Usuário:
 
  Senha:
 
 

Os Monarcas:
Prece Telúrica, de Arabi Rodrigues
e Luis C. Lanfredi

 

19/10/2007 11:47:19
NOITE DE CHUVA
............................................................................
Escuta, chinoca linda,
o som da chuva no zinco,
como tambores de Deus
chamando os noivos p'ra vida...
Não prende o candieiro ainda!
Fecha a porta! Corre o trinco!
Deixa que a sobra dos céus
nos acoberte, querida...
 
Solta essa crina ruana
sobre o meu peito de moço
que guarda sem alvorôço
muita história rabicana
de muita china aragana
que hoje chora a viuvês...
Fiquemos assim no ajôjo
do mesmo sonho inocente!
bebendo a guampa do apôjo
que a noite traz em seu bôjo
para a saudade da gente...
 
Quanto ruído de inseto!
Quanto barulho de bicho
que a treva reponta a êsmo
no aparte das madrugadas!
Mas, só me põe o rabicho
me despotreando a mim mesmo,
a vida das águas mortas
no tempo das enxurradas...
 
As rãs despejam lamentos;
os sapos cortam soluços...
Os grilos choram de bruços
na borda dos água-pés...
Triste vozes desusadas
parecem almas penadas
no êrmo dos santa-fés.
 
Eu gosto desta cantiga
que é como a acordeona antiga
sempre igualzita, no mais
Por mais que avance o Progresso
nunca achará recesso
no cláustro dos banhadais...
 
Da lonca se tira o tento...
Da tábua se faz a tarca...
Do potro se faz o manso...
O gaúcho morre ao relento...
O fogo eterniza a marca...
O tempo não tem descanço...
Porisso, chinoca linda,
a ronda jamais se finda
ao som da chuva no zinco...
Por mais que avancemos o progresso
nunca achará recesso
no peito de um Trinta e Cinco... 
............................................................................
  Autor: Lauro Rodrigues
Poesia enviada Por: Maria da Graça Rodrigues - Porto Alegre / RS
  Observações: Tenho muito orgulho de ser filha desse poeta. A saudade fica bem menor, quando leio suas poesias. Maria da Graça Rodrigues.

 
Nome:
Cidade:
Estado:
País:
E-mail:
(O E-mail não é Publicado no Comentário)
Sítio:
Comentário:
   
 
Untitled Document