lei.
Montado, sou como um rei, 
pelo garbo e o entono.
Cavalo pra mim é um trono: 
e neste trono me criei.
 
De piazito já encilhava
um peticinho faceiro, 
que era cria de um overo
e de uma egüinha bragada: 
era da cor da alvorada
o meu petiço luzeiro!
 
Rosado como as manhãs, 
do pêlo da própria infância, 
mascando o freio com ânsia, 
parece que até sorria...
Chamava-se “Fantasia”
E era a flor daquela estância.
 
Já mocito, o meu cavalo
era um ruano, ouro nas crinas, 
festejado pelas chinas
que o chamavam - “Sedutor".
Formava um jogo de cor
sob os reflexos da aurora
com os cabrestilhos da espora
e os flecos do tirador.
 
Naqueles tempos de quebra, 
nos bolichos, ao domingo, 
sempre floreando meu pingo
todos me viram pachola
com o laço a bate-cola
e virando balcão de gringo.
 
O meu cavalo de guerra
chamava-se “Liberdade"!
Chomico! Ouanta saudade
me alvorota o coração!
Era um mouro fanfarrão, 
crioulo da própria marca
e eu ia como um monarca
na testa de um esquadrão.
 
Em uma carga das feias
(como aquela do Seival)
o mesmo que um temporal
rolamos por um lançante
e até o próprio comandante
ficou olhando o meu bagual.
 
Homem feito e responsável, 
o meu flete era um tostado, 
tranco macio, bem domado, 
(êta pingo macanudo! 
desses que "servem pra tudo",
segundo um velho ditado.
 
Mui amestrado na lida,
um andar de contra-dança;
de freio, era uma balança,
campeiro, solto de patas...
Gaúcho, mas sem bravatas,
e o batizei de "Confiança"
 
O cavalo que encilho
nesta quadra da existência,
dei-lhe o nome de "Experiëncia".
É um picaço de bom trote
e levando por diante o lote
rumbeio à Eterna Querência.
 
E, assim, vou descambando,
ao tranco e sem escarcéu,
sempre tapeado o chapéu
por orgulho de gaúcho,
e se Deus me permite o luxo
entro a cavalo no céu!
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  Autor: Guilherme Schultz Filho
Poesia enviada Por: Rafael Valerio - Mafra / SC
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