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Paixão Côrtes:
Gaúcho Velho

 

27/10/2007 07:07:56
ESCRAVO
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Sou escravo da rima...
... ela me ordena!
De há muito me condenou
- ainda me condena -
a um ostracismo lírico-terrunho...
... que tolhe meu espírito sedento
de voar  - livre - pelo branco do poema...
 ... de não aceitar o moderno-universal... 
  
Sou escravo da rima...
... minha invertida cruz de sal...
... um breve santo
que protege somente ao escolhido:
            Não adianta procurar... ela procura!
            Não basta querer... ela é quem quer!
            Não adianta pedir... pois ela nega!
  
Sou escravo da rima...
... ela me apega!...
... ela me ofusca!... ela me manda!
Sou apenas um veículo,
a poesia me comanda!
Sou singelo tradutor... simples tropeiro...
... mero condutor... 
... de idéias e palavras... peregrino...
  
Sou escravo da rima...
... é meu destino!
Minha sina de ser e de buscar...
... de andar pelos rumos da lira...
... teatino!...
... pelas sendas do sentir e perceber.
 
Sou escravo da rima...
... amante da forma!...
... cultor da métrica!...
... amigo do saber!
Parnasiano por obrigação!
Sinto o mesmo que Bilac
- e isso me transtorna -
também invejo o ourives quando escrevo!
  
Sou escravo da rima...
... é meu apego!...
... e é necessidade de exprimir... em meras frases,
os sonhos que não consegui sonhar;
as emoções que não pude sentir;
a poesia que nunca pude conceber...
... e os sentimentos que não soube dominar...
  
Sou escravo da rima...
... é minha sina!...
... minha companhia...
... minha eterna necessidade.
Pois escrever - para mim -
independe da vontade:
            é como um grande fardo que carrego,
verdadeira praga!...
            ... uma ferida aberta... uma maldita chaga
            que obriga a dirimir sonhos e penas.
  
Esse é meu rumo... ingrata sorte!...
... malogrado engodo do destino... apenas...
   
Nasci escravo e vou morrer cativo,
da insensata rima que me ofusca...
... doce amante que me abraça...
... mediador que me condena
a um ostracismo lírico-terrunho...
... que tolhe meu espírito sedento
de voar...
        - livre -
                                 ... pelo branco inatingível do poema!
............................................................................
  Autor: Guilherme Collares
Poesia enviada Por: Cássio Gomes Lopes - Bagé / RS
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