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Sina de Andejo, de Régis Marques

 

19/10/2007 11:22:53
ALELUIA
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Velho pampa lendário de outras eras,
onde se erguem lúgubres taperas,
tripudiando quais flâmulas de luto:
nessas tarde de junho, ao sol poente,
parece-me que sinto o que tu sentes
quando o silêncio do teu campo escuto...
 
A brisa nas carquejas do varzedo,
chorando, confessa que tens mêdo
de enfrentar esta miséria atroz...
E na tristeza sem fim dos corredores
vibram hinos de brados e clamores
contra as algemas da canalha algoz...
 
Mas não percebes, decrépito campeiro,
que as rondas do abutre carniceiro,
grasnam sobre ti funéreo agouro;
que és o braço do ¨Gigante¨ que mendiga
e ¨deitado em berço explêndido¨ se obriga
a pedir pão sob um dossel de ouro?...
 
Esquece as condições de teu presente!
Larga o trôpego andar do indigente
e relembra o que fostes em tempos idos...
Deixa a tua lança, adormecida e quieta!
A guerra é de doutrinas... Vem! Desperta
que os dias de porvir serão vividos...
 
Pois, pressinto na fome de meu filho
que um vulcão de revolta aclara o trilho
por onde segue a procissão dos pais...
Desperta Rio Grande! Chama o Brasil
antes que a voz da bôca de um fuzil
não lhe consinta despertar jamais...
 
Pobre Pátria de vinte e tantas zonas
que tem no seu ventre o Amazonas
e agoniza de fome nas cidades...
Zôo de macacos galhofeiros,
plagiando o viver dos estrangeiros
desde o Batismo às Universidade...
 
Tenho pena de ti, - senzala branca!-
dessa coletividade honesta e franca
que de tanto esperar já desespera...
Tuas vísceras são campos de imundícies,
onde o vírus malsão das canalice
se robustece, cresce e prolifera...
 
Enquanto isso, cérebros raquíticos,
- sanguessugas de pântanos políticos!-
fomentam leis que não trescalam nada...
Mas não tarda que a aurora do futuro
tinja de escarlete o céu escuro
dos párias desta estância abandonada...
 
Nesse dia, meu pampa, os teus heróis,
ostentando nas mãos raios de sóis
e cavalgando fagulhas celestiais,
virão beber na fúria dos motins,
o sangue nutrido nos festins
dos que colhereram sem semear jamais...
 
E, então, o marco de uma nova era,
surgirá num ermo de tapera
substituindo o pedestal de imbuia,
para que o povo todo num só grito,
possa bradar da Terra ao Infinito:
ALELUIA!...ALELUIA!...ALELUIA!...
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  Autor: Lauro Rodrigues
Poesia enviada Por: Maria da Graça Rodrigues - Porto Alegre / RS
  Observações: A poesia Aleluia faz parte da obra Senzala Branca, considerada o grito de libertação do subconsciente de Lauro Rodrigues, pelo depoimento que dá em nome da sua geração; da visão liliputiana que ele depara no mundo dos homens, provocado que é, com sensibilidade e inteligência, pela iconoclastia venal e corrutora, através do dinheiro fácil e do oceano de cargos políticos, que tudo subverte e que tende a reduzir os homens a um tapete. Maria da Graça Rodrigues é filha do saudoso poeta e tradicionalista gaúcho Lauro Rodrigues. Por intermédio do sítio Bombacha Larga ela apresentará aos prezados visitantes deste espaço cultural outras belas poesias de seu pai, o grande Lauro Rodrigues.

 
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