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Walther Morais:
Pra ser feliz no Sul

 

20/10/2007 20:11:26
GAITA
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Gaita - órgão do pampa
sobre o altar das coxilhas
que tem por templo os capões!
Poema que tudo enlaça,
desde os primórdios da raça,
à herança das tradições...
 
Quando te escuto, à distância,
saudando a calma da estância,
em meio aos écos da noite;
teu choro dá-me a impressão
dos tristes da escravidão
gemendo sob o açoite...
 
Teu fole quando ressonga,
na estrada poeirenta e longa
na hora em que morre o dia;
parece um órgão, parece,
parece rezando a última prece
em honra d'Ave Maria!
 
Teu toque langue, soturno,
no ambiente noturno
desperta coisas remotas,
quando a saudades campeia
ao baço da lua cheia,
numa cascata de notas...
 
E se te ouço, - matreira! -
numa pulperia, na beira
de algum fandango em bonança;
lembro corpos em meneios
e o morno afar de dois seios
que se comprimem na dança...
 
E quando ao romper da aurora,
a tua voz se descora
pelos grotões das coxilhas,
a cavalgada dos écos,
pelos ermos e penhascos,
repete o rufar dos cascos
das legiões Farroupilhas...
............................................................................
  Autor: Lauro Rodrigues
Poesia enviada Por: Maria da Graça Rodrigues - Porto Alegre / RS
  Observações: Poesia integrante do Livro Invernada Vazia, editado em 1951, livro este que faz parte do acervo que guardo com muito carinho e de onde leio bastante quando a saudades aperta! Maria da Graça Rodrigues - filha de Lauro Rodrigues.

 
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