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Walther Morais:
No Arremate do Dia

 

20/10/2007 20:14:48
SINHÁ MARIA
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Quando a lua se destapa
no arvoredo do capão,
não sei porque fico triste,
por que chora o coração:
- só sei que cá no meu peito
cresce uma coisa esquisita
que penso seja a saudade
daquela mulher bonita
qu'eu conheci num fandango
sapateando a chimarrita
na poeira do terreiro
do rancho de sinhá Rita...
 
Caramba! Quanta desgraça
na vida da gente passa
sem que se queira passar!
O destino é um mau tropeiro,
se o seu pialo é certeiro
faz a gente se quebrar.
É dela, quase garanto,
qu'eu carrego esta saudade!
Por ela já sofri tanto
qüe puxa-barbaridade!...
Também, lhe digo: morena
como aquela nunca mais
há de pisar nestes pagos.
 
Sua boca se parecia
c'um ananás que sorria.
E eu tinha, tinha desejos
de recobri-la de beijos,
de retová-la de afagos.
Tinha um corpo miudinho,
espevitado, fininho
como os juncos do lagoão.
Todo o povo quando a via
chamava-a Sinhá Maria,
Maria a flor do rincão!...
 
Pra ganhar Sinhá Maria,
fiz promessa, simpatia,
fiz tudo, tudo o que "pude".
Por devoção a "Jesuis"
cheguei a plantar três "cruiz"
nas bordas do meu açude.
E em cada uma escrevi
com letras feita de flor:
Sinhá Maria – a primeira -!
Na segunda escrevi: - amor!
Saudade - pus na terceira...
 
E uma manhã - que tristeza!!! 
Gargalhava a natureza
no bico da passarada.
Meu laranjal de faceiro,
enchia todo o terreiro
de flores cor-de-geada.
Corri, então, à janela,
para olhar a primavera
qu'enfeitava este rincão;
e de repente - ó maldade! -
na cruz que eu chamei "saudade"
tinha florido um botão.
 
Os meus olhos se enuviaram
e uns pingos d'água rolaram
beirando pelo nariz.
Pois Jesuis, de distraído,
não escutou meu pedido,
não me deixou ser feliz!...
Nunca mais Sinhá Maria
me deu de novo a alegria,
me fez de novo contente...
E no rancho de sinhá Rita
nunca mais a chimarrita
fez feliz aquela gente!
 
Pois o botão da "Saudade"
eu colhi, é bem verdade,
com mágoas no coração,
pra enfeitar - que ironia!
- a cruz de Sinhá Maria,
Maria: a flor do rincão!!!
............................................................................
  Autor: Lauro Rodrigues
Poesia enviada Por: Maria da Graça Rodrigues - Porto Alegre / RS
  Observações: Obra do Livro Minuano, editado em 1944, uma das poesias mais bonitas e solicitadas para que o poeta declamasse. Maria da Graça Rodrigues - filha de Lauro Rodrigues.

 
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15/11/2012 09:41:08 Cesar Prestes - VACARIA / RS - Brasil
Prezada Maria da Graça, Mais de 4 anos se passaram e agora vejo para a minha surpresa a sua resposta, assim como a poesia do seu pai nos emociona ainda hoje, também o meu saudoso pai nos emocionava ao declamar Sinhá Maria. Respeitosamente. Cesar Prestes
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06/03/2008 00:57:20 Maria da Graça Rodrigues - P.Alegre / RS - Brasil
Sr. Cesar Prestes, venho pedir-lhe desculpas e falar que o senhor tinha razão. Verificando com calma a poesia do pai Sinhá Maria, constatei que não estava completa. Na maioria das vezes, a emoção me deixa com os olhos emaranhados e atrapalha qdo estou digitando as poesias dele, bate a saudades. Obrigada por me corrigir. Um grande abraço!
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10/01/2008 14:15:40 Maria da Graça Rodrigues - Porto Alegre / RS - Brasil
Ilmo. Sr. Cesar Prestes, informo-lhe que Sinhá Maria está publicada neste respeitoso site, tal qual a publicação no Livro Minuano. Caso o senhor tenha interesse em alguma poesia de autoria de meu pai, entre em contato comigo que terei o máximo prazer em lhe enviar. Um respeitoso abraço!
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06/01/2008 19:41:07 Cesar Prestes - Natal / RN - Brasil
Esta completa? penso que essa poesia eh maior!
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